
A Sobremesa Amarga do Amor
Capítulo 3
O som da porta da frente se abrindo com força fez Sofia pular. Ela estava na sala de estar, com a mala ao seu lado, esperando o carro que Candice havia chamado.
Gabriel entrou, o rosto uma máscara de fúria. Isabella o seguia, parecendo irritada, mas ainda com um ar de superioridade.
"O que você pensa que está fazendo?", ele gritou, apontando para a mala. "Indo a algum lugar?"
Sofia o encarou, o coração martelando contra as costelas, mas ela se recusou a demonstrar medo. "Estou indo embora, Gabriel."
"Você não vai a lugar nenhum," ele rosnou, dando um passo em sua direção.
Isabella interveio, colocando a mão no peito dele. "Querido, se acalme. Ela só está fazendo uma cena." Ela olhou para Sofia com desprezo. "Sempre tão dramática."
A calma de Isabella só serviu para alimentar a raiva de Gabriel. "Você viu o que você fez? Os repórteres estão lá fora como abutres! Você arruinou tudo!"
"Eu arruinei?", Sofia riu, um som amargo e sem alegria. "Você me humilhou na frente do mundo inteiro, transformou meu maior triunfo na minha maior vergonha, e eu sou a culpada?"
"Você fugiu como uma criança! Se você tivesse ficado lá, sorrido e fingido, poderíamos ter controlado a situação!", ele gritou.
"Fingido? Fingir que meu coração não foi arrancado do peito e pisoteado por você e sua amante?", a voz de Sofia tremia de raiva. "Eu vi as câmeras, Gabriel. Eu vi vocês dois na nossa cama, rindo de mim."
O rosto de Gabriel empalideceu por um momento, mas a raiva voltou rapidamente. Isabella, por outro lado, parecia se divertir.
"Ah, você viu isso?", ela disse com um sorriso malicioso. "Pelo menos a cama dela serviu para alguma coisa útil."
"Cala a boca, Isabella!", Gabriel ordenou, mas sem convicção. Ele se virou para Sofia. "Você não tinha o direito de olhar isso."
"Eu não tinha o direito?", Sofia deu um passo à frente, a dor se transformando em fúria. "Esta é a minha casa! Aquele era o meu quarto! Aquela era a minha vida que vocês transformaram em um circo!"
Ela tentou passar por ele, para pegar sua mala, mas ele a agarrou pelo braço, com força.
"Você não vai sair daqui e piorar as coisas," ele disse entredentes, o aperto machucando.
"Me solta!", ela gritou, tentando se livrar dele.
Em um acesso de raiva cega, Gabriel a empurrou. Sofia perdeu o equilíbrio e caiu para trás, batendo a cabeça na quina da mesinha de centro. Uma dor aguda explodiu em sua cabeça, e o mundo girou por um segundo.
"Gabriel!", Isabella exclamou, mas seu tom era mais de repreensão do que de preocupação com Sofia. "Cuidado, você pode se machucar!"
Sofia levou a mão à parte de trás da cabeça, sentindo algo úmido e pegajoso. Sangue. Ela olhou para os dedos, para o vermelho vivo manchando sua pele. O choque da dor física a trouxe de volta à realidade.
Gabriel olhou para o sangue na mão dela, seus olhos se arregalando. Por um instante, pareceu haver um lampejo de remorso. Mas desapareceu tão rápido quanto veio.
Isabella se aproximou de Sofia, que ainda estava no chão, atordoada. Ela se agachou, o sorriso de escárnio de volta ao rosto.
"Oh, coitadinha," ela sussurrou, para que só Sofia pudesse ouvir. "Será que o grande jogador de futebol vai ser cancelado por machucar sua ex-namorada patética? Não se preocupe, eu vou cuidar dele."
A provocação de Isabella foi a gota d'água. Gabriel, em vez de ajudar Sofia, virou-se para Isabella. "Vamos sair daqui. Não podemos ser vistos com ela assim."
Ele puxou Isabella em direção à porta. Sofia olhou para ele, incrédula.
"Você vai simplesmente me deixar aqui?", sua voz era um sussurro rouco. "Assim?"
Gabriel parou na porta, mas não se virou. Sua voz era fria, desprovida de qualquer emoção.
"Você sempre foi muito emotiva, Sofia. É por isso que nunca daria certo entre nós. Eu preciso de alguém forte, como a Isabella. Alguém que entenda o jogo."
O jogo. Então era isso que a vida deles tinha sido para ele. Um jogo.
"Você me prometeu," Sofia disse, as palavras saindo com dificuldade. As lembranças a inundaram. Gabriel, com dezoito anos, prometendo que eles construiriam um futuro juntos. Gabriel, depois de seu primeiro grande contrato, dizendo que nada mudaria entre eles. Promessas. Todas vazias.
"As pessoas mudam, Sofia," ele disse, sua voz dura. "Eu mudei. Você não."
Ele abriu a porta. A luz dos flashes dos paparazzi do lado de fora inundou a sala por um instante.
"Adeus, Sofia," ele disse, sem olhar para trás.
Ele e Isabella saíram, fechando a porta atrás deles, deixando Sofia sozinha no chão, sangrando, em meio aos destroços de sua vida. O som da porta se fechando foi o som mais final e desolador que ela já tinha ouvido. Era o fim. O fim de tudo que ela conhecia e amava. A solidão a envolveu como um manto frio e pesado. Naquele momento, ela percebeu que estava completamente, terrivelmente sozinha.
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