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Capa do romance A Secretária Comprada: O Preço da Vingança

A Secretária Comprada: O Preço da Vingança

Valeria de la Vega perdeu seu futuro após o pai apostar tudo contra Dante Volkov. Para salvá-lo da prisão, ela aceita um contrato de um ano como assistente do implacável Lobo de Ferro. Sob controle absoluto, ela descobre que Dante busca vingança por uma humilhação do passado. Entre jogos de poder e cicatrizes antigas, o ódio se transforma em uma obsessão perigosa. Valeria conseguirá resistir ao homem que deseja destruir sua vida e seu coração?
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Capítulo 1

O som do vidro quebrando contra o chão de mármore foi a única coisa que interrompeu o silêncio sepulcral da mansão De la Vega.

Valeria se assustou, deixando cair a revista de moda que folheava distraidamente no sofá de veludo. Eram duas da manhã. Seu pai, Rodrigo de la Vega, nunca chegava tarde. E, certamente, nunca entrava em casa fazendo barulho. Ele era um homem de compostura, de ternos impecáveis e modos da velha guarda.

- Papai? - chamou ela, levantando-se. A seda de seu robe creme roçou em seus tornozelos enquanto caminhava para o vestíbulo.

O que encontrou lá gelou seu sangue.

Seu pai estava encostado na pesada porta de carvalho, como se o peso do mundo acabasse de esmagá-lo. Sua gravata estava desfeita, pendurada frouxamente ao redor do pescoço; seu cabelo, sempre penteado para trás com gel, estava bagunçado, e seu rosto... seu rosto tinha a cor das cinzas.

- Papai, o que aconteceu? - Valeria correu até ele, segurando-o pelo braço pouco antes de seus joelhos cederem. Ele cheirava a tabaco velho e suor frio. Cheirava a medo.

- Acabou, Valeria - murmurou ele, com a voz embargada, uma sombra do barítono autoritário que costumava fechar negócios milionários na cidade. - Acabou tudo.

Ela franziu a testa, tentando processar as palavras enquanto o ajudava a caminhar até a sala principal.

- Do que você está falando? Foi a fusão com os investidores asiáticos? Eu te disse para não se preocupar, podemos vender a casa de verão nos Hamptons se precisarmos de liquidez...

Rodrigo soltou uma risada seca, um som terrível desprovido de qualquer humor. Ele se deixou cair no sofá, cobrindo o rosto com as mãos.

- Não há casa de verão, Valeria. Não há ações. Não há contas na Suíça. - Ele separou os dedos para olhá-la com olhos injetados de sangue. - Não há nada. Eu perdi tudo.

Valeria sentiu um zumbido nos ouvidos.

- Tudo? Isso é impossível. Somos os De la Vega. Nossa fortuna tem gerações...

- Eu a apostei - confessou ele, em um sussurro que atingiu Valeria mais forte que um tapa. - Eu estava desesperado. As dívidas se acumulavam, os bancos fechavam as portas... Precisava de um golpe de sorte. Uma última jogada para salvar a empresa.

Valeria deu um passo para trás, horrorizada. Seu pai não era um jogador. Era um empresário.

- Você apostou... nosso patrimônio? - perguntou, com a voz trêmula.

- Contra ele. Achei que poderia vencê-lo. Achei que era apenas um novo rico arrogante, um vira-lata com sorte... - Rodrigo passou a mão pelo cabelo, tremendo. - Mas ele sabia cada movimento que eu ia fazer. Brincou comigo como um gato com um rato moribundo.

- Quem, papai? Quem tem todo o nosso dinheiro?

Rodrigo ergueu o olhar. Em seus olhos havia um terror puro, primitivo.

- Dante Volkov.

O nome aterrissou na sala como uma sentença de morte. Valeria conhecia esse nome. Todos na alta sociedade o conheciam, embora ninguém o convidasse para suas festas. Eles o chamavam de "O Lobo de Ferro". Um homem que havia surgido do nada, devorando empresas falidas e destruindo legados familiares apenas por esporte. Diziam coisas terríveis sobre ele: que não tinha alma, que seus negócios beiravam a ilegalidade, que em suas veias corria gelo em vez de sangue.

- Volkov... - repetiu ela, sentindo um calafrio. - Certo. Advogados. Ligaremos para os advogados amanhã. Declararemos falência, venderemos esta casa, nos mudaremos para um apartamento pequeno. Podemos começar do zero, papai. Estamos juntos.

Rodrigo balançou a cabeça em negação, e as lágrimas começaram a rolar por suas bochechas enrugadas.

- Você não entende, filha. Não foi uma aposta legal. Foi... um acordo privado. Se eu não pagar até amanhã ao meio-dia, não apenas tirarão a nossa casa. Irei para a prisão por desvio de fundos. Ele tem as provas, Valeria. Ele tem minha vida na palma da sua mão.

Valeria sentiu o chão se abrir sob seus pés. Prisão. Seu pai, um homem de sessenta anos com o coração fraco, não sobreviveria uma semana na prisão.

- Quanto? - perguntou ela, enrijecendo a mandíbula. - Quanto ele quer para deixá-lo livre? Venderei minhas joias, meu carro, tudo.

- Ele não quer dinheiro - disse Rodrigo. Sua voz baixou tanto que Valeria teve que se inclinar para ouvi-lo. - Ofereci a ele tudo o que me restava. Implorei. Eu disse que te deixaria sem herança para pagá-lo.

- Então, o que ele quer?

Rodrigo ergueu o olhar e encarou a filha. Ele a olhou como se fosse a última vez que a via. Havia vergonha em seu olhar, uma vergonha tão profunda que fez o estômago de Valeria revirar.

- Ele fez uma contraproposta. Disse que perdoaria a dívida. Que queimaria os documentos que me incriminam e deixaria a mansão no meu nome...

- Em troca de quê? - gritou ela, perdendo a paciência.

- Em troca de você.

O silêncio que se seguiu foi absoluto. Valeria piscou, certa de ter ouvido mal.

- O quê?

- Ele quer você, Valeria - soluçou seu pai, desmoronando completamente. - Um contrato. Um ano. Quer que você trabalhe para ele. Que viva sob o teto dele. Que seja sua... propriedade exclusiva. Ele disse que esse é o preço pela minha liberdade.

Valeria sentiu o ar abandonar seus pulmões. Não era uma oferta de emprego. Era uma venda. Dante Volkov não queria uma assistente; ele queria um troféu. Queria humilhar o grande Rodrigo de la Vega levando a única coisa pura que lhe restava.

- Você me vendeu... - sussurrou ela, com lágrimas de incredulidade ardendo em seus olhos.

- Eu não disse sim - apressou-se em dizer seu pai, segurando as mãos dela com desespero. - Eu disse não a ele! Preferiria morrer a entregá-la a esse monstro. Irei para a prisão, Valeria. Não me importo.

Valeria olhou para o pai. Viu o tremor em suas mãos, o terror em seus olhos diante da ideia da prisão, a fragilidade de sua velhice. Se ele fosse para a prisão, morreria lá. E Dante Volkov ficaria com tudo de qualquer maneira.

Ela se soltou suavemente do aperto do pai e se levantou. Caminhou até a grande janela que dava para os jardins escuros. Em algum lugar daquela cidade, em uma torre de vidro e aço, um homem estava esperando para destruir a sua vida.

Um homem que acreditava poder comprar tudo.

Valeria secou uma lágrima solitária que escapou por sua bochecha. Sua vida de luxos, festas e preocupações superficiais havia terminado cinco minutos atrás. Agora, restava apenas a sobrevivência.

Ela se virou para o pai, de queixo erguido e com uma frieza nova no olhar.

- Você não irá para a prisão, papai - disse com voz firme. - Ligue para Volkov. Diga a ele que aceito o acordo.

Amanhã ela conheceria o Diabo. E pretendia olhá-lo diretamente nos olhos.

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