Seguir
Capítulos
Compartilhar
Capa do romance A Traição Dele Despertou o Verdadeiro Poder Dela

A Traição Dele Despertou o Verdadeiro Poder Dela

Por cinco anos, fui Aura, a mente anônima por trás do sucesso bilionário de Caio. Após garantir sua ascensão em outra cidade, mudei-me para surpreendê-lo, mas o encontrei com Kiara. Quando um erro milionário da assistente ocorreu, Caio me culpou publicamente para protegê-la, exigindo minha demissão. Ele não sabia que eu era a verdadeira arquiteta de tudo. No auge da humilhação, o Diretor de Tecnologia surgiu para revelar que ele acabara de expulsar a dona da empresa.
Capítulos
Compartilhar

Capítulo 2

Ponto de Vista: Caio

O mundo girou em seu eixo. Erika. Aqui. Parada no corredor do lado de fora do meu escritório, com uma mala aos pés e um olhar que poderia congelar o inferno. Por uma fração de segundo, meu cérebro se recusou a processar a imagem. Parecia uma falha na matrix, uma cena de uma vida que eu ainda não deveria estar vivendo.

Meus pés se moveram antes que minha mente os alcançasse. Eu cruzei a distância entre nós em três longas passadas, mas não a abracei. Meus braços pareciam de chumbo. Meu primeiro instinto, um instinto primitivo e estúpido, foi olhar para Kiara, que nos observava com uma expressão indecifrável.

"Erika", consegui dizer de novo, minha voz rouca. "O que você está fazendo aqui?"

Ela não respondeu imediatamente. Seu olhar era frio e firme, e ela se dirigiu a mim com uma formalidade que pareceu um tapa na cara. "Sr. Ruiz."

"Não faz isso", eu disse, minha voz baixa. "Por que não me disse que estava vindo?" Peguei sua mala, um gesto desajeitado e desesperado para fazer algo, qualquer coisa, normal.

"Eu queria te fazer uma surpresa", disse ela, seu tom neutro. "Parece que consegui."

Eu a guiei para dentro do meu escritório, fechando a porta firmemente atrás de nós. Encostei-me nela, passando a mão pelo cabelo. "Kiara, pode segurar todas as minhas ligações por um tempo?", gritei através da madeira.

Silêncio. Voltei-me para Erika. Ela estava parada no meio da sala, sua postura rígida, seus olhos examinando cada detalhe. Ela parecia diferente do que parecia em nossas chamadas de vídeo — mais poderosa, mais intimidadora. A mulher exausta e suave que adormecia com o laptop no peito havia desaparecido. Em seu lugar, havia uma estranha em um terno elegantemente cortado.

"Você vai me dizer por que está brava, ou eu tenho que adivinhar?", tentei um tom leve, mas ele soou vazio no ar tenso.

Ela não respondeu. Seus olhos pousaram na minha mesa. No pequeno porta-retrato prateado que costumava ter uma foto nossa em uma praia em Malibu. Agora, ele continha uma foto da minha nova equipe, uma foto espontânea da nossa última festa de lançamento de projeto. Kiara estava ao meu lado, radiante, a mão dela descansando casualmente no meu braço.

"Eu, uh, coloquei essa aí para o moral da equipe, sabe?", gaguejei. "É a equipe do projeto. A Kiara está nela." A explicação soou fraca até para os meus próprios ouvidos.

Erika finalmente olhou para mim, e a decepção avassaladora em seus olhos foi um golpe físico. "Eu imaginei esse momento por dois anos, Caio." Sua voz era baixa, mas cortou minhas desculpas patéticas. "Pensei que você me veria e... não sei. Pensei que você ficaria feliz."

Em vez de responder, ela pegou o celular. Não precisou dizer uma palavra. Apenas apertou o play.

A voz brilhante e despreocupada de Kiara encheu o escritório estéril. "Corrida até o topo, Ruiz! Quem perder paga o pastel!"

Meu rosto esquentou. "Erika, não é o que você pensa."

"Não é?"

"Ela é só minha assistente! E uma amiga. Só isso. É... é uma coisa de escalada. Ela é minha parceira. Sabe, como uma parceira de academia."

"O tipo de 'parceira de academia' que também é sua assistente? O tipo que você nunca pensou em mencionar em dois anos?", ela perguntou, sua voz carregada de uma exaustão que me assustou mais do que a raiva. "Estou cansada, Caio. Estou tão, tão cansada."

"Olha, eu sei que deveria ter te contado que a contratei. Foi uma coisa de última hora, a assistente antiga pediu demissão e a Kiara precisava de um emprego. Foi só... conveniente." Dei um passo em sua direção, minhas mãos levantadas em um gesto de paz. "Nós somos apenas parceiros. Apenas... colegas. É assim que nos chamamos."

Finalmente, fechei a distância e a envolvi em meus braços. Ela parecia rígida, inflexível. "Cinco anos, Erika", sussurrei em seu cabelo, minha voz embargada de desespero. "Passamos por tanta coisa. Não deixe isso... não deixe um vídeo estúpido estragar tudo."

Senti um tremor percorrer seu corpo e, por um segundo, pensei que ela poderia desabar. Seu nariz estava pressionado contra meu peito, e eu podia sentir a umidade de suas lágrimas encharcando minha camisa. Meu coração doeu. Eu era um idiota. Um completo e egoísta idiota.

"Eu ia te fazer uma surpresa", eu disse, afastando-me o suficiente para olhá-la. Procurei meu celular e mostrei a confirmação do voo. Uma passagem de ida e volta para São Paulo para o próximo fim de semana. "Eu comprei semana passada. Eu estava indo te buscar. O fato de você estar aqui primeiro... é uma coisa boa, certo? É perfeito."

Sua expressão era uma mistura de dor e confusão. As perguntas que eu sabia que ela queria fazer — sobre a moto, sobre a noite, sobre a foto — pairavam não ditas entre nós. Ela parecia tão perdida, tão magoada, que eu não suportei.

Limpei gentilmente uma lágrima de sua bochecha com meu polegar. "Vamos... vamos começar de novo. Ok?"

Pegando sua mão, eu a puxei em direção à porta. Eu precisava fazer isso. Precisava deixar claro.

Abri a porta. Kiara estava perto de sua mesa, fingindo estar ocupada, mas obviamente ouvindo. Ela ergueu os olhos quando saímos, seus olhos encontrando imediatamente nossas mãos unidas. Seu sorriso se contraiu.

"Kiara", eu disse, minha voz alta e firme, para o benefício de qualquer um que pudesse ouvir. "Esta é Erika Lopes. Minha namorada."

A compostura de Kiara era impecável. Ela deu um sorriso pequeno e educado. "É um prazer finalmente te conhecer. O Caio fala de você o tempo todo." Seus olhos desceram para nossas mãos novamente. "Oi, Erika. Ou já posso te chamar de Sra. Ruiz?", ela disse, seu tom um pouco doce demais.

"Pode chamá-la de Erika", eu disse, tentando manter meu tom leve, mas firme. "Ela vai trabalhar com a equipe de software no terceiro andar. Você poderia levá-la até o departamento de operações?"

Erika assentiu, entorpecida, sua mão escorregando da minha. Enquanto ela se afastava, seus ombros caídos, senti uma pontada de culpa tão aguda que me roubou o fôlego.

Virei-me para minha mesa, e Kiara já estava na porta do meu escritório.

"'Minha namorada'?", ela sussurrou, sua voz carregada de falsa indignação. "Sério, Ruiz? Você me faz parecer tão... oficial."

Não pude deixar de sorrir, a tensão em meus ombros diminuindo um pouco. "Bem, ela é. O que você queria que eu dissesse?"

"Não sei", Kiara retrucou, encostando-se no batente da porta com um beicinho brincalhão. "Talvez não segurar a mão dela como se fosse um cachorrinho perdido? Ainda vamos escalar neste fim de semana?"

A brincadeira fácil foi um alívio, um ritmo confortável depois da tempestade que foi Erika. "Não sei, Kiara. A Erika está aqui agora, é..."

"Ah, qual é", ela gemeu. "Não seja chato. Ela pode vir assistir. Vai ser divertido." Ela piscou. "Além do mais, você me prometeu pastel."

Minha determinação desmoronou. "Tudo bem. Mas você paga."

Observei as costas de Erika desaparecerem no vão do elevador. Um pavor frio se instalou em meu estômago. Eu estava tentando me agarrar a dois mundos diferentes, e podia sentir ambos começando a escorregar por entre meus dedos.

Ponto de Vista: Erika

Afastei-me como um robô, minhas pernas se movendo, mas minha mente a um milhão de quilômetros de distância. Suas palavras, seu toque, a sinceridade fingida em seus olhos — era uma performance, e eu era a plateia relutante. No momento em que ouvi o tom zombeteiro de Kiara, sua risada fácil em resposta, a ilusão se estilhaçou completamente.

Encontrei um cubículo vazio no departamento de operações e me sentei, minha mala uma ilha solitária ao meu lado. Fiquei olhando para a tela em branco do computador pelo que pareceram horas. A surpresa que eu havia planejado, o reencontro alegre, havia se transformado nesta bagunça feia e patética.

Meu celular vibrou. Era meu mentor, Édison Medeiros, o Diretor de Tecnologia.

"Como foi a festa de boas-vindas?", ele perguntou, sua voz calorosa.

Eu não conseguia falar. Um soluço ficou preso na minha garganta.

"Erika? O que há de errado?" Seu tom mudou instantaneamente para um de preocupação.

"Estou bem", menti, minha voz falhando.

"Você não está bem. O que ele fez?"

A represa se rompeu. A história toda veio à tona — o vídeo, Kiara, as mentiras, o olhar no rosto dele. Contei tudo a ele.

Houve um longo silêncio do outro lado da linha.

"Édison?"

"Estou aqui", disse ele, sua voz perigosamente baixa. "Entendo. Parece que o Sr. Ruiz esqueceu quem detém o verdadeiro poder nesta empresa."

"O que isso importa?", sussurrei, enxugando os olhos com as costas da mão. "Ele não me ama mais."

"Amor é uma coisa, Erika. Respeito é outra", disse Édison, sua voz dura como aço. "E ele está prestes a aprender a diferença. Você é a criadora de 'Aura'. Esta empresa, a carreira dele, tudo é construído sobre sua genialidade. Ele pensa que é o rei deste pequeno castelo, mas não percebe que é apenas um convidado em seu império."

Suas palavras deveriam ser fortalecedoras, mas só me fizeram sentir pior. Não era sobre o poder, ou o dinheiro, ou a carreira. Era sobre os cinco anos que eu dediquei a um homem que agora estava escolhendo uma nova "parceira de escalada" em vez de mim.

"Eu quero ir para casa", sussurrei, a luta completamente esvaída de mim. "Não quero mais este emprego. Não quero... nada disso."

"Não tome nenhuma decisão precipitada", disse Édison gentilmente. "Tire alguns dias. Veja como as coisas se desenrolam. Mas saiba disto, Erika. Você não está sozinha nisso. E eu não vou ficar parado assistindo aquele garoto te destruir."

Mas ele estava errado. Eu já estava destruída. A vida que eu estava construindo, o futuro que eu havia imaginado, havia sido reduzido a escombros no espaço de um único dia.

Ele queria uma parceira de escalada? Tudo bem. Que ficasse com ela.

Desliguei com Édison e fiz outra ligação, uma que nunca pensei que teria que fazer.

"Breno?", eu disse, minha voz tremendo.

"Erika. Que surpresa", Breno Arruda, o CEO do nosso maior concorrente, atendeu. Sua voz era calma e profissional, um contraste gritante com o caos na minha cabeça.

"Sabe aquela oferta que você me fez no ano passado?", perguntei, fechando os olhos. "Aquela para ser sua cofundadora e arquiteta-chefe?"

Houve uma pausa. "Sei", disse ele lentamente. "Ainda está de pé?"

"Sim. Mas a oferta veio com uma condição."

Respirei fundo, as palavras com gosto de cinzas na minha boca. "Uma parceria. Em todos os sentidos da palavra. Essa condição ainda está de pé também?"

Breno ficou em silêncio por um longo momento. Eu podia ouvir o som fraco de sua respiração do outro lado da linha.

"Você tem certeza disso, Erika?", ele perguntou, sua voz suavizando. "Você não precisa..."

"Tenho certeza", eu o cortei, minha voz dura e quebradiça. "Cansei de ser coadjuvante na minha própria vida. Estou pronta para construir algo para mim."

Mesmo que isso significasse destruir todo o resto.

Você pode gostar

Capa do romance A noiva substituta do CEO
8.1
Após um grave acidente, o bilionário Bryan entra em coma e enfrenta a possibilidade de ficar paraplégico. Diante da invalidez do noivo, Emma decide romper o acordo nupcial. Para honrar o compromisso da família, sua irmã caçula, Petra, assume o papel de noiva substituta. O que parecia ser um sacrifício desesperado e o fim de seus sonhos transforma-se em uma jornada inesperada, provando que o destino reserva novos começos em meio ao caos.
Capa do romance Meu CEO Assassino
8.0
Igor Durand é um bilionário e ex-assassino que, após uma traição dolorosa, jurou separar prazer de sentimentos. Sua vida muda ao conhecer Becca Moreau, uma mulher fascinante que acaba de chegar ao país. O que deveria ser um encontro casual transforma-se em uma conexão intensa e inesperada. Enquanto a paixão cresce, Becca ignora o passado sombrio e perigoso de Igor. Será que esse amor avassalador terá força para superar segredos e cicatrizes tão profundas?
Capa do romance O contrato da minha vida  - CEO
8.8
Leonardo Moretti assume a presidência da empresa da família, mas enfrenta um ultimato: deve se casar em três meses ou perderá o cargo. Decidido a evitar sentimentos, ele planeja um matrimônio de fachada por um ano. Em uma noite de bebedeira, ele conhece Beatrice, que também vive frustrações. Sob efeito do álcool, ele propõe o acordo e eles acabam passando a noite juntos. Agora, precisam lidar com as consequências dessa união iniciada por puro interesse.
Capa do romance O coração partido do bilionário
7.9
Brandon e Millie viviam um romance intenso, mas tudo muda quando ele descobre que Vivian tem pouco tempo de vida. Para confortá-la, ele pede o divórcio, prometendo que a separação é temporária. Devastada, Millie aceita o fim, aborta o filho em segredo e reconstrói sua vida longe dele. O que era um plano provisório vira um adeus definitivo. Agora, Brandon vive em ruínas, implorando por uma chance de recuperar a mulher que ele mesmo afastou.
Capa do romance O Novo Começo da Namorada Invisível
8.8
Após três anos de submissão, abandonei Eduardo, um CEO de tecnologia. Seu rival, Bruno Freitas, logo surgiu para me usar contra ele. Em um evento, Eduardo declarou seu amor publicamente, usando um anel para mascarar o noivado de sua antiga paixão, Janete. Ele diz que sou sua estabilidade, mas lembro do presente que ele me fez enviar para ela no passado. Sua confissão atual não é um gesto de afeto real, mas apenas uma estratégia desesperada de controle.
Capa do romance PROIBIDO PARA MIM
8.4
Chloe Duarte, uma brasileira de 26 anos, vive o sonho em Nova York ao trabalhar na multinacional Colucci. Após uma noite intensa e às escuras com um desconhecido em um elevador, ela descobre que o homem misterioso é James Colucci, seu CEO controlador. Entre provocações e o desafio de desobedecer às regras do chefe, a sede de prazer torna-se irresistível. O que deveria ser apenas um encontro proibido evolui para uma paixão avassaladora que foge de qualquer controle.