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Capa do romance A TESTEMUNHA

A TESTEMUNHA

Testemunhar um crime brutal mudou tudo. Agora, carrego uma marca indelével e o peso de um erro que não posso apagar. Forçado a assumir uma nova identidade para escapar do perigo iminente, luto para esquecer minha verdadeira essência. É fardo demais para suportar, enquanto tento sobreviver em uma realidade onde meu passado é meu maior inimigo. Em meio ao caos e à ação, busco desesperadamente uma saída para recomeçar longe das sombras do que vi.
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Capítulo 3

Deixo o celular cair da minha mão, enquanto assisto a viatura da policia rodar, capotando três vezes.

- Luke!

Jerry grita e desesperado solta o cinto. O carro que o acertou desaparece e os carros vão brecando com tudo pra não se chocarem.

- Não saia do carro, se esconde.

- Não! Vou com você.

- Eles podem estar de olho pra te pegar.

- Não me importo, seu amigo pode precisar de ajuda. Fiz curso de primeiros socorros.

Saímos do carro e corremos com cuidado até a viatura. Jerry está ao telefone pedindo resgate, enquanto uma multidão se aglomera em volta do carro. Uma sensação estranha percorre meu corpo, como se estivesse sendo observada. Ele está aqui! O cara que matou Jonny está aqui. Olho em volta, mas não faço idéia de como ele é. As únicas coisas que conheço dele é a tatuagem e a voz. Jerry quebra a porta da viatura com a ajuda de um homem.

- Luke!

Ajoelha pra ver o amigo policial e tentando não surtar, vou até eles. Abaixo e vejo seu amigo com o rosto cheio de sangue. Por sorte a viatura parou com o capô pra cima e não pra baixo, mas o carro está todo arrebentado.

- Ele não responde!

- Me dá espaço.

Peço e me enfio na frente do Jerry. Verifico sua pulsação e respiro aliviada ao senti-lo vivo.

- Está apenas desacordado. Verifica se tem alguma farmácia ou alguém com kit de primeiros socorros. O corte na testa está bem profundo.

Jerry se afasta e vou aos poucos tentando ver se tem mais algum ferimento. Seu cinto o salvou de lesões mais graves. Seus braços e pernas estão aparentemente intactas, mas minha preocupação é o que não posso ver.

- Vamos tirá-lo de dentro do carro.

Alguém diz abrindo a porta do outro lado.

- Não!

Grito e o homem me olha assustado.

- Ele pode ter alguma hemorragia interna, precisamos aguardar o resgate.

- Consegui isso!

Jerry surge com uma pequena maleta de primeiros socorros.

- Deve ajudar!

Ele abre a maleta e pego algodão, álcool, uma faixa e gazes. Com cuidado limpo o ferimento na testa, que não para de sangrar.

- Segure a cabeça dele, vou enfaixar e não quero mexer no pescoço.

Jerry segura firme a cabeça do amigo. Cubro com gazes e passo a faixa em torno da sua cabeça. Me assusto quando os olhos dele se abrem e encaram os meus.

- Luke, você consegue me ouvir?

Pergunto e ele volta a fechar os olhos e geme.

- Sim, mas a dor é muito forte.

- Sabe me dizer onde dói?

- Cabeça...

- Mais nada?

- Corpo, mas como se eu tivesse treinado luta. Parece dor muscular.

- Ótimo! Quero que não se mova, o resgate já deve estar chegando.

- O que aconteceu? Só me lembro de estar guiando vocês até a delegacia e...

Abre os olhos e respira fundo.

- Não lembro de mais nada.

O som da ambulância se aproximando me faz olhar para o Jerry.

- Você acompanha seu amigo, vou pra minha casa.

- Você não pode ir pra sua casa.

- Já contei tudo a policia naquele quarto de hotel. Eles possuem todas as informações sobre mim, se precisarem me procuram.

- Victória, aquele carro não queria atingir o Luke, mas sim você.

- Devem achar que conseguiram, vão me deixar em paz.

- Você não está segura.

- Vou pegar minhas coisas em casa e viajar. Dar um tempo pra me esquecerem.

A ambulância para em frente ao carro e dou espaço para os paramédicos fazerem o atendimento no Luke. Jerry fica perto do amigo e acho que está na hora de ir.

- Gatinha!

Meu corpo todo congela ao sentir uma mão segurar meu braço e a voz dele ecoar em meu ouvido.

- A vadia se salvou!

Sinto algo encostar em minhas costas.

- Quantas vidas ainda tem essa gatinha?

Sua língua percorre meu ouvido e sinto vontade de vomitar. Tem tanta gente em volta e todos focados no resgate e não em mim, em nós.

- Vamos procurar um lugar mais vazio pra descobrir isso.

Me puxa pra trás e após alguns passos esbarramos em alguém. Sua mão escapa do meu braço e aproveito pra correr. Empurro as pessoas a minha frente e corro apavorada, sem olhar pra trás. Saio da multidão e me vejo no meio do cruzamento, sem saber pra onde ir ou onde me esconder. Meus pés parecem travar e meus olhos desesperados tentam encontrar um socorro.

- Victória!

Jerry grita, sinto um toque em meu braço e tudo vira escuridão.

***********

- Me conta a merda que se enfiou, Jerry.

- A merda não é minha, é dela. Luke quase morreu!

Meus olhos mesmo pesados vão se abrindo. Tudo parece desfocado e volto a fechá-los.

- Quem é ela?

- Uma pessoa que precisa de ajuda.

- Isso não responde minha pergunta.

- Erick, essa mulher pode ser a chave pra verdade.

- Jerry...

O chamo e quando abro meus olhos ele está a minha frente.

- O que aconteceu?

Pergunto e aos poucos tudo a sua volta começa a ficar nítido pra mim.

- Não sei! Você saiu de perto de mim, fui atrás de você e estava no meio da rua em choque.

Vou me sentando aos poucos e minha cabeça dói.

- Quando te toquei, desabou no chão e apagou.

Fecho meus olhos e as lembranças surgem.

- Ele estava lá!

Digo quase em um sussurro e meu corpo arrepia ao lembrar de seu toque, da sua voz. Meu estomago embrulha e sinto uma vontade absurda de vomitar. A ânsia me toma e não vou consegui segurar. Abro meus olhos assustada quando alguém empurra o Jerry, me pega no colo e anda rápido comigo pra algum lugar. Volto a fechar meus olhos pra não vomitar no homem.

- Pronto!

Me coloca no chão e ao abrir os olhos vejo a privada. Ajoelho e sem aguentar segurar mais, me curvo e solto um liquido estranho e amargo pela boca. Não tem o que vomitar quando não se alimenta o dia todo. Deve ter saído só o champagne. O homem segura meu cabelo enquanto a ânsia não passa.

- Não se alimentou, por isso não sai nada.

Limpo minha boca com a mão tremula, sento no chão e encosto na parede.

- Ele me tocou! Aquele homem me tocou e nunca senti tanto nojo em toda a minha vida.

Uma toalha surge em frente ao meu rosto e a pego. Limpo meu rosto e respiro fundo.

- Obrigada!

Olho pra cima e finalmente vejo quem me trouxe para o banheiro. Meu Deus! Me seguro para a boca não despencar, mas ele percebe meu choque com sua beleza e tamanho. Ele não é só grande de altura, mas também de largura também. Muitos, muitos músculos enfiados em uma camiseta branca e uma calça jeans surrada. Mas esse homem não é enorme, mas sim lindo em uma categoria de perfeição. Cabelos negros, com uma jogada lateral na frente. Olhos lindos azuis e um sorriso perfeito. Merda! Ele está sorrindo pra mim ou de mim? O filho da mãe ainda tem aquelas presas de vampiro lindas. Para de sorrir e de forma discreta passa a língua nos lábios.

- Acho que já se sente bem melhor.

Diz com uma voz rouca e sexy, fazendo um arrepio percorrer meu corpo todinho.

- Ela quem estava com o Jonny na hora do assassinato.

Jerry diz e aparece na porta do banheiro. O homem me mede dos pés a cabeça.

- Essa é garota de programa que estava com ele?

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