
A Traição dos Cinquenta Mil Euros
Capítulo 3
Cheguei a casa e o silêncio era esmagador. Cada objeto, cada fotografia na parede, parecia uma mentira. A nossa vida feliz, uma farsa que eu tinha ajudado a construir.
Horas mais tarde, a porta abriu-se. Tiago entrou, e atrás dele, vinha Lara.
Ela parecia pálida e os seus olhos estavam vermelhos, agarrada ao braço do Tiago como se fosse a sua tábua de salvação.
Quando me viu, o seu rosto contorceu-se numa máscara de culpa.
"Sofia... desculpa. Eu não queria causar isto. Eu vou devolver todo o dinheiro, eu juro."
A sua voz era suave, quase um sussurro.
Eu olhei para o Tiago. Ele evitava o meu olhar.
"Tira-a daqui," disse eu, com a voz baixa e controlada.
Tiago franziu a testa. "Sofia, não sejas assim. A Lara passou por muito. Ela vai ficar aqui esta noite. Não tem para onde ir."
"Ela tem a casa dela. E tu tens a tua, que por acaso também é a minha. E nela, ela não fica."
A raiva começou a substituir o choque.
"Tu escolheste-a," continuei, a minha voz a subir de tom. "Tu escolheste a tua sócia em vez do meu irmão. Em vez da minha família."
"Não fales assim!", ele explodiu, finalmente olhando para mim. "Tu não percebes nada de negócios! O teu irmão é um caso perdido! Um drogado que se meteu com as pessoas erradas! A nossa empresa é o nosso futuro! O meu futuro! O teu futuro!"
Lara deu um passo em frente, pondo uma mão no peito do Tiago. "Tiago, por favor, não discutam por minha causa."
Depois, virou-se para mim. "Sofia, eu sei que o teu irmão é importante para ti. Mas ele é um fardo. Sempre foi. O Tiago só te quer proteger."
Um fardo. O meu irmão era um fardo.
Foi nesse momento que tudo se partiu. A imagem da mulher frágil desapareceu, e eu vi a manipuladora por baixo.
Subi as escadas em silêncio, sob o olhar confuso do Tiago. Abri o armário e tirei uma mala. Comecei a atirar roupa para dentro, sem critério.
"O que estás a fazer?", perguntou ele, parado à porta do quarto.
"Eu disse-te ao telefone," respondi, sem olhar para ele. "Quero o divórcio."
"Estás a ser ridícula! Vais deitar fora o nosso casamento por causa do teu irmão criminoso?"
Fechei a mala. O som do fecho de correr pareceu ecoar pela casa inteira.
Passei por ele, arrastando a mala.
"Não. Estou a deitar fora o nosso casamento por tua causa."
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