
A Sobrevivente e o Jogo Fatal
Capítulo 3
No momento em que as palavras de Lucas pairavam no ar, carregadas de ameaça, um grupo de homens de terno preto entrou no salão. Eles se moviam com uma eficiência silenciosa e profissional, abrindo caminho pela multidão assustada.
O líder deles, um homem alto de rosto sério, parou ao meu lado. Ele me ignorou por um momento e se dirigiu diretamente a Pedro e Lucas.
"Com licença, senhores."
Ele então se virou para mim e fez uma leve reverência.
"Senhora Albuquerque. O carro está esperando. O Senhor Miguel pediu para garantir que a senhora não seja incomodada."
A confirmação pública do meu novo status fez uma nova onda de sussurros percorrer o salão. A expressão de Pedro era uma mistura de fúria e descrença. Lucas, por outro lado, manteve sua compostura fria, mas seus olhos se estreitaram.
"Senhora Albuquerque?", cuspiu Lucas. "Que piada. Vocês sabem quem ela é de verdade?"
"Nossas ordens são claras", respondeu o segurança, impassível. "Estamos aqui para escoltar a esposa do nosso chefe."
A multidão observava, fascinada e confusa. Quem era Joana? A empresária morta? A noiva perdida? Ou a esposa de um homem poderoso e misterioso chamado Miguel? A incerteza era palpável.
Eu me virei para sair, sentindo um pingo de alívio. Os seguranças formaram uma barreira protetora ao meu redor, me guiando em direção à saída. Eu só queria sair daquele lugar, respirar ar fresco, longe das memórias e dos rostos que me assombravam.
"Senhora", disse o assistente de Miguel, que estava entre os seguranças. Ele tirou um xale de caxemira pesado dos braços e o colocou sobre meus ombros. "O Senhor Miguel pensou que a senhora poderia sentir frio."
O tecido era macio e quente contra a minha pele. Era um gesto simples, mas naquele momento, pareceu uma âncora de sanidade. Um símbolo de que eu não estava mais sozinha.
Mas a calma durou pouco.
"Esse xale não significa nada!", gritou Pedro, avançando contra a barreira de seguranças.
Com uma velocidade surpreendente, ele passou por um dos homens e arrancou o xale dos meus ombros. Ele o segurou no ar por um segundo, o rosto contorcido de desprezo, e então o jogou no chão, pisando em cima com seu sapato caro.
"Miguel não sabe quem você é! Ele não sabe que você é nossa!", ele rosnou. Lucas observava a cena com uma aprovação silenciosa.
"Prendam todos eles!", ordenou Lucas para a segurança do local, sua voz ecoando com a autoridade de quem ainda mandava ali. "Esta mulher é uma impostora, e esses homens estão invadindo uma propriedade privada."
Os seguranças do salão, acostumados a obedecer às ordens de Lucas e Pedro, hesitaram por um momento, mas depois avançaram. A situação se transformou em caos.
Os homens de Miguel tentaram me proteger, mas foram superados em número. Vi o assistente que me deu o xale ser empurrado com força contra uma parede. Ele caiu no chão, e um dos seguranças de Lucas o chutou com força nas costelas. O homem gemeu de dor, o rosto pálido.
A crueldade do ato me chocou. Eles não estavam apenas tentando me controlar, estavam dispostos a machucar inocentes para conseguir o que queriam.
Fui agarrada por dois seguranças do salão. As mãos deles eram brutas nos meus braços. Olhei para Pedro e Lucas, seus rostos triunfantes.
Meu breve momento de esperança havia se esvaído, substituído pelo terror familiar de estar completamente à mercê deles mais uma vez.
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