
A Segunda Opção Não Mais: A Minha Liberdade
Capítulo 3
Levantei-me e fui para a varanda, precisava de ar.
O ar frio da noite fez pouco para acalmar o fogo dentro de mim.
Liguei ao Pedro.
Foi diretamente para o correio de voz.
Claro que foi. Ele estava demasiado ocupado a ser o cavaleiro de armadura brilhante da Sofia.
Enviei-lhe uma mensagem de texto.
"Onde estás?"
A resposta foi quase imediata, mas não era dele.
Era uma foto.
Enviada do telemóvel do Pedro.
Era Sofia, deitada numa cama de hospital, a sorrir para a câmara. O Pedro estava sentado ao lado dela, a segurar-lhe a mão. Pareciam um casal.
Debaixo da foto, uma mensagem de texto simples.
"Ele está ocupado. Não o incomodes."
O meu sangue gelou.
Ela tinha o telemóvel dele. Ela estava a responder por ele.
A audácia dela era de cortar a respiração.
Liguei outra vez, e outra vez. Cada chamada ia para o correio de voz.
Voltei para dentro, a minha cara uma máscara de calma que eu não sentia.
A minha sogra estava a abrir os seus presentes, rindo e agradecendo a todos.
Quando chegou a minha vez, ela pegou na pequena caixa que eu lhe tinha trazido - um par de brincos de pérolas que ela tinha mencionado querer há meses.
Ela abriu-a, olhou para dentro e depois para mim.
"Oh. São... amorosos, Ana."
O seu tom era vago, desinteressado. Ela colocou a caixa de lado sem um segundo olhar.
Momentos depois, a Clara deu-lhe o seu presente. Era um lenço de seda vistoso.
Inês ofegou de prazer.
"Oh, Clara, é lindo! Sabes sempre exatamente do que eu gosto!"
Ela envolveu o lenço à volta do pescoço, radiante.
Senti-me invisível.
Mais tarde, enquanto eu estava na cozinha a ajudar a lavar a loiça, a Clara encostou-se ao balcão.
"Sabes, a Sofia ligou há pouco. Para o telemóvel da mãe."
Eu parei, com a mão a meio de esfregar um prato.
"O quê que ela queria?"
"Apenas a atualizar. O Leo está estável. O Pedro vai ficar com ela no hospital durante a noite, só para ter a certeza."
Clara olhou para mim, os seus olhos a avaliar a minha reação.
"Ela disse que o Pedro se sente terrivelmente mal por ter perdido a festa, mas que a Sofia precisava mesmo dele."
"Claro que precisava," murmurei, a minha voz cheia de um sarcasmo que não me esforcei por esconder.
Clara deu de ombros.
"Olha, Ana, eu posso não gostar da situação, mas tu és a única que a pode mudar. Ou aceitas o teu lugar, ou fazes alguma coisa."
As palavras dela, embora duras, eram verdadeiras.
Eu tinha estado a aceitar isto durante demasiado tempo.
A permitir que a Sofia fosse uma presença constante no meu casamento.
A permitir que o Pedro me pusesse em segundo lugar.
Naquela noite, enquanto conduzia para casa para um apartamento vazio, tomei uma decisão.
As coisas iam mudar.
Eu ia certificar-me disso.
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