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Capa do romance A Vida com os Garotos Anderson

A Vida com os Garotos Anderson

Winter Monroe planejava um último ano escolar discreto em Cambree High, focada apenas nos estudos. Contudo, a viagem de sua mãe para a África a obriga a morar com amigos da família. Sua rotina pacata é abalada ao descobrir que dividirá o teto com os quatro garotos mais influentes e problemáticos do colégio. Agora, a jovem precisa sobreviver ao caos e às provocações desse quarteto, tentando manter sua conduta impecável enquanto sua vida vira de cabeça para baixo.
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Capítulo 3

PONTO DE VISTA DE NADINE:

Eu escutei o bipe irritante do meu alarme e fechei os meus olhos ainda com mais força, cobrindo meu rosto com o cobertor, enquanto tentei bloquear esse som impertinente. Eu sorri em satisfação, quando o barulho do alarme parou e me aconcheguei em meu travesseiro inebriante.

"Acorda, acorda!", disse uma voz, mas não respondi, fingindo que estava dormindo, para que a pessoa pudesse me deixar em paz e desta forma, eu poderia voltar a dormir mais um pouco. Claro que a pessoa tinha planos diferentes.

"Nadine!" Eu escutei o Leonardo gritar, me fazendo soltar um suspiro pesado.

'Por favor, me deixe sozi...'

"Ah!", um grito saiu da minha boca, quando senti o cobertor sendo retirado do meu corpo. Eu soltei um gemido de descontentamento. Estava tão gostoso debaixo da coberta. Olhei para o que eu estava vestindo e percebi que estava com o meu short de pijama com estampa de coração e uma camisa preta de manga curta.

'Ótima escolha, Nadine', eu pensei, constrangida pelo pijama que estava usando. Quer dizer, eu pareceria uma criança de 8 anos de idade.

"Ei! Mas, por que você fez isso?!" Eu disse, fazendo uma careta e me abraçando para tentar me manter aquecida. Leonardo cruzou os braços sobre o peito em protesto e ficou me encarando.

"Temos aula, Nadine", Leonardo disse, impaciente e eu bufei contrariada, passando a mão pelo meu rosto. Soltei um suspiro e finalmente saí da cama, pegando a roupa que havia escolhido para vestir hoje. Fui em direção ao meu banheiro, amando o fato de ter um quarto com suíte só para mim.

Eu era muito sortuda.

Eu agarrei a maçaneta da porta do banheiro e olhei por cima do meu ombro para ver Leonardo, que está jogando na cama, o cobertor que havia tirado de mim. "Você pode ir agora", eu disse, chamando a sua atenção. "Desço em dez minutos", eu disse, antes de entrar no banheiro.

Eu andei até a pia e apoiei as minhas mãos em suas laterais. Olhei no espelho redondo e suspirei profundamente. Eu não estava pronta para isso. Ainda não conseguia acreditar que havia dormido na casa dos Anderson. Eu tinha que me acostumar com isso... Afinal de contas, esta seria a minha casa por um ano.

Soltei outro suspiro, desta vez com menos intensidade, e comecei a tirar minhas roupas, entrando no chuveiro e fechando o box de vidro, enquanto começava a abrir o registro de água quente.

●●●

Peguei uma maçã na tigela que estava no balcão da cozinha e dei uma boa mordida. Os garotos, em volta da mesa, estavam tomando o café da manhã.

Eu notei Guilherme me encarando como se tivesse alguma coisa errada com o meu rosto e eu franzi a testa, totalmente confusa. Ele percebeu, pela minha expressão, e sorriu, o que me fez levantar a sobrancelha, ainda mais confusa. Ele olhou para a maçã na minha mão e eu ri, finalmente entendendo onde ele queria chegar.

"Você quer dar uma mordida?", eu perguntei a ele, circulando a fruta em torno do seu rosto. Ele, então, simplesmente agarrou o meu pulso, imobilizando a minha mão e deu uma mordida na minha maçã.

"Obrigado", Guilherme disse sorrindo, diferente de mim, que não havia gostado nada da sua atitude. Desgostosa, eu procurei a lixeira, entretanto, ele ainda estava segurando o meu pulso. Quando eu olhei para trás, para os quatro garotos, percebi que todos estavam sorrindo para a nossa cena.

"Quer saber de uma coisa, se você não comer isso...", Guilherme disse sua frase pela metade, enquanto eu largava a maçã imediatamente, sem a menor vontade de continuar comendo-a. Ele sorriu, enquanto continuava a comer a maçã que já fora minha.

"Seu ogro", eu murmurei, indo em direção à pia para lavar as minhas mãos. Todos os garotos riram e eu sequei as mãos nas calças, enxugando-as. Depois, eu agarrei as minhas costas, alongando-as e soltei um suspiro.

"Vejo vocês na escola, eu acho", eu disse e antes que eu pudesse sair pela porta para ir para a escola, uma voz profunda chamou o meu nome.

"Nadine, você vem conosco", Douglas disse e eu logo me virei, meu coração imediatamente começou a ficar acelerado, com a possibilidade de ir para a escola, junto com os garotos valentões mais conhecidos da escola. Já fiquei imaginando Andréa, inventando nomes e me chamando de todos os apelidos possíveis por causa de tudo isso...

"Is...sso não está acontecendo", eu gaguejei, enquanto uma careta havia se formado em meu rosto. Eu não poderia ir para a escola com esses garotos, haja visto que, me perguntariam por que eu estava indo para a escola com eles e muito provavelmente eu sofreria bullying. De jeito nenhum, eu poderia aceitar isso! Todos ficariam com ciúmes e com muita raiva. Seria a pessoa mais odiada da escola, se eu já não era!

"Nadinha, confie em mim. Ninguém vai ficar falando besteira, não se preocupe." Cauã interrompeu os meus pensamentos, sendo que, deixei escapar um suspiro de exaustão, pois sabia que ele estava errado.

"Sim, eles vão. Todo mundo vai ficar fazendo perguntas ridículas e eu, com certeza, não vou me colocar nessa situação e você não pode me obrigar!", eu disse com desdém, virando-me e abrindo a porta da frente. Antes que eu pudesse sair, alguém agarrou o meu pulso e quando eu me virei, vi Leonardo me olhando com seriedade.

"Deixe-me ir, Leonardo!", eu disse, tentando me libertar do aperto de Leonardo, sendo que, ele não se moveu nem um centímetro.

"Sem chance", Leonardo disse, com uma expressão séria. Depois de dois minutos de luta, finalmente dei-me por vencida, empurrando tudo de lado e deixando os meus pensamentos invadirem a minha mente, imaginado como seria na escola.

Neste momento, eu era a pessoa mais odiada da escola.

●●●

"Olha, ali está o Igor!", Guilherme gritou e Cauã se inclinou contra a cadeira de Guilherme. "Espere, deixe-me jogar algo nele!" Guilherme acrescentou, então eu olhei para cima e vi quando ele estava segurando uma pedra.

"Mas em que mundo você vive, para achar normal alguém ter uma pedra dentro da própria bolsa?", eu perguntei a Guilherme, sendo que, ele me lançou um sorriso, antes de apontar a pedra para o cara andando com uma mochila bem grande.

"Simplesmente, porque eu faço isso todas as manhãs..." E com isso, ele jogou a pedra pela janela e todos ficaram olhando para ela, voando em direção ao Igor. Um suspiro de insatisfação escapou dos meus lábios, quando ele conseguiu atingir Igor na cabeça.

Desejei que a pedra não fosse pesada...

Os olhos de Igor se voltaram para nós imediatamente e ele segurou a cabeça com a mão, olhando fixamente para nós, com uma expressão de dor. "Guilherme!", Igor gritou e Guilherme levantou o dedo, com um grande sorriso no rosto.

"Foda-se, seu grande esterco de vaca!", Guilherme gritou e subitamente, Igor começou a correr atrás do carro, o que me fez ofegar novamente.

"Pise nesse acelerador, Douglas!", Cauã gritou e imediatamente, fui forçada a recuar no meu assento, quando o carro começou a acelerar na rua, sendo que, Igor já estava completamente fora da vista de todos. Alguns segundos depois, o carro voltou à velocidade normal.

A cerca da escola chamou a minha atenção e eu suspirei. Porcaria. Eu me abaixei, enquanto Douglas dirigia para o estacionamento da escola. Ouvi algumas pessoas gritando os nomes dos garotos, o que me preocupou ainda mais. Mas que confusão eu havia me metido.

O carro parou e ouvi a primeira porta do veículo se abrir. Eu olhei para cima para ver Douglas saindo, seguido por Guilherme, então Leonardo e finalmente Cauã. Depois de alguns segundos, entendi que era a minha vez de sair do carro. Eu respirei fundo, pulando para fora do carro. Assim como eu suspeitava, escutei as pessoas suspirarem e a gritaria cessou subitamente.

Eu engoli em seco na minha garganta e tentei ignorar as pessoas me encarando. Todos nós havíamos começado a caminhar em direção ao prédio da escola e deixei escapar um suspiro, quando ouvi o meu nome, sendo mencionado nas conversas dos alunos

Eu parei em frente ao meu armário e acenei para os garotos. Nenhum deles acenou de volta, então a minha atenção foi direcionada para ver um monte de garotas passando. 'Garotas da Andréa', pensei comigo mesmo.

"Eu fico me perguntando, por que será que ela estava no carro com eles?", uma das garotas sussurrou.

"Ela está querendo chamar a atenção, provavelmente. Você sabe, porque ela está sempre sozinha e ninguém a quer."

"Pode ser."

Soltei um suspiro, ignorando o meu coração, que estava batendo muito forte. Eu me virei para encarar o meu armário e inclinei a minha testa contra ele, fechando os olhos, pensativa.

Cauã estava errado.

Eu estava fadada a ouvir besteira das pessoas desta escola.

●●●

Eu andei em direção à fila do almoço e fiquei esperando a minha vez, segurando minha bandeja em minhas mãos. A refeição de hoje era salada de frango, o que me alegrou profundamente.

Quando recebi minha salada e minha garrafa de água, olhei ao redor do refeitório e percebi todos entretidos, conversando. As mesas já estavam ocupadas, o que me fez suspirar. Algumas pessoas no refeitório ainda estavam me encarando e sussurrando, sendo que, eu já estava farta de toda esta fofoca sobre mim. Muitas pessoas vieram até mim, na minha primeira aula e fizeram todos os tipos de perguntas como: "Você está namorando um dos meninos?"

"Você é a nova vagabunda deles?"

"Posso ter o número deles?"

Todos os tipos de perguntas possíveis. Claro que não respondi, porque se eles soubessem que eu iria ficar na casa dos Anderson, tinha quase certeza de que minha resposta iria causar um rebuliço.

Percebi Cauã, Guilherme e Leonardo sentados na mesa do meio, rindo e piscando para as meninas que estavam basicamente babando por eles.

Eu me virei e saí do refeitório. Eu comecei a andar até o meu lugar habitual na arquibancada, quando subitamente esbarrei em um peito musculoso, fazendo-me cair no chão.

Eu fechei meus olhos com força em agonia e soltei um suspiro. Por que será que hoje está sendo um dia tão ruim? Abri os meus olhos, fazendo beicinho, quando vi a minha salada toda espalhada pelo chão.

Minha comida...

"Levante-se", eu ouvi uma voz séria dizer, quando olhei para cima e vi Douglas. Ele estava me encarando com os braços cruzados sobre o peito.

"Eu..."

"Levante-se", Douglas disse sem paciência e eu fiz rapidamente o que ele mandou, não querendo deixar ele ainda mais irritado. "Me siga", ele disse e eu franzi as sobrancelhas, sem me mexer. Ele me lançou um olhar furioso e, assim, comecei a segui-lo em direção às portas de saída da escola.

"Para onde estamos indo?", eu perguntei a ele, sem conseguir uma resposta. Eu bati em seu ombro e seus olhos olharam para mim, aborrecimento e raiva eram demostrados claramente em seus olhos castanhos.

"Cale-se", ele disse, depois de alguns segundos, então eu suspirei. Chegamos ao carro em que estávamos antes, então entramos no carro e eu me sentei no banco do passageiro. Douglas ligou o carro e eu comecei a brincar com os meus dedos. Depois de alguns segundos, o silêncio estava começando a me incomodar, então eu perguntei a primeira coisa que havia vindo em minha mente.

"Douglas, para onde estamos indo?", eu perguntei novamente, na esperança de conseguir uma resposta. Esperando por um esclarecimento, comecei a olhar pela janela.

"Nós vamos almoçar, já que você estupidamente deixou cair toda a sua comida", Douglas disse, com um tom de tédio em sua voz. Eu levantei a minha mão para protestar, mas ele agarrou com facilidade o meu pulso e o empurrou para baixo, de modo que o meu braço bateu na minha coxa.

"Salve, princesa."

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