
A Vingança Bilionária da Noiva Abandonada
Capítulo 2
Aline POV:
Breno e Janine se agarravam um ao outro, um quadro de amantes trágicos contra o cenário da gala cintilante. O abraço deles era tão apertado, tão sufocantemente íntimo, que parecia que o mundo de fato havia encolhido para apenas os dois. Eu assistia, uma estranha na minha própria vida.
Em um certo momento, seus lábios se encontraram. Um beijo longo e apaixonado que parecia desafiar o ambiente público, um beijo destinado a ferir, a afirmar, a reivindicar. Meu estômago revirou.
O braço dele envolveu a cintura dela, possessivo. A mão dela repousava no antebraço dele, delicada, reivindicando. Eles pareciam mais um casal do que Breno e eu jamais parecíamos. Mais apaixonados do que Breno e eu poderíamos sonhar em ser.
Alguns convidados olharam em nossa direção, suas expressões uma mistura de curiosidade e diversão mal disfarçada. Eu podia sentir os sussurros começando, como um fogo lento.
"Se fosse eu, morria de vergonha", alguém murmurou, a voz um pouco alta demais.
"Sério. Que cara de pau. Ainda parada ali como uma estátua."
Eles estavam esperando por um show. Eles queriam a antiga Aline, aquela que gritaria, choraria, faria uma cena. Aquela que confirmaria suas suposições cruéis.
Breno finalmente se afastou de Janine, seus olhos, ainda pesados de desejo, piscaram para mim. Ele soltou um zumbido baixo e satisfeito. Ele esperava que eu estivesse em pedaços. Ele esperava meu habitual ataque histérico.
Mas eu não lhe dei nada. Sem lágrimas. Sem gritos.
Apenas um olhar vazio.
Ele abriu a boca, provavelmente para desferir outro golpe esmagador, mas eu não lhe dei a chance. Virei nos calcanhares e caminhei em direção à saída. Cada passo era um ato deliberado de desafio.
Lá fora, o ar fresco da noite era um bálsamo na minha pele quente. Peguei meu celular, meus dedos um pouco trêmulos.
"Jaime", eu disse no telefone, minha voz rouca. "Venha me buscar. Agora."
Enquanto eu esperava, um carro preto elegante parou ao lado do meio-fio, sua janela escura deslizando para baixo com um zumbido suave. O rosto presunçoso de Breno apareceu.
"Entra, Aline", ele ordenou, seu tom seco, sem deixar espaço para discussão.
Meus olhos se desviaram para o banco do passageiro. Janine. Seu rosto ainda estava corado, seu cabelo ligeiramente desgrenhado, um sorriso malicioso brincando em seus lábios.
Breno notou meu olhar. Sua testa franziu. "Você não deveria estar no banco do passageiro, Janine."
Os olhos de Janine imediatamente se encheram de lágrimas. "Ah, Breno, me desculpe! Eu não pensei... Eu vou sair. Não quero causar nenhum problema."
Ela fez menção de alcançar a maçaneta da porta, mas seu corpo permaneceu teimosamente no lugar. Breno pegou sua mão gentilmente, seu polegar acariciando seus nós dos dedos.
"Não se atreva a machucá-la, Aline", ele avisou, seus olhos faiscando para mim. "Agora entre no banco de trás. Ou some daqui."
Eu não disse uma palavra. Apenas contornei o carro até a porta de trás, minha mão ainda segurando o telefone.
Vendo meu silêncio, o sorriso de Janine se alargou. Ela estendeu a mão, seus dedos delicados acariciando a mandíbula de Breno. "Você gosta do cheiro do meu novo creme para as mãos, querido?", ela ronronou, sua voz escorrendo doçura artificial.
Ouvi Breno engolir em seco de onde eu estava. A respiração deles ficou pesada, irregular. Seus olhos se encontraram, uma promessa silenciosa e íntima passando entre eles. Seus rostos se aproximaram.
Assim que seus lábios estavam prestes a se tocar, um baque surdo ecoou na noite silenciosa.
A cabeça de Breno se virou bruscamente para o banco de trás. Vazio.
Ele finalmente registrou o som que tinha ouvido. A porta do carro batendo. A porta do meu carro. A que eu acabara de fechar.
Ele saiu do carro às pressas, seu rosto contorcido em uma careta furiosa. "Aline! Onde você vai?"
Eu o encarei por um momento, depois gesticulei com o queixo em direção ao sedã que acabara de parar, Jaime já abrindo a porta de trás para mim.
"Eu não preciso de carona", eu disse, minha voz plana. "Aquele é o meu carro."
Ele olhou para mim, um lampejo de algo novo em seus olhos — confusão? Essa não era minha reação usual. Mas então, endureceu em raiva. Ele viu isso como um novo jogo. Uma nova maneira de se rebelar.
Ele agarrou meu braço, seu aperto machucando, e tirou uma pequena caixa de veludo do bolso. Ele enfiou a caixa na minha mão.
"Pare com esse ato infantil, Aline", ele sibilou, sua voz tensa com raiva mal contida. "Você é minha noiva. Mesmo que seja de fachada, isso me faz parecer um idiota."
Eu encontrei seu olhar, meus próprios olhos frios. "Quem é sua noiva de verdade, Breno?", perguntei, minha voz mal um sussurro. "É a Janine?"
Sua expressão vacilou, uma mistura de aborrecimento e... algo como satisfação. Ele soltou um bufo desdenhoso.
"É melhor você manter a boca fechada, Aline. Janine é diferente de você. Ela é gentil. Dócil. Pura. Você nunca poderia se comparar." Ele cuspiu as palavras, veneno escorrendo de cada sílaba. "Se você se atrever a reclamar com os mais velhos, ou machucá-la de alguma forma, você só vai se humilhar no casamento."
Eu quase ri. Ele não queria ser o vilão. Ele simplesmente não conseguia desistir de Janine. Então, era mais fácil me culpar. Sempre eu.
Eu o ignorei, puxei meu braço para me libertar e entrei no meu carro. Jaime partiu suavemente, deixando Breno parado e furioso no estacionamento.
No caminho para casa, meu celular vibrou. Uma nova atualização de rede social de Janine. Sua mão, perfeitamente manicure, segurava um anel de diamante rosa cintilante. Brilhava na luz fraca do carro. Dez quilates, pelo menos. Eu o reconheci. Aquele leiloado no mês passado por uma quantia ridícula. O comprador anônimo tinha sido Breno.
Olhei para o pequeno e insignificante anel de diamante que ele acabara de enfiar na minha mão. Meti a mão no bolso e o tirei. Era uma peça barata, produzida em massa. Um brinde, percebi com um choque, provavelmente dado na compra do diamante rosa.
Meu sangue gelou. O telefone tocou, me assustando.
Verifiquei a tela. Breno.
Atendi, colocando no viva-voz.
"Breno, querido, e se a Aline contar a todos sobre nós?", a voz de Janine, um pouco alta demais, ronronou do telefone.
A risada baixa de Breno encheu o carro. "Ela não vai. Ela não pode. E mesmo que contasse, quem acreditaria nela? Você é a única para mim, Janine. A Aline nunca será minha esposa."
Então, um som molhado, estalado. Um beijo. O nojo se enrolou no meu estômago.
Desliguei, meu dedo tremendo.
Segundos depois, uma mensagem de texto de Janine apareceu.
Quem não é amada é sempre a outra, Aline. Você teve seu título por anos. Agora é a minha vez.
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