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Capa do romance A última Bruxa

A última Bruxa

Sofia, atriz marcada por traumas familiares, retorna à sua cidade natal e descobre ser herdeira de uma linhagem mágica. Lá, o híbrido Rair a ajuda a dominar dons latentes em um local sob maldição, onde seres sobrenaturais vivem aprisionados. Como a única capaz de romper esse feitiço através de um sacrifício fatal, ela enfrenta um dilema devastador. Entre o dever de libertar a todos e sua conexão com Rair, Sofia deve decidir se aceita seu destino ou desafia as sombras.
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Capítulo 3

O silêncio entre Sofia e o homem à porta era sufocante. Romulo - aquele nome que até pouco tempo era apenas um eco desconhecido - estava ali, na sua frente. Ele parecia mais velho do que nas fotos, o rosto marcado pelo tempo, mas os olhos tinham a mesma intensidade, a mesma sombra. Sofia sentiu a respiração acelerar. O diário ainda estava em suas mãos, aberto na última página. As palavras de sua mãe, Ana, ressoavam em sua mente: "Romulo e Marcelo... eles sabiam." - Você... é Romulo? - A voz dela saiu mais fraca do que gostaria. Ele assentiu, os olhos fixos nela, como se estivesse tentando reconhecer algo. - Há muito tempo eu queria te encontrar - disse ele, a voz baixa, quase um sussurro. - Você não sabe o quanto. Sofia deu um passo para trás, o corpo tenso. Cada instinto gritava para que fugisse, mas algo a mantinha ali, presa naquele instante. - O que você quer de mim? - perguntou, tentando manter a firmeza na voz. Romulo sorriu, mas não havia alegria naquele sorriso. Era um gesto vazio, desgastado. - Respostas. As mesmas que você procura. Sofia estreitou os olhos. - Você sabe o que está neste diário, não sabe? Você e minha mãe... - As palavras saíram entrecortadas pela raiva. - O que aconteceu entre vocês? Romulo suspirou, os ombros caindo, como se carregasse um peso imenso. - Não foi o que você pensa. - Então me diga o que foi! - gritou Sofia, a voz ecoando na sala vazia do banco. Ele hesitou, os olhos fixos no chão. Quando voltou a olhar para ela, algo mudou em sua expressão. - Não aqui. Venha comigo. - Eu não vou a lugar nenhum com você. - Se você quiser a verdade, vai precisar confiar em mim. Mesmo que seja só por um momento. Sofia sentiu o coração bater forte. Tudo dentro dela dizia que não devia confiar naquele homem. Mas, ao mesmo tempo, sabia que não poderia voltar para casa sem entender o que estava acontecendo. - Onde? - perguntou, finalmente. Romulo fez um gesto com a cabeça. - Na casa. A casa onde tudo começou. O caminho até a casa antiga foi feito em silêncio. Sofia dirigia, enquanto Romulo seguia no banco do passageiro. O ar entre eles era pesado, cheio de perguntas não feitas e respostas não dadas. Quando finalmente chegaram, Sofia sentiu um arrepio percorrer a espinha. A casa era exatamente como se lembrava: velha, de madeira, com a pintura descascada e as janelas empoeiradas. Era como um fantasma do passado, um lembrete do que tentara esquecer. Romulo desceu do carro primeiro. Sofia seguiu, cada passo uma batalha contra o medo. Ele abriu a porta da frente, que rangeu alto, como se a casa estivesse relutante em recebê-los. O interior estava coberto de poeira, os móveis cobertos com lençóis brancos. Tudo parecia congelado no tempo. - Foi aqui que sua mãe decidiu fugir - disse Romulo, a voz ecoando no silêncio. - Foi aqui que tudo desmoronou. Sofia olhou ao redor, cada canto trazendo flashes de memória. Lembrou-se das noites em que se escondia debaixo da cama, do som dos gritos abafados pela parede. - Minha mãe disse que meu pai era perigoso. Violento. E você... - Ela se virou para ele. - Quem era você para ela? Romulo caminhou até uma estante coberta de poeira. Tocou um livro antigo, como se estivesse revivendo algo. - Eu a amei. Mais do que qualquer coisa. Mas Marcelo... ele era meu irmão. Sofia congelou. - O quê? Romulo assentiu. - Marcelo e eu... crescemos juntos. Ele sempre foi o mais forte, o mais admirado. Mas havia coisas nele que ninguém via. Um lado sombrio. Obsessivo. Quando Ana entrou na vida dele, tudo piorou. Sofia sentiu o chão sumir sob seus pés. - Vocês eram irmãos? Por que minha mãe nunca me contou? - Porque não queria que você soubesse o que aconteceu. - Romulo a encarou. - Marcelo não suportava a ideia de perder Ana. E quando percebeu que ela e eu... - Ele parou, a voz falhando. - Marcelo fez coisas. Coisas que destruíram tudo. - Que coisas? - Sofia perguntou, o coração acelerado. Romulo respirou fundo. - Você precisa ver com seus próprios olhos. Ele a guiou até o porão da casa. A porta estava trancada, mas Romulo tinha a chave. O cheiro de mofo e lembranças enterradas encheu o ar quando desceram. No fundo do porão, havia uma parede com marcas de gesso mais recente do que o resto. Romulo apontou. - Está ali. Sofia se aproximou, as mãos trêmulas. - O que está ali? Romulo não respondeu. Em vez disso, pegou uma barra de ferro e começou a bater na parede. O gesso rachou, pedaços caindo, até que um espaço foi aberto. Atrás da parede, havia uma caixa. Sofia engoliu em seco quando Romulo a abriu. Dentro, fotos antigas e fitas de vídeo. Em uma das fotos, ela viu o rosto do pai, Marcelo, mas algo na expressão dele era diferente. Assustador. Romulo pegou uma das fitas. - Esta... esta é a verdade. Sofia olhou para ele, a respiração presa. - O que tem nela? - O dia em que tudo mudou. O dia em que Marcelo... - Romulo parou, os olhos cheios de dor. - Você precisa ver. Sofia segurou a fita, o coração disparado. A verdade estava ali, a centímetros de distância. Uma verdade que, talvez, fosse pior do que qualquer coisa que ela pudesse imaginar. Ela subiu as escadas, Romulo logo atrás. O porão ficou em silêncio novamente, mas algo tinha sido libertado. Algo que não poderia mais ser escondido. E Sofia sabia que, uma vez que visse aquela fita, não haveria mais volta.

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