
A sorte que eu tinha após o divórcio
Capítulo 3
Quando Declan e Sadie entraram no Bar Carmesim, Eliana e sua turma de amigos já estavam sentados em uma mesa há um bom tempo.
"Eliana, estava com tanta saudade de você!"
Num gesto exagerado, Sadie abraçou Eliana, aninhando-se nela com um ar dengoso.
Dando um tapinha carinhoso na cabeça de Sadie, Eliana perguntou num tom suave: "Por que você ainda age como se tivesse cinco anos?"
Ela desviou o olhar para o homem de semblante sério sentado à sua frente, acrescentando num tom significativo: "Mas só você, minha doçura, parece que se lembra de mim."
Quase se endireitando, Sadie retrucou: "Está brincando? Meu irmão estava morrendo de saudades de você. Assim que soube que você estava voltando, ele descartou a esposa!"
Mal ela terminou de falar, a mesa explodiu em gritos e comemorações, e Eliana não conseguiu conter o sorriso.
A mulher que não saía dos pensamentos de Declan dia e noite agora estava sentada diante dele, trocando olhares afetuosos com ele. Apesar disso, uma estranha inquietação o consumia por dentro.
No momento em que ele estava prestes a falar, um dos amigos dele soltou um xingamento.
"Puta merda! Declan, aquela não é sua esposa?"
Ao se virar, Declan avistou Hannah. Ela estava radiante, com cabelos ondulados e esvoaçantes, maquiagem sedutora e um vestido vermelho chamativo que realçava sua cintura fina e exibia suas pernas perfeitas e intermináveis. Mesmo à distância, ela estava inegavelmente deslumbrante.
Naquele momento, ela estava cercada por um homem gordo e vestido de forma espalhafatosa, além de um grupo de jovens de aspecto sórdido, que claramente a deixavam desconfortável.
"Ei, aquele não é o Carlos? O notório playboy da família Black? Se a Hannah ficar com ele, ela está ferrada!"
"Talvez ela até goste. Quer dizer, que tipo de mulher decente se veste assim e vem a um bar? Com certeza está atrás de caras!"
"Nossa, nunca imaginei que a esposa do Declan fosse tão gata. Ela sempre teve cara de bibliotecária. Quem diria que ela tinha esse corpão?"
Sadie entrou na conversa: "Olhem só para ela. Com certeza está aqui para caçar homens. Meu irmão a largou. Quem a quereria se não usasse alguns truques?"
A piada vulgar fez os amigos caírem na gargalhada. A inexplicável irritação que crescia dentro de Declan explodiu. "Calem a boca!"
Seu grito silenciou o local imediatamente.
Fuzilando Sadie com o olhar, ele esbravejou: "Se não sabe se comportar, talvez devesse voltar para a escola e aprender um pouco de decência, em vez de perder seu tempo com essa gente à toa."
Surpresa com as palavras do irmão, Sadie ficou com os olhos marejados. Eliana estendeu a mão e segurou a de Declan com carinho. Quando ele olhou para ela, ela murmurou num tom suave: "A Sadie é só uma menina, não seja tão duro com ela."
Após um momento de pausa, ela olhou para Hannah ao longe e continuou: "Sem dúvida, a culpa é minha. Se eu não tivesse reaparecido e ocupado o lugar da senhorita Moore, ela não teria recorrido a essas atitudes desesperadas."
Ao ouvir as palavras dela, a expressão de Declan ficou ainda mais sombria. "Ela fez as escolhas dela, e elas a levaram a esse ponto. Ninguém a obrigou a nada."
Extremamente irritada, Hannah se livrou da mão indesejada de Carlos e ordenou num tom gélido: "Me deixe em paz!"
Envergonhado na frente dos amigos, Carlos ficou ainda mais arrogante. Aproximando-se dela, ele envolveu a cintura fina de Hannah com os braços, prestes a lhe dar um beijo com seus lábios roxos e extravagantes. "Então está se fazendo de difícil, é? Permita-me agraciar seu belo rosto com um beijo!"
Hannah abriu um sorriso zombeteiro enquanto Carlos franzia os lábios na expectativa de beijá-la.
Pá!
Num instante, ela pegou uma garrafa de cerveja de uma mesa próxima e a quebrou na cabeça de Carlos sem hesitar.
O som do vidro se quebrando interrompeu a música pulsante do bar. Carlos foi ao chão, segurando a cabeça ensanguentada e cheia de cacos de vidro, enquanto soltava um grito de agonia.
"Vá se foder! Sua vadia! Como ousa me bater?"
Levantando-se devagar, Hannah apontou o gargalo quebrado da garrafa para Carlos e abriu um sorriso frio. "Encoste um dedo em mim de novo e verá se não te deixo incapacitado aqui mesmo, agora mesmo!"
Carlos cerrou os dentes e respondeu: "Você sabe quem eu sou? Meu irmão é o dono do Grupo Black. Basta uma palavra minha para você desaparecer de Valmere, pode ter certeza!"
Ignorando-o completamente, Hannah mexeu na sua bolsa Hermes Birkin em silêncio.
Por um momento, ela não disse nada, levando Carlos a acreditar que a posição social dele a havia intimidado. Com isso, a arrogância dele só aumentou. "Ainda não terminamos. Uma cicatriz como essa pode te levar à pobreza e à ruína. Vou fazer um exame médico, viu? Meu tio tem contatos na polícia. Basta uma ligação e você ficará presa por duas semanas."
"Declan, o que pretende fazer?" Ao ver Declan se levantar, Sadie segurou a manga da camisa dele e o olhou com incredulidade. "Você não vai protegê-la, vai?"
Sem se abalar, Declan retirou a mão dela. "A papelada ainda não foi finalizada. Ela ainda é minha esposa legalmente. Ofendê-la é um desrespeito à família Edwards."
Sadie tentou dissuadi-lo: "Ninguém aqui sabe que ela é da nossa família. Se você ficar fora disso, o que quer que aconteça com ela será azar dela."
Contudo, a sombra que cruzou os olhos de Declan a silenciou instantaneamente.
Eliana interveio: "Deixe que eu resolvo isso. Já tive contato com o irmão de Carlos. Em consideração a mim, eles não dificultarão muito as coisas para a senhorita Moore."
Interrompendo a recusa iminente de Declan, ela acrescentou suavemente: "Sua preocupação também é minha."
Nesse instante, Hannah tirou um maço de notas de dólar da bolsa e o jogou no rosto de Carlos.
Splash!
Uma chuva de notas caiu do segundo andar, criando uma cena teatral.
Hannah apoiou os braços na grade baixa, parecendo que poderia cair do segundo andar a qualquer momento. Em meio às notas de dólar que flutuavam, ela usava um vestido vermelho que realçava seu charme. Virando-se para o homem atordoado à sua frente, ela abriu um sorriso feiticeiro.
"Isso cobre seu prejuízo?"
Com a fúria transbordando, Carlos lançou um olhar venenoso para sua gangue e rugiu: "Peguem-na! Vou acabar com a vida dela! Vejam só a arrogância dela desmoronar!"
Quando os capangas dele estavam prestes a atacar, uma voz feminina vibrante os paralisou onde estavam. "Acabar com a vida de quem? Adoraria ver alguém tentar encostar um dedo na minha amiga enquanto estou aqui."
A expressão de Carlos se transformou drasticamente quando Lydia se aproximou de Hannah com um taco de beisebol na mão. Ela o encarou com um sorriso zombeteiro, como se estivesse olhando para algo insignificante.
"Seu irmão pisa em ovos na minha presença. Quem te deu a audácia de gritar com a minha amiga?"
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