
A Tentação do CEO
Capítulo 2
Ainda que estivesse muito cedo, era impossível para Jonathan não ficar impactado pela beleza de Elliot Park. Seus cabelos loiros penteados graciosamente para trás o deixavam incrivelmente atraente. Apesar de aparentar ser mais jovem do que realmente era, possuía uma beleza hipnotizante.
Elliot tinha o hábito de se exercitar diariamente, o que resultava em um corpo bem definido que não passava despercebido. Mesmo usando um terno que não permitia ver completamente sua anatomia, era notável o tecido marcando suas coxas e nádegas salientes, ressaltando os músculos presentes e evidenciando suas partes mais sensuais.
Os olhares dos dois se encontraram por um breve momento, deixando-os em um estado de choque ao estarem na presença um do outro. O silêncio predominou até que o moreno decidiu quebrá-lo.
"Boa tarde, Sr. Elliot Park. Me chamo Jonathan Jones." Disse o mais novo enquanto se aproximava para cumprimentá-lo.
"Olá, Jonathan. Sente-se, por favor." O tom frio de Elliot fez o jovem engolir a seco, engasgando-se com sua própria saliva.
"Você precisa de água?" Disse Elliot, enquanto se preparava para chamar sua assistente.
"Não, Senhor. Me desculpe, estou um pouco nervoso." Jonathan abaixou a cabeça, envergonhado.
Sua tentativa de parecer confiante se esvaiu no momento que encarou os olhos frios do CEO.
"Tudo bem, vamos começar. Me conte sobre sua visão de futuro." O loiro o olhou rapidamente, desviando o olhar lasso para que retornasse até o papel que estava em suas mãos.
"Eu quero ser produtor, digo, sou produtor musical. Busco uma chance para mostrar que mereço estar aqui, tenho muito a oferecer." Sem sucesso, Jonathan buscou em sua mente as palavras que havia ensaiado enquanto fazia o trajeto até a empresa.
"Certo. Você é bem novo... Teria comprometimento? Gosto de contratar pessoas que sei que vão fazer jus ao nome da empresa." Elliot perguntou.
"Sou muito responsável, Sr. Park. Já vivo sozinho e estou acostumado a ter responsabilidades. Minha determinação e persistência não permitiriam estragar tamanha oportunidade." O jovem sabia que era apenas cinco anos mais novo que Elliot, porém, entendia o questionamento, já que as pessoas da sua idade não costumam levar a sério seus compromissos.
"Eu ouvi suas músicas, você produziu sozinho? São... interessantes. Me conta como é seu processo criativo." O loiro não admitiu, mas ficou impressionado com o talento de Jonathan, que além de produzir muito bem, tinha uma voz incrível.
Enquanto o moreno usava seus melhores argumentos para Elliot contratá-lo, o mais velho não conseguia parar de olhar os dois primeiros botões abertos na camisa do jovem, deixando parcialmente exposto seu peitoral definido.
Sentia um magnetismo em relação a sua aparência, sem ao menos notar quando seus olhos passeavam pela boca de Jonathan, notando a pinta que existe abaixo de seu lábio inferior.
E percebendo a distração que ele causava em si, decidiu encerrar a entrevista antecipadamente, antes que o outro notasse a confusão interna explícita em sua feição.
"Certo, Jonathan. É o suficiente. Deixe suas informações com a assistente, ela vai passar seus horários. É uma vaga temporária, para teste. Sendo aprovado, você será efetivado. Caso não tenha disponibilidade, informe que entraremos em contato com outro candidato." Dessa vez, Elliot não o olhou, permanecendo com os olhos fixos na tela do computador.
Jonathan ficou preocupado por ser interrompido, temendo alguma fala inadequada de sua parte, mas não se importou ao notar que havia conseguido sua tão sonhada oportunidade.
"Muito obrigado, Sr. Park. Não vou decepcioná-lo." Despediu-se, agradecido.
Ao sair da sala, Jonathan recebeu seu informativo com horários e um crachá provisório que dava acesso ao prédio. Sentiu a euforia passear em todo seu corpo ao ler seu nome ao lado do logo da Empire. Mal podia esperar para contar a novidade para sua família.
[...]
Ao chegar em casa, abriu a geladeira esperando encontrar algo para cozinhar, se frustrando ao encontrar apenas alguns legumes velhos, nada que pudesse ser aproveitado. Alcançou seu celular procurando pelo aplicativo de delivery, buscando no meio tempo algum filme para assistir.
Ligou para seus pais contando a novidade, e notou que eles ficaram felizes por ele, mesmo não considerando sua profissão uma coisa séria. Jonathan havia desistido de lutar contra o pensamento retrógrado de seus pais, que já eram mais velhos e muito tradicionais. Não compreendiam o quanto a música o preenchia e se prendiam ao pensamento de que seria muito melhor ele ir para uma faculdade tradicional e seguir uma carreira comum.
Desde pequeno, Jonathan nunca foi um menino convencional. Sentia-se como uma peça que o destino pregou ao dar para seus pais um filho diferente de tudo que eles imaginavam.
Distraído, ouviu seu celular apitar, quando notou uma mensagem de Hugo o parabenizando, dizendo que aguardava a resposta de sua entrevista. Após responder ao amigo, Jonathan não resistiu e decidiu buscar o nome de Elliot Park no Google, curioso em saber mais sobre seu futuro chefe.
Observando as fotos que encontrou, percebeu como sempre tinha uma expressão fechada em seu rosto. Não havia muitas informações sobre sua vida pessoal além do que já sabia pela mídia, aparentando ser uma pessoa muito reservada. Jonathan ficou curioso em pensar como ele seria em sua vida particular. Ao mesmo tempo, sabia que esse tipo de informação não deveria ser de seu interesse.
Se assustou ao ouvir a campainha tocar e em um pulo, correu em direção à porta para buscar sua refeição. Colocou um de seus filmes favoritos, em forma de comemoração por sua pequena grande conquista. Já havia perdido as contas de quantas vezes assistiu Call Me By Your Name, e mesmo assim, continuava emocionado em cada uma delas.
Por um momento, sentiu falta de ter alguém ao seu lado, o afagando no sofá, compartilhando o calor de seu corpo. Sempre apreciou sua própria companhia, mas ultimamente, se pegava tendo esse tipo de pensamento com uma certa frequência. Em seus pensamentos, questionava se talvez estivesse cansado de estar sozinho. Não notou o sono chegando, nem quando seus olhos começaram a pesar, dificultando a leitura das legendas que pareciam cada vez menores.
Enquanto assistia ao filme, sentiu uma pontada de inveja do amor que Elio demonstrava por Oliver, com toda a fúria da paixão adolescente, tão intensa que era capaz de atravessar a tela e atingir o telespectador de uma forma devastadora. Antes de adormecer completamente, pensou que talvez estivesse sozinho por muito tempo, e refletiu, buscando compreender o sentimento que havia despertado em si.
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