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Capa do romance A traição do meu namorado

A traição do meu namorado

Após cinco anos em coma, acordei e descobri que fui substituída por Hailie. Acusada de causar um acidente, fui mantida em cativeiro por meu irmão e meu namorado, Caleb, como punição. Sofri abusos acreditando protegê-los, até ser diagnosticada com câncer terminal. Em uma viagem, descobri que o perigo era uma farsa cruel para me torturar. Diante da traição final, deixei provas da verdade e pulei da ponte mais alta, decidindo o fim do meu próprio sofrimento.
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Capítulo 2

O mundo era um borrão de paredes claras cercado pelo cheiro forte de álcool. A dor, cortante e persistente, espalhava-se pelo meu peito e pela minha cabeça. Eu estava em um hospital — de novo.

Por trás da minha confusão mental, captei vozes do lado de fora do quarto.

"O médico falou que foram só algumas costelas fraturadas e uma pancada na cabeça. Ela irá se recuperar." A voz de Fitzgerald soava impaciente. "Para falar a verdade, ela só está causando confusão."

"Ela precisa aprender com isso, Fitz." A voz de Caleb era mais dura. "É isso que acontece quando ela não escuta."

Meus olhos se abriram no instante em que um médico entrou. Era um homem mais velho, com um olhar bondoso, agora tomado por uma tristeza pesada.

"Senhorita Reid", disse ele em tom sereno. "Sou o doutor Evans."

Ele lançou um olhar na direção da porta, onde Caleb e Fitzgerald observavam. "Posso conversar com a família dela? A sós?"

O maxilar de Caleb se contraiu. "Nós somos a família dela. O que tiver a dizer, pode dizer para nós."

O doutor Evans respirou fundo antes de continuar: "Tudo bem. Os ferimentos da queda não são graves. Mas... nos exames encontrei algo pior. Muito pior."

Ele levantou algumas radiografias contra a luz. "Senhorita Reid, você tem câncer de pulmão avançado. Já se espalhou. Está em estágio terminal."

As palavras ficaram pairando no ar, pesadas.

Estágio terminal.

Uma estranha calma tomou conta de mim, afinal, eu já sabia.

E eles já sabiam, mas não acreditavam.

Caleb soltou uma risada seca. "Câncer? Que besteira. Ela só está tentando se fazer de vítima. Mais uma de suas invenções."

Fitzgerald confirmou com a cabeça. "Ela sempre exagerou."

Uma parte ingênua do meu coração ainda tinha esperança, esperança de que uma nova confirmação desse diagnóstico fosse o suficiente para quebrar a barreira do ódio deles, de ver ao menos um traço do irmão e do namorado que um dia eu conheci.

Estudei os rostos deles em busca de arrependimento, de afeto, mas não havia nada, apenas desprezo.

De repente, o celular de Caleb tocou.

Ele atendeu, sua voz mudando de ríspida para doce em segundos. "Hailie? O que houve? Está tudo bem?"

Ouviu por um momento e respondeu: "Já estou indo. Não se preocupe, chego aí rápido."

Então, desligou a chamada e virou-se para Fitzgerald. "Hailie está assustada. Ela precisa de mim."

Em seguida, caminhou até a porta sem sequer olhar para trás.

"Espere", disse o doutor Evans, adiantando-se. "Senhor Skinner, isso é sério. Precisamos falar de opções de tratamento, de cuidados paliativos para diminuir a dor..."

"Dê a ela alguns analgésicos", Caleb respondeu sem parar. "Fitz, fique aqui. Garanta que ela não arrume mais problemas."

E ele saiu.

Fitzgerald se postou junto à porta, de braços cruzados e expressão aborrecida.

O doutor Evans voltou-se para mim, seu rosto tomado por uma tristeza impotente. "Senhorita Reid, podemos começar a quimioterapia para amenizar a dor, talvez lhe dar mais algum tempo..."

"Tempo para quê?", perguntei, quase sem voz.

"Para contar a eles", ele insistiu com cuidado. "Você mesma precisa dizer para que eles compreendam."

Um riso amargo escapou da minha boca. "Compreender o quê? Eles não dariam a mínima se eu caísse morta bem diante deles."

Minha última fagulha de esperança foi apagada pela pressa de Caleb em correr para consolar a garota que ocupou o meu lugar.

"Eles nunca vão acreditar em mim", declarei, sem emoção. "Não faz diferença."

O doutor Evans parecia pronto para argumentar, mas encontrou a decisão firme no meu olhar, portanto, deixou-me apenas uma receita de remédios fortes e um olhar carregado de compaixão antes de sair.

Os dias seguintes no hospital foram tomados pela dor. Ela se espalhava pelos meus ossos e cada respiração se transformava em luta. Os comprimidos mal arranhavam a superfície da agonia.

Uma semana depois, Fitzgerald me ligou, mas nem sequer perguntou como eu estava.

"Caleb disse que você já passou do prazo. Saia do hospital e volte para a propriedade. Temos trabalho."

A mensagem era clara: o castigo ainda não havia terminado.

Tudo bem.

Uma nova determinação, sombria e gelada, nasceu dentro de mim. Se queriam meu retorno, eu voltaria, e faria questão de fazê-los encarar o resultado do tal "castigo."

Assinei minha própria alta, ignorando os protestos do médico. Peguei a receita de opioides fortes para um mês inteiro e chamei um táxi de volta à prisão luxuosa que Caleb chamava de casa.

O mordomo, um homem extremamente fiel a Caleb, barrou-me na entrada.

"Você precisa passar por uma desinfecção antes de entrar. Ordens do senhor Skinner. Afinal, você esteve no hospital, e não podemos correr o risco de contrair seus germes."

Duas empregadas, com rostos impassíveis, conduziram-me até um banheiro amplo perto da garagem e encheram uma banheira com um líquido químico e agressivo.

"Entre", disse uma delas.

Eu estava fraca demais para resistir, então entrei na água que queimava minha pele. O líquido atingiu os cortes abertos nos meus braços e pernas, reacendendo a dor. Logo, a água ao meu redor se tingiu de vermelho.

As empregadas prenderam a respiração, horrorizadas, apesar das máscaras neutras.

Foi nesse momento que Caleb e Fitzgerald apareceram.

Os olhos de Caleb caíram sobre a água vermelha, e por um instante vi algo em seu rosto. Choque? Preocupação?

Mas Fitzgerald tocou em seu braço e murmurou em voz baixa: "Não se esqueça do plano, Caleb. Não se deixe enganar."

O rosto de Caleb se fechou de novo, e ele me deu as costas.

"Certifiquem-se de que ela esteja limpa", ele ordenou às empregadas, sem emoção. "Depois levem-na para o quarto."

Eu observei o homem com quem eu deveria me casar deixando-me sangrar dentro de uma banheira de desinfetante.

Um riso quebrado escapou da minha garganta.

Ele se preocupava com germes. Que ironia!

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