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Capa do romance A Suprema Alfa

A Suprema Alfa

Karolina, uma loba escravizada e humilhada por seu Alfa, decide fugir em busca de liberdade. Em sua jornada, ela descobre que sua existência possui um propósito sombrio, muito além de sua antiga vida servil. Enquanto o Alfa obsessivo lida com o remorso e um amor doentio que ameaça sua sanidade, Karolina cruza o caminho de um vampiro misterioso e do líder de uma alcateia rival. Entre alianças e perigos, ela enfrentará verdades que mudarão seu destino para sempre.
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Capítulo 3

– Está acontecendo alguma coisa aos arredores da floresta, mas não sei o que é, Karolina. – Maria Elena me encara enquanto continuamos a conversar no quarto. – O Alfa mandou aumentar a segurança ao redor da alcateia, os lobos pais quando saem para caçar não podem mais ficar sozinhos e nem se afastarem muito. E o que mais me deixou intrigada é o aumento de armas que os escravos devem fazer. – Analiso a informação que ela me diz. Perdi muita coisa nesses três dias de cativeiro.

– Pode ser a alcateia inimiga invadindo o território, há mais alguma coisa de estranho que você percebeu? – Pergunto com medo da resposta. Se for a outra matilha de lobos invadindo o território é mais que certeza de outra guerra. Mais uma guerra, mais mortes, lutas sem sentido, apenas pela busca de poder e mais territórios. Desnecessário... Triste...

– Sim! – Ela fala arregalando os olhos. Coisa boa não é.

– Algumas escravas que se afastaram demais e foram para além do riacho, sumiram. Não encontraram nada, além alguns trapos das roupas delas rasgados na mata, nem os utensílios que elas carregavam foram encontrados. – Maria Elena fala com uma tristeza nos olhos e eu entendo essa tristeza, pois também sou escrava, e como nós duas, essas outras escravas foram forçadas a servir os lobos, serem usadas como eles bem queriam, a maioria ainda teriam esperança de voltar para suas famílias, e sumirem assim, do jeito que foi dito é certeza que estão mortas ou pior.

A escravidão é algo comum no meu povo, também em outras espécies, principalmente a dos humanos, que tem escravos por causa da cor de pele, enquanto a nossa, os escravos são quem não faz parte da alcateia, quem não tem o sangue dela, alguém que foi capturado ou vendido. Normalmente os escravos dos lobisomens são humanos por serem mais fracos fisicamente e mais fáceis de controlar, principalmente as escravas que já nasceram assim, as negras, enquanto as brancas se sentem injustiçadas por serem brancas. Nunca consegui entender qual a diferença entre pele branca e pele negra, pele é pele, são carnes do mesmo jeito, dá pra fazer um churrasco com uma branca e uma negra e comer a noite inteira.

Huummm... Comida... Carne humana não é minha favorita, mas comeria duas escravinhas, uma branca e outra negra apenas para saber a diferença delas e encher a barriga! Huuum... Delíciaaa... Fiquei com a boca cheia d'água só de pensar...

– Karol?! – Levo um susto quando saio do meu churrasco imaginário e vejo a Elena agarrada na Kamila, em pé, no canto da cama, só então percebo a besteira que fiz. Durante esses três dias trancada só recebi duas refeições que eram pão com água, estou com tanta fome que não percebi no momento que meus olhos começaram a brilhar em um vermelho e quase perdi o controle podendo atacar qualquer humano na minha frente apenas para matar minha fome.

Baixei minha cabeça e fechei os olhos, não para me controlar e sim por vergonha do que houve, não quero deixar Kamilla e Elena com medo de mim.

– Perdoem-me... – Falo num suspiro, mostrando minha vergonha e tristeza.

– Há quanto tempo você não come? – A voz da Elena saiu um pouco apreensiva. Eu sentia o medo delas duas, medo de mim. Respirei fundo antes de abrir os olhos que já não estavam mais tão vermelhos, estavam quase ruivos da cor do cabelo da Kamila, meus olhos perdem a cor devido ao cansaço e má alimentação.

– Eu estou bem. – Dei um sorriso meio sem graça para aliviar a tensão. Elas se aproximaram com cautela, e Kamila já sem medo sentou do meu lado depositando as mãozinhas dela nas minhas.

– Mamãe, você está tlemendo. – Percebi a preocupação da minha filha. Era verdade que estava me tremendo, estava com fome, fraca e sentia dores pelo meu corpo, mas não demonstrava porque as duas precisam de mim para fugir.

– Karol, precisa se controlar nesses dias, vai ter várias provocações contra você dos outros para que o Alfa se zangue e te coloque de castigo novamente e você tem que se fortalecer, não pode haver nenhum outro castigo. Vou dividir minha comida contigo para que fique forte o suficiente daqui a três dias. – Quando ela falou isso, sorri para as duas. Eu só tinha que aguentar mais três dias... três dias.

Faltando 4 horas para amanhecer, me despedi delas e tive que voltar para a casinha afastada, não antes de entrar na cozinha com a mentira de que foram ordens do Alfa para que eu preparasse um lanchinho pra ele, tinha que ser um pouquinho de comida porque já levei a janta dele e os soldados iriam desconfiar. Enquanto preparava "um lanchinho para o Alfa" que ele nunca iria ver na vida, eu não parava de pensar na Maria Elena.

Há dois anos, quando ela foi trazida pra cá, não parecia com nenhuma dessas escravas brancas apesar da cor de pele ser igual, mas os olhos da Elena eram bem puxadinhos e pequenos, quando a questionei, ela disse que era porque o pai vinha de um lugar chamado... não lembro o nome... é... Coronéia? Coloreia? Caa... Cuu... Não, não... Começa com "Co" mesmo... Cornélia? Ahhhh desisto! Vinha de um lugar aí.

Ela não usava os trapos de escrava nem de uma pessoa da nobreza dos humanos, eram roupas simples, de uma camponesa e era realmente uma camponesa que vivia com os pais. Mas o que me intrigou (e até hoje tento entender) é o tratamento diferenciado da humana com os outros escravos. A mulher ficava entre os lobos sem ter medo de ser atacada porque eles não podiam, nenhum lobisomem dessa aldeia podia atacar, ameaçar ou tentar serviços sexuais, pois o Alfa não permitia. No começo pensei que fosse por interesse da humana e fiquei feliz, achava que com isso ele me deixaria em paz (não a conhecia então era melhor ela do que eu), mas ele nunca a tocou, nunca a beijou, nem tinha interesse dele nos olhos, tinha, na verdade, desprezo, mas ele falava com ela como qualquer outro lycan, com arrogância, dominância, ela não podia abusar da hospitalidade e proteção, porém era só isso.

No começo, fiquei até com inveja dela, pois sua integridade e virgindade estariam intactas, fora a comida e as faltas de castigo (nesse caso, eu era a que mais sofria e mais recebia castigos), além disso, eu ainda tinha que aguentar o Alfa exigindo meu corpo e a humilhação de toda alcateia como se eu que fosse a culpada disso. A que seduziu o Alfa... – Eles diziam.

Então, assim nos colocaram no mesmo quarto, as que não podiam ser tocadas, eu apenas de forma sexual, pois pertencia somente ao Lúcius, mas para me baterem... Aí é outra história.

E pensando nisso, enquanto estava terminado o lanche, eles vieram, três soldados, me seguraram e me arrastaram para o salão principal, dois me seguraram de cada lado e o terceiro batia no meu rosto e barriga. Quando estava quase para desmaiar, fui acordada por um balde de água gelada no rosto, foi quando eu a vi.

A Luna estava sentada no seu trono no salão principal, loira, cabelos cacheados soltos, olhos da cor dos cabelos e estavam brilhando, cheia de joias, vestido de pele perfeitamente trabalhado com bordados de ouro, exalava o poder, riqueza e beleza de uma verdadeira Luna, mulher do Alfa, mulher do Lúcius. Olhando para mim com um sorriso sarcástico, mas que era possível sentir seu ódio, ela fala:

– Como está, irmãzinha?

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