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Capa do romance A Redenção da Viúva Bilionária

A Redenção da Viúva Bilionária

Enganada por três anos, a mulher que salvou Caio Mendonça descobre que sua impotência era uma farsa para evitar tocá-la. Traída e abandonada em um desastre, ela vê o suposto marido priorizar a amante, Júlia, exigindo até doações de pele para a rival. Ao descobrir que seu casamento é ilegal e que foi usada, ela decide abandonar a humilhação. Desesperada, ela recorre a Alex, o homem proibido, buscando refúgio na Europa para recomeçar sua vida longe dali.
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Capítulo 2

HELENA POV:

O mundo ficou em silêncio. Fiquei paralisada no corredor, as palavras de Caio ecoando no súbito silêncio da minha mente. Uma fachada. Eles iam roubar minha vida, meu nome, por uma criança que não era minha, um símbolo do amor deles que eu seria forçada a carregar como minha própria vergonha.

Um gosto azedo encheu minha boca. Os sons do escritório, os murmúrios suaves e os gemidos abafados, tornaram-se um tormento físico. Lágrimas escorriam pelo meu rosto, quentes e silenciosas. Através da visão embaçada, vi um fantasma de mim mesma, a garota ingênua que caminhou até o altar três anos atrás, tão cheia de esperança.

Lembrei-me de todas as vezes que tentei diminuir a distância entre nós. Usei a lingerie que ele uma vez disse que gostava, apenas para ele se virar, culpando uma dor de cabeça. Iniciei o contato inúmeras vezes, apenas para ser recebida com um recuo e um gentil: "Hoje não, Helena. Eu simplesmente não estou pronto."

Ele nunca estava pronto para mim. Mas para Júlia, ele estava mais do que pronto. A prova estava crescendo dentro dela.

Na manhã seguinte, desci para a sala de jantar como um fantasma. Caio e Júlia já estavam lá. Ele estava colocando um pedaço de melão no prato dela, um gesto pequeno e íntimo que pareceu um tapa na minha cara.

"Bom dia, dorminhoca", disse Caio, seu sorriso não alcançando seus olhos.

Eu vi então, debaixo da mesa. A mão dele repousava na coxa dela, o polegar desenhando círculos lentos e possessivos.

"Bom dia", respondi, minha voz vazia. Sentei-me, a cadeira arranhando ruidosamente o chão polido.

Caio franziu a testa, um lampejo de irritação cruzando seu rosto. "Algo errado?"

Antes que eu pudesse responder, Júlia engasgou, a mão voando para a boca. Ela saiu correndo da mesa, e pudemos ouvi-la vomitando no lavabo próximo.

O corpo de Caio ficou tenso. Ele se levantou parcialmente da cadeira, seu instinto era ir até ela, mas ele encontrou meu olhar e congelou. Seu olhar dardejou entre mim e o corredor, um homem pego entre seu dever e seu desejo.

Ele permaneceu sentado, mas sua atenção havia sumido. Ele continuava olhando para o lavabo, sua preocupação com Júlia uma coisa palpável no ar.

Quando Júlia voltou, pálida e abalada, Caio se levantou de um salto.

"Esta comida é inaceitável", ele esbravejou para nosso chef particular, que estava nervosamente parado na porta da cozinha. "O que é isso? Está fazendo a Júlia passar mal."

O café da manhã era salmão defumado e ovos pochê. Meu favorito. Ele sabia. Não era sobre a comida; era sobre punir alguém pelo desconforto de Júlia.

Meu apetite desapareceu. Afastei meu prato.

"Onde você vai?", exigiu Caio, agarrando meu pulso. Seu aperto era surpreendentemente forte.

"Não estou com fome."

"Não seja difícil, Helena", disse ele, sua voz baixa e autoritária. "Eu estava pensando que poderíamos todos dar uma volta de carro. Até as falésias. O ar fresco fará bem à Júlia." Ele não esperou por minha resposta, virando-se para a empregada. "Marta, prepare uma cesta. Certifique-se de incluir o guaraná que a Júlia gosta e um cobertor. Aquele de caxemira macio."

Ele listou as coisas favoritas de Júlia, desde a água com gás que ela preferia até a marca específica de biscoitos que ela comia. Eu era um pensamento posterior, uma bagagem sendo levada junto no passeio.

No carro, o banco do passageiro, meu banco, havia sido ajustado. Estava empurrado para trás, e uma pequena almofada de seda rosa estava aninhada contra o encosto de cabeça. Da Júlia. Lembrei-me de ter perguntado a Caio uma vez se eu poderia deixar um livro no carro, e ele me disse que odiava bagunça.

O carro dele era um santuário, só não para mim.

Engoli o nó na garganta. "Júlia, por que você não senta na frente? Você ficará mais confortável."

Ela me deu um sorriso grato e doentio e trocou de lugar comigo. Passei todo o trajeto no banco de trás, observando-os pelo espelho retrovisor. Eles conversavam e riam, suas cabeças próximas. Eu me senti uma estranha.

O piquenique foi uma performance. Caio interpretou o papel de marido dedicado para alguns amigos que nos encontraram lá, mas seus olhos constantemente se desviavam para Júlia. Ele sabia exatamente quando lembrá-la de não beber seu chá gelado muito rápido. "Você sabe que isso irrita seu estômago, querida."

Ele me pegou observando e sua mão recuou como se estivesse queimada. Ele rapidamente se virou para mim, um sorriso falso estampado em seu rosto. "Helena, tome um pouco de suco. Sei que você adora cranberry."

Eu encarei o copo que ele ofereceu. Eu não conseguia beber suco de cranberry há dois anos. Não desde que desenvolvi um problema crônico de estômago.

Ele não sabia. Ou não se importava.

Ele então me ofereceu um prato de camarão. "Aqui, seu favorito."

Sou alérgica a frutos do mar. Júlia adora camarão. Minha garganta se fechou.

Naquele momento, o céu ficou de um roxo escuro e machucado. O vento aumentou e, de repente, a chuva começou a cair forte.

"Deveríamos ir", eu disse, minha voz tensa. "A estrada ficará perigosa."

"Não seja tão estraga-prazeres, Helena", resmungou Júlia, puxando o cobertor com mais força. "Eu quero esperar pelo arco-íris."

"Júlia está certa", disse Caio, seu tom não deixando espaço para discussão. "Nós vamos ficar."

Seus olhos estavam frios, me desafiando a discutir. Eu me calei.

O arco-íris nunca veio. Em vez disso, o chão começou a se mover. Um estrondo baixo cresceu para um rugido, e uma onda de lama e detritos veio surgindo pela encosta. Um deslizamento de terra.

O pânico explodiu. As pessoas gritavam e corriam. Eu me levantei cambaleando, mas meu tornozelo torceu na grama escorregadia e eu caí com um grito de dor.

"Caio!", gritei, estendendo a mão para ele.

Ele já estava se movendo, mas não em minha direção. Ele pegou Júlia nos braços e correu para a fila de carros, me deixando para trás na lama e na chuva.

Eu o vi ir, de costas para mim, sua única preocupação a mulher em seus braços. A sensação de abandono foi tão absoluta que foi quase pacífica.

Consegui me levantar, meu tornozelo gritando em protesto. Dei um passo, depois outro, antes que meu pé escorregasse novamente. Desta vez, não havia nada para me segurar. Rolei pela beira do penhasco, o mundo girando em um caos de dor e escuridão.

A última coisa que me lembrei foi o peso esmagador do meu próprio corpo batendo nas rochas abaixo.

Quando acordei, estava em uma cama de hospital. Caio estava sentado ao meu lado, seu rosto uma máscara de culpa.

"Helena", disse ele suavemente. "Você acordou."

Tentei falar, mas minha garganta estava áspera. Meu corpo inteiro doía.

"Os médicos disseram que você tem sorte", ele continuou, evitando meus olhos. "Apenas algumas costelas quebradas e uma concussão forte. Júlia... o rosto da Júlia foi bem cortado por alguns detritos voando. Os médicos disseram que ela precisa de um enxerto de pele para evitar cicatrizes permanentes."

Ele finalmente olhou para mim, seus olhos suplicantes. "Eles precisam de um doador, Helena. Da sua perna. Disseram que você é a melhor compatível."

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