
A TENTAÇÃO
Capítulo 3
NARRAÇÃO MATHEUS
Tento pensar em alguma coisa.
- Diz que já vai sair.
- Já vou sair, Eliana.
Grita e sorri para mim.
- Ela não vai sair dessa porta, vai ficar para me irritar.
- Vou ficar plantada aqui até você sair, anda logo.
Natália revira os olhos como Eliana sempre faz, mas de uma forma diferente que não me irrita.
- Te disse.
Afasta o corpo do meu e rapidamente meus olhos vão para o seu sexo. Única parte que ainda não tinha visto.
- Escravo da sinhazinha tá olhando para a joia proibida. Pode parar de cobiçar o que não pode ter.
Desvio meus olhos, um pouco sem graça. Seu sexo é completamente depilado e deliciosamente atraente.
- Como vamos sair?
- Não faço ideia.
Passo a mão em meu rosto e a porta novamente é empurrada.
- Natália, sai logo desse banheiro. Preciso terminar de me arrumar, o Matheus daqui a pouco desiste de me esperar.
- Tenho certeza que dessa casa ele não vai sair. Pode ficar despreocupada.
Deus! Ela é terrível.
- Essa toalha no chão é sua? Se for eu não vou pegar, vai sair desse banheiro pelada.
Oh merda! A toalha está sobre o celular. Se Eliana pegar a toalha, vai ver meu telefone e vai saber que estou aqui em cima.
- Você é muito bundão.
Natália diz se aproximando.
- Seu pau até encolheu e imagino que seja de medo dela achar seu celular na minha toalha.
- Meu pau não encolheu de medo. Ele só deixou de ficar...
Paro de falar, pois não quero confessar uma ereção por ela.
- Sai da minha frente.
Me empurra para o lado.
- Seja rápido quando sair do banheiro.
- O que vai fazer?
Pega um creme na pia.
- Vou causar uma guerra com a minha irmã. Ela vai sair correndo atrás de mim e você sai do banheiro, pega o celular e desce.
- Ela vai correr atrás de você por causa de um creme? Gosta tanto assim dele?
- Não... Mas ela me odeia e o simples fato de usar algo dela, a transformará no satanás cuspidor de fogo.
Tento não rir, mas é impossível.
- Tem alguém ai com você?
Eliana diz batendo na porta.
- Não, estou falando com um amigo pelo viva voz.
O rosto de Natália se aproxima muito do meu.
- Escravo está pronto pra correr?
- Não me chame de escravo.
- Quer algo mais fofo?
Estreito meus olhos pra ela.
- Você fica fofo bravo.
- Vai logo irritar o satanás cuspidor de fogo.
- Gostou do apelido, né? Pode usar com ela na hora do sexo.
Começa a rir e segura a maçaneta.
- Aposto que vai amar.
Gira a maçaneta e abre a porta, me fazendo recuar atrás dela.
- Pronto, já estou saindo.
- Credo, garota! Não tem educação? Sabia que meu noivo está aqui e seria uma falta de respeito com ele aparecer assim?
- Aposto que odiaria me ver assim, afinal tem esse seu belo corpo. Pra que ver um magro como o meu que nem causa ereção.
Ela está debochada demais. Confesso que gosto disso nela.
- O que é isso na sua mão?
- O seu creme.
- Você usou meu creme?
- Vou usar.
- Não vai não, me devolve ele.
- Não...
- Natália, me dá ele.
- Vem pegar.
Posso ouvir a correria delas no corredor e um bater de porta. Saio de trás da porta do banheiro e olho o corredor. Não tem ninguém. Saio rapidamente e vou para a toalha no chão. Puxo-a e pego meu celular. Deixo a toalha no lugar e me ergo para ir embora.
- Matheus...
Oh caralho! Viro-me e vejo Shirley.
- O que faz aqui em cima?
Escuto a gritaria vindo do quarto.
- Ouvi gritos e vim ver o que era.
Ela respira fundo.
- É melhor descer e me deixar resolver isso.
Passa por mim e para o meu alivio não desconfia de nada. Antes que mais alguma merda aconteça, desço para a sala. Quase meia hora depois, Eliana desce parecendo mesmo o Satanás. Tento parecer sério e me controlo muito para não rir.
- Tudo bem?
- Agora sim...
Senta do meu lado e bufa.
- Odeio essa garota. Precisa ir embora logo.
- Ela é sua irmã, Eliana.
- Meia irmã, graças a Deus, não temos nada em comum. Ela é como a mãe idiota dela.
A porta da sala se abre e vejo o Sr. Dias entrar. Me levanto do sofá.
- Sr. Dias!
O cumprimento e ele sorri.
- Já disse que pode me chamar de Mauricio. Em breve será parte da família.
- Papai!
Eliana vai até o pai e o beija no rosto.
- Tudo certo com os preparativos?
- Sim...
Minha noiva responde animada e já começa a falar sem fim. Quero ir embora, não aguento mais a ouvi-la sobre o que escolheu. Minha atenção some dos dois e está em uma mulher maravilhosa que desce a escada. Natália está com um vestido verde na altura das coxas. Ele tem um pequeno decote e sei que não usa sutiã, pelos seus bicos duros empurrando o tecido do vestido. Não, garotão! Nem pensar em ficar duro de novo. Fecho meus olhos e respiro fundo.
- Natália, querida!
Abro meus olhos e vejo Mauricio abraçar a filha.
- Oi, Pai!
Ela não parece animada em vê-lo.
Os dois começam a falar da viagem e Eliana não gosta muito de ser interrompida de sua falação. Shirley surge na sala e avisa que o jantar está servido. Sou agarrado pelo braço e puxado para a sala de jantar pela minha noiva. Todos se sentam e para o meu desespero, estou de frente para os bicos duros, que parecem apontar para mim de forma provocante.
- O que temos para o jantar, mamãe?
- Maminha assada.
Quero rir com a ironia.
- Sabe que não como carne vermelha.
- Fiz um peito desfiado pra você, Eliana.
Maminha... Peito... estou ferrado. É muita teta sendo esfregada na minha cara hoje. Sirvo-me e começo a cortar a carne, evitando olhar para bicos provocadores. O assunto novamente na mesa é o casamento e Eliana começa a falar sem parar. A atenção dela esta nos pais, que escutam atentos. Olho para frente e vejo Natália me encarar. Ela tem um sorriso no rosto que me preocupa. Lambe os lábios e morde o inferior. Sem tirar os olhos dos meus, corta a carne e leva a boca. Seus lábios envolvem o garfo e a forma como puxa é extremamente sexy. Tento parar de olha-la e pego o copo com suco a minha frente. Levo a minha boca e bebo todo o liquido de uma vez. A mão de Eliana vem para a minha perna e ela desliza até meu membro o achando duro. Para de falar e se vira pra mim. Mantenho meus olhos no prato.
- O que foi Eliana?
Escuto sua mãe perguntar, já que parou de falar do nada.
- Está tudo bem, Matheus?
Sei que pergunta por causa da ereção. Não costumo andar de pau duro assim. Maldita cunhada gostosa.
- Está!
Respondo e volto a comer. Eliana continua me olhando por segundos e volta a olhar os pais e falar sem parar. Ergo meus olhos e vejo Natália limpar a boca com o guardanapo.
- Se me dão licença!
Diz se levantando da cadeira.
- Estou muito cansada e vou me deitar.
- Boa noite, filha!
- Boa noite!
Vira-se e sai da sala de jantar, me fazendo respirar aliviado e a ereção diminuir.
*************
Terminamos de jantar e seguimos para a sala.
- Acho que vou embora.
- Ainda tenho que te mostrar algumas coisas.
- Eliana, tenho certeza que pode escolher sem mim. Confio no seu bom gosto. Tudo ficará perfeito.
Ela me abraça forte.
- Te amo!
- Também te amo.
Despeço-me de seus pais e ela me leva até a porta.
- Nos vemos amanhã na prova do bolo.
- Te pego aqui?
- Sim...
Me puxa pela camisa e me beija. Estranhamente seu beijo não mexe comigo. Mesmo ela me devorando, não consigo devolver o mesmo desejo. Seus lábios soltam os meus.
- Você está estranho. Teve uma ereção do nada e achei que me beijaria com tesão. Acabou de me dar um beijo frio.
- Meu corpo hoje está estranho, estou cansado.
- Tudo bem!
Sela seus lábios nos meus.
- Te amo!
Sussurra e me observa ir para o carro. Entro e buzino pra ela, antes de partir. Nem bem entro na esquina da casa dela, vejo um vestido em um corpo muito familiar. Diminuo a velocidade do carro e abaixo o vidro do lado do passageiro.
- Achei que fosse descansar da viagem.
Natália para de andar e me olha. Paro o carro e ela vem até a janela. Se curva e quase posso ver seus seios, seus bicos duros.
- Era só pra fugir da falação da sinhazinha satanás.
Nós dois estamos rindo.
- Agora eles devem achar que estou dormindo e posso curtir a noite.
- Pra onde vai?
- Não sei! Não conheço muito a cidade.
- O que pretende fazer?
- Beber até esquecer que estou nesta merda de cidade.
- Entra, vou te levar em um bar de um amigo.
- Não precisa! Vou andando e vejo o que acho.
- Entra logo, também preciso beber.
- Também quer esquecer a sinhazinha satanás?
- Não posso esquecê-la, será minha futura esposa.
- Ainda dá tempo de desistir.
- Entra logo!
Abre a porta do carro e entra.
- Não diga a sua irmã sobre esse bar.
- Pode deixar! Será um segredo da senzala. A pretinha aqui não contará nada sobre a vida noturna do pretinho.
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