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Capa do romance A STRIPPER

A STRIPPER

Bruno Guedes recebe um presente inesperado de seu irmão que mudará sua vida para sempre. Através de uma dança hipnotizante e uma troca de olhares profunda, uma conexão avassaladora nasce entre dois desconhecidos. No entanto, a mesma força do destino que promoveu esse encontro inusitado agora ameaça separá-los. Em meio a incertezas, ele descobrirá que o amor verdadeiro costuma florescer nos lugares mais improváveis e surpreendentes.
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Capítulo 3

Minhas mãos automaticamente sobem para segurar o sutiã, que ainda cobrem o que ele quer ver.

- Solta!

Pede com a voz rouca e meu corpo todo arrepia.

- É melhor eu ir embora.

Tento passar por ele, mas suas mãos me puxam e me levam até seu corpo. Encaro seu peito, com a respiração pesada.

- Você quer mesmo ir?

Pergunta com a boca em meu cabelo, perto do meu ouvido. Não... eu não quero ir. E é por isso mesmo que devo ir.

- Preciso ir.

Me solto dele e corro até meu sobretudo. Quando me abaixo para pegá-lo, deixo cair meu sutiã e agradeço a Deus, por estar de costas pra ele. Deixo o sutiã e pego sobretudo. Visto rapidamente e fecho os botões. Escuto os passos dele vindo até mim.

- Se não gostou da dança, avise seu irmão e devolvo o dinheiro.

Solto rapidamente e corro para o elevador. Entro nele e aperto o único botão dentro dele para descer. Viro e enquanto vejo as portas se fecharem, também o vejo segurando meu sutiã e o meu celular. Oh merda!!!! Meu celular. As portas se fecham e quero me socar por ter esquecido o celular. Não posso voltar. Assim que chegar na recepção peço para ele descer e me entregar ou pedir para alguém me enviar. As portas do elevador se abrem e quando vou sair, vejo que estou descalça. Inferno!!!! Tem muita coisa minha com ele. Meias, sapato, sutiã e celular. Quero rir de desespero. Saio do elevador e o segurança simpático se aproxima.

- O Sr. Guedes solicitou que voltasse a suíte. Parece que esqueceu algumas coisas.

Diz olhando para os meus pés.

- Poderia pedir a ele que me trouxesse ou alguém buscar para mim?

- Ele disse que só devolveria se fosse buscar.

Olho para o elevador e não possuo coragem alguma de voltar.

- Outro dia pego. Obrigada!

Ando acelerada para fora do hotel. Preciso de ar. Preciso tirar o cheiro dele de mim e a sensação de seu toque em minha pele. Um taxi está parado em frente ao hotel. Entro nele rapidamente. Passo meu endereço e agradeço por ter guardado o dinheiro no bolso interno do sobretudo.

**************

Entro no apartamento e vejo Juliana de pijama no sofá, assistindo filme. Seus olhos percorrem meu corpo e param em meus pés.

- O que aconteceu?

Pergunta assustada, saindo do sofá e se aproximando.

- Esqueci os sapatos na casa do cliente.

Para de andar e estreita os olhos para mim.

- Sapatos, celular, sutiã e meias.

Seus olhos se arregalam.

- Você dormiu com um cliente?

- Não...

Quase grito.

- Mas eu queria... E antes de fazer essa merda, fugi dele.

Digo envergonhada.

- Por favor, amanhã você pode pegar pra mim o que esqueci? Te dou os dados do hotel para pegar.

- Ele mexeu tanto assim com você a ponto de temer voltar?

- Se eu voltar, dou pra ele.

Juliana começa a rir.

- Ele era tão foda assim?

- Tão foda não descreve nem o dedinho da mão dele.

- Homão da porra!

- Muito.

Estamos as duas rindo.

- Anota pra mim o nome do hotel e do quarto. Amanhã á noite, antes do meu compromisso, passo e pego.

Juliana assim como eu é stripper. Ela me apresentou essa vida e a agradeço por isso. Graças às danças é que pago minha faculdade e o aluguel do apartamento que divido com ela. Sai de Minas Gerais para realizar o sonho de fazer faculdade, ser independente e deixei meus pais. Juliana é a única que sabe dessa parte da minha vida e sou a única que sei dessa parte da vida dela. Sou stripper Lois e ela a Stripper Diana, como a mulher maravilha.

- Vou para um banho.

- Certo.

- Amanhã tenho aulas chatas de manhã e de tarde aguentar o Dr. Gregório.

Reviro os olhos.

- Não tem cliente essa semana?

- Não... Semana livre pra estudar.

****************

Minha noite foi recheada de dança, mãos e Clark. Sim... Sonhei a noite toda com ele e agora pareço um zumbi, no meio da aula de penal. Queria meu celular agora para me tirar do tédio. Fecho meus olhos e ele vem a minha mente. Tinha que ser tão gostoso? Devia ter dado pra ele, assim não estaria grudado na minha mente e meu corpo. Hum!!!! Mas e se ele tivesse um pau delicia e eu caísse de amores? Fiz certo... Melhor sonhar com ele do que me apaixonar.

- Srta. Fernandes!

Abro meus olhos e me assusto ao ver o professor na minha frente.

- Oi!

- A aula já acabou.

Olho em volta e a sala já está vazia. Dou um sorriso sem graça ao professor e recolho minhas coisas correndo.

**************

Chego ao escritório correndo. Entro na minha sala e vejo as pilhas de processo, deixada pelo Dr. Gregório. Em cima da pilha tem um bilhete.

"Cumprir os prazos"

Respiro fundo para não sair tacando tudo no chão. Coloco minha mala na cadeira e começo a empilhar os prazos iguais. O telefone toca e corro para atender.

- Advocacia Gregório.

- Alice!

Minhas pernas falham e caio na cadeira, segurando o celular.

- Como?

Só consigo soltar isso.

- Devia colocar senha no seu celular. Alguém poderia pegá-lo e mexer na sua agenda, na sua galeria de imagens e... nas suas mensagens.

- Você mexeu no meu celular sem a minha permissão?

Levanto da cadeira, muito puta.

- Não disse que mexi, somente que alguém poderia.

- Como achou o número de onde trabalho?

- Na sua agenda está como escritório.

- Então alguém mexeu no meu celular.

Ele está rindo e sua risada me acalma. O som dela é engraçado.

- Esse alguém precisava devolvê-lo a você de alguma forma.

- Hoje a noite minha amiga vai passar e pegar.

- Não... você vem.

- Deixe na recepção, por favor.

- Não... você vem, sobe, dança pra mim, mas dessa vez até o fim e pega o celular.

- Você não me deixou dançar direito pra você.

Ele respira fundo.

- Então vem dançar direito para mim.

- Acho melhor não.

- Pago o dobro.

Fico calada, sem saber o que dizer. Na verdade eu iria de graça, se não soubesse que seria errado me envolver com ele.

- Não...

- Sim...

Sussurra de volta.

- Não...

- Vem dançar pra mim.

Fecho os olhos, ao ouvir sua voz rouca me pedindo.

- Mas agora venha como Alice.

- Ela não dança, Lois é a stripper.

- Não quero que venha a Lois. Quero a Alice, dançando pra mim.

Vai dar merda isso. Nenhum cliente soube meu nome. Nunca dancei como Alice para ninguém.

- Para quem Alice dançaria?

- Para mim...

- E quem é você?

Sua risada é baixa.

- Bruno...

- Prefiro seu verdadeiro nome.

- Prefiro Alice também.

- Me deixaria dançar pra você do meu jeito?

- Sim...

- Sem me tocar?

- Uhrummmm!

- Diga sim...

- Não posso prometer isso. Porque eu ainda quero te tocar.

- Mas não pode.

- É por não poder, que eu quero. Diz que vem...

Passo a mão em minha testa, tentando usar o cérebro ao invés da minha parte baixa para responder.

- Te espero hoje às 20h.

- Certo!

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