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A Última Despedida do Monstro

Após cinco dias de silêncio, Caio ressurge apenas para me humilhar por meu sucesso profissional, instigado por Bárbara, sua nova namorada. O conflito atinge o auge quando ela me envia um vídeo torturando meu cachorro, Apolo. Ao encontrá-lo morto, entro em confronto físico com Bárbara, mas Caio a protege e me agride. Diante da traição final e da perda cruel de meu animal, juro vingança. Decidi que destruirei a vida de ambos, transformando seus dias em um verdadeiro inferno.
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Capítulo 3

Ponto de Vista: Helena

Respirei fundo, um suspiro trêmulo, o telefone frio contra minha orelha. O silêncio do outro lado da linha era uma tela para todas as memórias, toda a dor, mas desta vez, parecia uma porta se fechando, não me prendendo, mas me libertando. Uma onda de exaustão me invadiu, mas por baixo dela, uma estranha leveza floresceu. Estava feito. Realmente feito.

Mais tarde naquela noite, no jantar de comemoração do prêmio, o tilintar de taças e a conversa alegre me envolviam. Meus colegas brindaram ao meu sucesso, seus sorrisos genuínos, seus elogios um cobertor quente. Mas mesmo em meio às felicitações, uma parte de mim se sentia distante, à deriva.

Pedi licença para ir ao banheiro, precisando de um momento de silêncio. Enquanto lavava as mãos, meu telefone vibrou com uma notificação do Instagram. Era o Caio. Ele tinha postado uma foto.

Meus dedos, quase contra minha vontade, tocaram para abrir. Era uma selfie. Caio, com o braço casualmente sobre os ombros de Bárbara. Ela estava encostada nele, a cabeça apoiada em seu ombro, um sorriso suave e adorador no rosto. Seus rostos estavam pressionados um contra o outro, uma imagem de intimidade perfeita e aconchegante.

A legenda dizia: "Finalmente encontrei a paz com quem realmente me entende. Algumas pessoas simplesmente nasceram para ficar juntas. #AlmaGêmea #ParaSempre."

Minha respiração falhou. Alma gêmea? Para sempre? As palavras foram um soco no estômago, mas não da maneira que poderiam ter sido semanas atrás. Agora, era uma dor surda, uma confirmação do que eu já sabia. Eles pareciam tão naturais juntos. Tão... certos. Um pensamento perverso passou pela minha mente: Eles realmente formam um casal bonito.

Bárbara já tinha comentado: "Não poderia concordar mais, meu amor. Sempre e para sempre."

Eu quase ri. Era tudo tão performático, tão desesperado, tão a cara deles. Quando Caio e eu começamos a namorar, ele costumava pregar sobre compartilhar. "Helena", ele dizia, seus olhos sérios, "compartilhar nossas vidas, nossos sonhos, nossas menores alegrias e maiores medos, essa é a base do amor verdadeiro. Contamos tudo um ao outro, certo? Sem segredos, sem se conter."

Ele queria saber cada detalhe do meu dia, cada pensamento na minha cabeça. E eu, ingênua e perdidamente apaixonada, tinha dado tudo. Eu me deliciava com isso, acreditando que esse compartilhamento aberto e ilimitado era um sinal de um amor que duraria para sempre. Eu compartilhava uma piada que ouvi, um momento frustrante no trabalho, uma nova ideia para um projeto. Ele ouvia, ou fingia ouvir, e eu me sentia vista, ouvida, amada.

Mas em algum lugar ao longo do caminho, Bárbara se infiltrou nesse espaço sagrado. De repente, minhas histórias eram recebidas com um aceno distraído, um rápido "uh-huh". Minhas frustrações eram "exageradas". Meus triunfos eram "sorte" ou "nada demais". E a vida dele? A vida dele se tornou um livro aberto apenas para Bárbara. Seus dias ruins eram para ela acalmar. Suas pequenas vitórias eram para ela celebrar. Meu desejo de compartilhar com ele murchou e morreu, substituído por um cansaço profundo.

"Helena? Tudo bem aí?" Minha colega, Sara, chamou do lado de fora da porta. "Eles estão prestes a cortar o bolo!"

"Já vou!" Bloqueei rapidamente meu telefone, afastando a imagem intrusiva de Caio e Bárbara. Eu não ia deixar que eles estragassem esta noite. Esta era a minha noite.

De volta à mesa, um fotógrafo estava reunindo todos para uma foto em grupo. Eu sorri, deixando meus colegas me puxarem para o grupo animado. Risadas explodiram quando o flash disparou. Vi a foto aparecer nas redes sociais minutos depois, marcada por uma dúzia de amigos. Meu sorriso estava brilhante, mas decidi conscientemente não repostá-la no meu próprio feed. Não precisava alimentar a fera.

Como se fosse um sinal, outra notificação brilhou na minha tela. Bárbara de novo. Desta vez, era um story. Um vídeo curto. Começava com as costas de Caio, sem camisa, enquanto ele vestia uma camiseta. Então, deu um zoom na mão dela, repousando possessivamente na parte inferior de suas costas nuas antes de se afastar rapidamente. A legenda: "Apenas uma manhã de terça-feira normal com minha pessoa favorita. Alguns laços simplesmente nasceram para ser inquebráveis. É bom finalmente estar em casa."

Casa. Ela estava morando com ele. No meu antigo apartamento. Meu estômago revirou. Ela estava esfregando na minha cara, girando a faca. Ela vinha fazendo isso há meses, sutilmente no início, depois mais abertamente. Fotos dela cozinhando na minha cozinha, deixando para trás seus elásticos de cabelo, "acidentalmente" esquecendo seu perfume na minha cômoda. Ela achava que eu não tinha notado. Ela achava que eu era cega.

E o Caio? Ele era ou alheio ou cúmplice. Provavelmente ambos. Ele sempre via Bárbara como a vítima indefesa, aquela que precisava ser salva. Ele nunca a viu como a mestre de marionetes calculista que ela era. Ele nunca viu como ela sistematicamente desmontou nosso relacionamento, tijolo por tijolo doloroso.

Meu telefone vibrou novamente, uma nova mensagem. Caio. "Helena, sobre suas coisas. Quando você vem buscar? A Bárbara quer se instalar."

Encarei a mensagem, uma fúria fria crescendo no meu peito. A Bárbara quer se instalar. Não nós, não eu. Era sempre a Bárbara. Não respondi. Apenas bloqueei a tela.

Então, uma segunda mensagem dele chegou. Desta vez, era uma foto. Uma foto da minha caneca favorita, aquela que comprei na nossa primeira viagem juntos, na bancada da minha cozinha. A mão de Bárbara, adornada com um anel delicado que eu já a tinha visto usar, estava em volta dela, seu polegar perfeitamente manicureado descansando exatamente onde o meu costumava ficar.

Meu sangue gelou. Aquela caneca. Era uma coisa pequena, mas era minha. Guardava memórias, manhãs tranquilas, sorrisos compartilhados. E agora, a mão dela, o anel dela, profanando-a. Uma onda de raiva possessiva, quente e afiada, me invadiu. Não era apenas sobre uma caneca. Era sobre ela invadir cada último canto da minha vida, meu espaço, minhas memórias.

Antes que eu pudesse reagir, outra mensagem. Um texto. "Helena, você realmente deveria vir buscar suas coisas. A Bárbara está começando a se sentir desconfortável com suas coisas por aqui."

Desconfortável? Minha mandíbula se apertou. Isso era uma provocação deliberada. Ela estava me atiçando. E Caio, covarde como sempre, era seu mensageiro.

Então, a mensagem final. Um vídeo. Meu coração deu um salto, uma premonição doentia torcendo minhas entranhas. Eu não queria abrir. Eu sabia, com uma certeza terrível, que o que quer que estivesse naquele vídeo seria pior do que qualquer coisa que ela havia postado antes. Mas um medo primitivo, frio e pesado, me compeliu. Meu polegar, tremendo levemente, pressionou o play.

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