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Capa do romance A Refém do Capo - Tudo por uma família "feliz"

A Refém do Capo - Tudo por uma família "feliz"

Ryan Gambino é um capo implacável que não perdoa sua ex-mulher, Carina. Para fazer seu filho Giulio aceitar sua nova noiva em Castello di Brianza, ele propõe que Carina more com eles por um mês. Se o menino não se adaptar, ele voltaria para Florença com a mãe. Porém, o acordo era uma cilada: Carina torna-se refém de Ryan, que busca manter as aparências de uma família feliz. Em meio ao ódio e ao poder, uma antiga paixão ressurge entre os dois.
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Capítulo 3

Enquanto isso, na sala de jantar, o contraste era gritante. Ryan estava de pé, ao lado de Don Lorenzo e Verônica, seu olhar firme e calculista varrendo o espaço. A conversa girava em torno da necessidade de manter a imagem de família feliz, da aparência que precisavam sustentar diante da sociedade e dos negócios da família. 

Don Gambino falava com orgulho do filho que em breve partiria para cuidar dos negócios na fazenda em Castello di Brianza, na Lombardia.

— Quem olha, nem imagina o quanto Ryan me deu trabalho. — Lorenzo Gambino falou olhando para o filho.

— Não é pra tanto, pai… — Ryan divergiu,

Ao lado do pai, Verônica sorria. A aliança entre as famílias mafiosas se mantinha. A jovem graduada em relações públicas já estava ansiosa para assumir o papel de esposa de Ryan Gambino. 

— E quanto ao meu neto? — Marie perguntou.

— Vou levar meu filho comigo. — Ryan respondeu a mãe e em seguida, levou a taça de bourbon aos lábios carnudos.

— É o mínimo que um pai deve fazer… — Bella se meteu na conversa ao se aproximar. — E quanto a Carina? — A irmã mais velha de Ryan não perdeu a oportunidade de alfinetar.

— Ah, não, isso já é demais… a sua ex-mulher não vai. — Indignada, Verônica disparou.

— Acalme-se. Depois que casarmos, você é quem vai me ajudar a cuidar do meu filho… — Ryan mencionou.

— Podia deixar o garoto com a mãe. — Tocando o braço do noivo, Verônica sugeriu.

Instintivamente, Ryan se afastou. O rompimento do noivado ameaçava um tratado de poder. Don Gambino queria manter a aliança com um dos chefões da Ndrangheta, mas para isso, tinha que ter certeza de que Ryan não quebraria o acordo.

— A sua ex mima muito o seu filho! — Sempre incisiva, Verônica acrescentava comentários sobre como Carina representava uma uma ameaça sutil à ordem que eles tentavam manter.

Ryan escutava, mas seu pensamento estava em outro lugar. Ele mediu cada palavra, cada gesto, consciente de que suas decisões não eram apenas sobre controle, mas sobre preservar um império de aparências. 

O seu rosto, aparentemente impassível, escondia uma tensão. Era o dominador silencioso, o manipulador que conhecia o peso das palavras e da intimidação. E Carina, naquele momento, era uma peça frágil, vulnerável, mas que representava uma inquietação perigosa para ele.

— Seria bom se colocassem o seu filho num colégio interno, — disse Rocco Martini, pai de Verônica.

— Como pôde sugerir isso para o meu irmão? — Bella se intrometeu. — Um filho deve crescer junto aos pais.

— Mantenha a postura, Bella! — Engrossando a voz, Lorenzo chamou a atenção da filha.

— Isso é tão patético… — Irritada, Bella saiu dali.

Por mais que gostasse de ver o irmão mais maduro, Bella se recusava acreditar que Ryan estava seguindo os mesmos passos do pai.

Aos vinte e sete anos, Ryan decidiu administrar uma das fazendas onde tinha uma imensa vinícola. Desde que se interessou pelos negócios da família, ele tomou conhecimento de que Lorenzo Gambino utilizava diversas empresas e negócios legais para lavar dinheiro proveniente de atividades criminosas, incluindo imóveis, vinícolas, hotéis, cassinos.

___________________

— Carina, sou eu…

— É a tia Bella, mamãe. — A voz infantil disse.

Animado, Giulio começou a pular na cama.

— Trouxe sua refeição. — Bella falou do outro lado da porta.

— Dio mio! — Meio sem graça, Carina exclamou.

Era a primeira vez que a ex-cunhada lhe servia comida no quarto. Fazia tempo que não via a Bella e até estranhou aquela visita inesperada.

Carina abriu a porta e esboçou um sorriso contido.

— Estava indo pegar algumas coisas no meu antigo quarto e encontrei a Carmela no caminho. Peguei a bandeja pra trazer pra você. Espero que não se importe… — Bella falou sem dar pausas.

— Grazie! — Ainda constrangida, Carina agradeceu e pegou a bandeja.

— Tia Bella! — A criança surgiu e pulou no colo da mulher parada no corredor.

— Oi, docinho, senti tantas saudades… — Bella pegou Giulio no colo e abraçou o sobrinho.

De súbito, recordou do plano que Verônica tinha de mandar o pequeno Giulio para um colégio interno.

— Podemos conversar? — Olhando para ex-cunhada, Bella perguntou.

— Claro… — Carina entrou no quarto, equilibrando dois pratos de sopa de minestrone e dois copos de suco.

Em silêncio, Carina ajeitou tudo sobre a escrivaninha e sorriu para o filho que ainda estava no colo de Bella.

— Você tem que comer… — Olhando para o filho, Carina mencionou.

— Tô com fome, tia.

— Então, vai lá. — Bella pôs o sobrinho no chão. — Coma tudo pra ficar fortão… — Num tom descontraído, falou com o menino, que sorriu.

— O que houve com a sua mão? — Ao reparar, Bella indagou.

— Eu me cortei sem querer, sou tão desestrada.

A irmã de Ryan era a única alma verdadeiramente gentil dentro daquela mansão. Bella Gambino era uma distração em meio àquela atmosfera sufocante.

— Você tem que se alimentar, Carina — dizia Bella quase ao olhar para bandejas com frutas, pães frescos e o prato de sopa. — Está ficando pálida outra vez.

— Não é comida, Bella... — Carina sussurrava, sentando na beirada da cama e apertando os lençóis. — É esse lugar. 

— Eu sei. — Bella sempre falava a mesma coisa. — Foi por isso que casei e dei um fora daqui. — Tentou ser engraçada, mas não surtiu efeito esperado.

Antes que Carina inventasse alguma desculpa para terminar a conversa, Bella olhou para as cortinas de voil branca que sacudiram a favor da brisa fresca de verão.

— Carina, quer ir até a varanda comigo? 

Ela apenas assentiu e então seguiu a ex-cunhada. Ao chegar no apoio da balaustrada, Carina se inclinou e  apoiou. A vista o enorme jardim e lua refletida na água da fonte parecia uma pintura. Bella parou ao lado dela e perguntou:

— Você ainda ama o meu irmão? 

Carina baixou o olhar, sem conseguir responder de imediato. As lembranças vieram como uma avalanche... o início confuso, a paixão que queimava feito incêndio descontrolado sempre que seus corpos se enroscavam na doce agonia do prazer, as promessas vazias, a rejeição, a solidão… 

— Não sei... — ela respondeu por fim. — Talvez amar não seja a palavra certa, mas odeio o que ele fez comigo. E, mesmo assim, quando olho para o Giulio é impossível não lembrar dele.

Bella suspirou, passando a mão pelos próprios cabelos.

— Ryan não é um homem fácil. Nunca foi. Mas, Carina... às vezes, acho que ele também não está bem com tudo isso.

— Não está? O seu irmão está noivo, Bella. Está construindo a vida que sempre quis... E eu só estou aqui porque sua família é poderosa e fez de tudo para tirar a guarda do meu filho enquanto eu estava em coma.

Bella não insistiu. Apenas pousou a mão sobre a dela com carinho, mas ela recolheu ao sentir a dor na mão ferida.

— O que houve com sua mão? — Curiosa, Bella olhou para Carina. — Por favor, diga que não foi meu irmão.

— Não! — Carina negou rapidamente. — Eu me feri enquanto recolhia os cacos de vidro na cozinha. — falou, mas deixou de mencionar quem quebrou o copo.

O vento morno soprou outra vez, e por um instante, Carina fechou os olhos, sentindo o ar acarinhando a pele de seu rosto.

— Carina, por favor, não deixe Giulio sozinho.

— Não pretendo…  só estou aqui pelo meu filho.

— É que meu irmão vai morar em Lombardia e vai levar o Giulio.

A realidade logo a puxou de volta, fazendo-a abrir os olhos. Carina sentiu como se o sangue fugisse de seu rosto. Ryan não tinha contado nada pra ela. As palavras pareciam lhe faltar naquele instante tão tenso.

— A Verônica está querendo colocar o Giulinho no colégio interno.

— Não — nervosamente, Carina começou a negar com a cabeça. — Ela não vai! — distanciando-se, voltou ao quarto. 

Arrependida de ter contado, Bella foi atrás da ex-cunhada que já abria a porta.

— Carina, não faça besteiras.

Rumando pelo corredor, a mãe desesperada rumava pelo imenso tapete cor de carmim.

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