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Capa do romance A Última Vingança da Esposa

A Última Vingança da Esposa

Após ter o filho sequestrado e ser forçada a gravar um vídeo degradante, Maria Eduarda vê seu mundo ruir quando o bebê é morto e ela é rejeitada pela família e pelo marido, Ricardo. Em meio ao desespero, ela aceita casar-se com Pedro, rival de Ricardo, apenas para descobrir que ambos planejaram toda a sua tragédia. Traída por quem deveria amá-la, ela abandona a ingenuidade e ressurge sedenta por justiça. Agora, seu único objetivo é destruir os algozes e vingar seu filho.
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Capítulo 3

Pedro me levou para casa, sua mão possessiva no meu braço, o tempo todo repetindo palavras de consolo.

"Eu sinto muito, meu amor. Eu não sei como aquilo aconteceu. Algum inimigo meu deve ter se infiltrado. Eu juro que vou descobrir quem foi e fazê-lo pagar."

Suas palavras eram veneno coberto de mel. Cada toque dele me causava repulsa. Eu apenas concordava com a cabeça, meu rosto uma máscara de fragilidade e choque. Eu precisava que ele acreditasse que eu ainda era a mulher quebrada que ele pensava ter em suas mãos.

Chegamos na sua mansão, que agora era a minha prisão dourada. Ele me serviu um copo de água, seus dedos roçando os meus de forma "carinhosa".

"Descanse, Duda. Você passou por muita coisa. Eu vou cuidar de tudo."

Ele saiu do quarto, fechando a porta suavemente. Eu esperei alguns minutos, o coração batendo forte no peito. Fui até a porta e a abri uma fresta. A voz dele vinha do escritório, no fim do corredor. Ele estava no telefone.

"Foi perfeito! Você viu a cara dela? Totalmente em pânico. E a minha atuação como o noivo furioso? Digno de um Oscar."

Houve uma pausa. Ele estava rindo.

"Sim, o técnico de som fez exatamente o que eu mandei. Aquele idiota pensa que vai ganhar um bônus por ter 'salvo a situação'. Ele não faz ideia de que foi ele mesmo quem ligou o áudio a meu comando. Agora ela confia em mim mais do que nunca. Acha que sou o único protetor dela no mundo. O próximo passo será ainda mais divertido."

Fechei a porta sem fazer barulho, meu corpo tremendo de raiva. Então até o "resgate" na cerimônia foi meticulosamente planejado. Ele me humilhou na frente de todos e depois se colocou como meu salvador para me prender ainda mais em sua teia. A crueldade dele não tinha limites.

Voltei para a cama, me encolhendo sob os lençóis de seda. As lágrimas que eu segurava finalmente vieram, silenciosas e quentes. Eu chorei pela morte do meu filho, pela traição de Ricardo, pela maldade de Pedro. Chorei pela minha própria estupidez, por ter acreditado em um monstro.

Mas enquanto as lágrimas caíam, uma nova força nascia dentro de mim. A dor não ia me paralisar. Ela seria meu combustível. Eu precisava sair dali. Eu precisava encontrar uma forma de expor os dois.

Meu celular estava na bolsa. Peguei-o discretamente. A primeira pessoa em quem pensei foi Laura, minha melhor amiga da faculdade. Nós tínhamos nos afastado depois que eu casei com Ricardo, que nunca gostou dela. Ele dizia que ela era uma má influência. Agora eu entendia o porquê. Laura sempre foi esperta, sempre viu através das pessoas.

Mandei uma mensagem curta: "Preciso de ajuda. Urgente. Não ligue. Te explico depois. Pode me encontrar?"

A resposta veio quase imediatamente: "Onde e quando?"

Senti um pequeno alívio. Eu não estava completamente sozinha. Combinei de encontrá-la no dia seguinte em um café discreto, longe dos lugares que Pedro e Ricardo frequentavam. Eu só precisava de uma desculpa para sair de casa.

No dia seguinte, durante o café da manhã, Pedro entrou no quarto com um sorriso no rosto.

"Bom dia, meu amor. Dormiu bem?"

"Tentei", eu disse, a voz fraca.

"Eu tenho uma surpresa pra você. Hoje à noite vamos a uma festa de gala. A festa anual da empresa de um grande amigo meu. Quero que todos te vejam ao meu lado, de cabeça erguida. Quero mostrar que nada pode nos abalar."

Meu estômago gelou. Uma festa. Um evento social cheio de gente poderosa, amigos dele. Era a última coisa que eu queria. Era uma armadilha.

"Pedro, eu não sei se estou pronta..."

Seu sorriso desapareceu. Seus olhos ficaram frios por um instante.

"Maria Eduarda, nós vamos. Você precisa enfrentar o mundo. E você vai ao meu lado. Não estou pedindo, estou dizendo."

Ele se aproximou e segurou meu rosto, seus polegares acariciando minhas bochechas.

"Vai ser bom pra você. Confie em mim."

A ameaça era clara. Eu não tinha escolha.

"Tudo bem", eu sussurrei. "Eu vou."

Ele sorriu novamente, satisfeito.

"Ótimo. Já mandei trazerem alguns vestidos pra você escolher."

Mais tarde naquele dia, ouvi Pedro falando com um de seus seguranças no corredor. A voz dele era baixa, mas dura.

"A Sofia vai estar na festa hoje. Certifique-se de que ela se comporte. Ela tem um papel a cumprir. Se ela sair da linha, se ela disser uma palavra a mais do que o combinado, você sabe o que fazer. Ameaça velada funciona com ela. Lembre-a de que o bem-estar da família dela depende da sua cooperação."

Sofia. A nova parceira de Ricardo. O que ela estaria fazendo em uma festa de Pedro? E que papel ela tinha a cumprir? A rede de mentiras e manipulação era mais profunda do que eu imaginava.

Eu precisava sair para encontrar Laura. Usei a desculpa de que precisava de sapatos novos para a festa. Pedro hesitou, mas eu insisti, dizendo que nenhum dos meus servia com os vestidos que ele escolheu.

"Tudo bem", ele cedeu. "Mas o motorista vai com você. E seja rápida."

No carro, eu disse ao motorista para me levar a uma sapataria cara no centro. Quando chegamos, pedi a ele que me esperasse. Entrei na loja e saí pela porta dos fundos, que dava para uma outra rua. Corri por dois quarteirões até o café onde Laura me esperava.

Ela me abraçou forte assim que me viu.

"Duda! Meu Deus, o que aconteceu com você? Você está tão magra."

Sentamos em uma mesa no canto. Eu contei tudo. Cada detalhe horrível. O sequestro, a morte do meu bebê, o vídeo, a traição de Ricardo, o plano de Pedro. Laura ouvia em silêncio, seu rosto passando de preocupação para choque e depois para pura fúria.

"Aqueles desgraçados", ela disse, a voz tremendo de raiva. "Eu nunca confiei no Ricardo. E esse Pedro... ele é um psicopata. Duda, você precisa sair de lá agora."

"Eu sei. Mas eu não posso simplesmente fugir, Laura. Eles são poderosos. Eles me achariam em qualquer lugar. E eu não quero só fugir. Eu quero que eles paguem. Pelo meu filho."

Laura segurou minha mão. "O que você vai fazer?"

"Eu não sei ainda. Eu preciso de provas. Provas concretas de tudo o que eles fizeram. E preciso de ajuda. Sozinha eu não consigo."

"Você não está sozinha", ela disse firmemente. "Eu vou te ajudar. O que você precisar. Dinheiro, um lugar para se esconder, qualquer coisa."

O tempo estava acabando. Eu precisava voltar antes que o motorista desconfiasse.

"Hoje à noite ele vai me levar a uma festa", eu disse. "Sinto que algo vai acontecer lá. A nova mulher do Ricardo, Sofia, também vai estar. Pedro disse que ela tem um 'papel a cumprir'."

"Isso não soa bem", disse Laura, preocupada. "Tome cuidado, Duda."

"Eu vou tomar. Mas preciso continuar fingindo. Preciso que eles pensem que ainda estou sob o controle deles."

Comprei um par de sapatos qualquer na loja ao lado e voltei para a sapataria chique, saindo pela porta da frente. O motorista estava impaciente.

"A senhora demorou."

"Foi difícil escolher", eu disse, tentando parecer fútil.

No caminho de volta para a mansão, meu coração batia forte. O encontro com Laura me deu uma fagulha de esperança. Mas o medo do que me esperava na festa era avassalador. Eu estava entrando na toca do leão, mas desta vez, eu não era mais a ovelha indefesa. Eu era uma caçadora, esperando o momento certo para atacar.

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