
A Rainha Rejeitada do Rei Licantropo
Capítulo 2
Ao ouvi-la, fiz uma careta de desgosto. "Do que está falando? Você se apaixonou por aquele velho arrogante?"
Crystal colocou a mão no rosto. "Não, me apaixonei pelo único filho dele."
Franzindo a testa, perguntei: "Ele tem um filho? Espere um pouco! Quando ele entregou seu reino ao filho?"
"Alina, você sempre me disse para não falar sobre assuntos da nossa matilha, por isso não te contei sobre a coroação do novo Rei Licantropo, que aconteceu há quatro anos quando o antigo rei entregou sua coroa ao filho."
"Então quer dizer que quando voltou para nossa matilha há quatro anos, se apaixonou pelo rei???", perguntei com os olhos arregalados.
"Sim, querida. Fui conhecer o pai dele. Você sabe o quanto o antigo rei me adora."
Assenti. "Sim, eu sei. Depois que sua mãe morreu, ele praticamente se tornou seu pai. Como ele era um amigo próximo dela, acabou assumindo todas as suas responsabilidades."
"Só espero que ele aceite nosso relacionamento."
"Seu relacionamento com o novo rei Licantropo? Ele também te ama?", perguntei com curiosidade.
"Não, ainda não contei a ele, mas acredito que ele também goste de mim, já que não conversa com nenhuma outra garota além de mim", disse Crystal, corando.
"Não se preocupe, Crystal. Se ele não aceitar, é só usar seus feitiços para transformá-lo num coelhinho", disse eu entre risadas.
Balançando a cabeça, Crystal respondeu: "Não posso. Ele é o rei Licantropo. Dizem que ele é mais poderoso que o pai. Meus feitiços não funcionarão nele."
"Por que está tão séria? Só estava brincando com você", eu disse.
Então, fomos para nossas aulas.
Depois das aulas, fomos às compras. Compramos muitos vestidos porque nossas férias começariam no dia seguinte.
"Estou muito animada para amanhã. Iremos para a casa da matilha", disse Crystal.
"O que há de tão bom na casa da matilha?", perguntei.
"Nossa matilha se desenvolveu muito. Se você for lá, nem vai reconhecê-la. Até as áreas da nossa vila progrediram. Agora há muitas escolas e locais de trabalho. As pessoas estão trabalhando e vivendo por conta própria."
"Que bom. Espero que nossa viagem corra bem."
Nessa noite, dormi tranquilamente e não tive pesadelos. Quando acordei na manhã seguinte, fiquei surpresa por ter dormido bem e acordado sem gritar.
Após tomar um banho, me arrumei.
Usei um vestido simples amarelo-limão na altura do joelho. Como eu já havia arrumado minha mala no dia anterior, não havia mais nada que eu precisasse fazer.
Saí do meu quarto e bati na porta de Crystal, que a abriu, também pronta. Então, ela pegou sua mala e saiu do quarto.
Como seriam férias de um mês, trazíamos muitas roupas.
Chegamos ao aeroporto e esperamos pelo nosso voo. Como estávamos vivendo entre os humanos e ninguém sabia nossas verdadeiras identidades, nos comportávamos como pessoas normais por lá. No entanto, outras criaturas sabiam sobre nós e conseguiam identificar quem era quem.
Me levantei e fui pegar algumas bebidas. Fiz o pedido e recebi dois milkshakes de morango.
Quando nosso voo foi anunciado, voltei apressadamente para Crystal, mas, inesperadamente, acabei esbarrando num homem, fazendo com que o milkshake se derramasse na camisa dele.
Quando olhei para cima, vi Rick Miller.
"Está falando sério? O que você acabou de fazer? Derrubou sua bebida em mim?!", ele disse com raiva.
"Olha, me desculpe, estou com pressa", eu disse e tentei passar por ele.
No entanto, ele ficou na minha frente. "Acha que um simples 'desculpe' será suficiente?"
Fiquei irritada com sua atitude e perguntei: "E agora? Quer que eu limpe sua camisa com meu lenço ou com um guardanapo? Por acaso você assiste a muitos filmes e séries? Isso é a vida real, não uma fantasia. Então, por favor, me dê licença."
Euquanto eu corria até Crystal, deixando Rick perplexo com o que eu havia acabado de dizer, um homem se aproximou dele e o ouvi dizer: "Vamos, Rick. Caso contrário, perderemos nosso voo."
Rick assentiu e olhou para mim pela última vez, depois foi embora.
Enquanto isso, eu estava aflita. "Relaxe, Alina. Temos tempo. Não é nosso voo que está embarcando", disse Crystal.
Soltei um suspiro. "Achei que iríamos perder o voo."
Mais tarde, embarcamos no nosso voo e fomos para a cidade onde o rei Licantropo reinava.
—
Crystal e eu chegamos à nossa matilha à tarde.
Quando vi a beleza da matilha, fiquei impressionada. Crystal estava certa. Nossa matilha estava muito diferente agora.
Estávamos no carro, apreciando a paisagem, quando eu disse: "Crystal."
"Hum?" Crystal, que estava sentada ao meu lado, se virou para me olhar.
"Me deixe na minha casa", eu disse.
Crystal assentiu e informou ao motorista o endereço da minha casa.
Quando chegamos, saí do carro e olhei para a porta da minha casa, que estava trancada.
Fiquei confusa.
Crystal percebeu minha expressão confusa e olhou para onde eu estava olhando, notando que minha casa estava trancada por fora. Imediatamente, ela saiu do carro e se aproximou.
"Onde eles estão?", ela perguntou.
"Como vou saber?", respondi tristemente. Eu não havia contado aos meus pais que estava voltando para a matilha, pois sabia que se eu lhes contasse sobre minha vinda, eles não ficariam felizes.
Mas onde eles estavam? Para onde eles poderiam ter ido?
"Então vamos para a casa da matilha comigo", Crystal me ofereceu.
"Eles têm uma boa relação com você, não comigo."
"Isso não importa. Essa é a nossa casa da matilha, e se algum membro precisar de ajuda, eles ajudarão sem qualquer objeção."
Assenti e voltei para o carro.
Em seguida, fomos para a Mansão Licantropo. As pessoas a chamavam de casa da matilha porque Licantropo, Alfa, Theta, Beta, Delta, Gamma, Ômega e as bruxas viviam nela e resolviam todos os seus problemas lá.
O rei não só governava o reino dos lobisomens, mas também controlava todas as criaturas do seu reino.
Quando chegamos, fui até o portão principal e olhei para toda a mansão do lado de fora.
Era noite, então tudo estava escuro, mas a mansão parecia um palácio antigo construído há séculos.
Fazia dez anos que eu não vinha aqui. Quando eu tinha dez anos, vim com meu pai. Eu não me lembrava do motivo, mas me lembrava de ter conhecido o arrogante rei Licantropo. Ele não parecia bem da última vez que o vi. Então, eu só esperava que tudo ficasse bem comigo agora.
"Vamos, Alina", disse Crystal.
Assenti com a cabeça.
Notei alguns homens guardando a mansão, parados ali como se fossem manequins. Quando entramos, olhei em volta e vi que a mansão continuava a mesma, decorada no estilo de um palácio real.
Ao nos ver entrar, uma empregada se aproximou imediatamente e olhou para Crystal. "Bem-vinda de volta, senhorita Graham. Por favor, sente-se, vou chamar todos."
Crystal acenou com a cebeça e fez um gesto para que eu me sentasse no sofá.
Então, nos sentamos e esperamos por todos.
Depois de alguns minutos, um casal de meia-idade desceu as escadas.
Crystal se levantou do sofá, se aproximou deles e abraçou o homem. "Tio Atlas."
Era o antigo rei, Atlas Robertson, o amigo mais próximo da mãe de Crystal. Quando a mãe de Crystal, Chole Graham, morreu, Atlas disse a todos que cuidaria dela como se fosse sua própria filha.
"Quando você chegou, minha garota?", perguntou Atlas.
"Agora mesmo, tio", disse Crystal, se afastando. Então, ela perguntou: "Como você está, tio? Sua saúde está bem?"
"Estou bem, querida", respondeu Atlas, dando um tapinha na cabeça dela.
Depois, Crystal olhou para o lado dele. "Como você está, tia Daisy?"
Daisy assentiu com a cabeça para ela. "Estou bem."
Daisy Robertson era a antiga rainha desse reino.
Tive a impressão de que ela não gostava muito de Crystal. Talvez fosse porque Daisy e a mãe de Crystal não se davam bem.
Daisy olhou para trás de Crystal e seu olhar recaiu sobre mim. "Quem é ela?"
Crystal se virou para me olhar e respondeu a Daisy: "Ela é minha melhor amiga, Alina Brown."
Ao ouvir o sobrenome, Atlas franziu a testa. "Brown? Qual é o nome do pai dela?"
"Hayden Brown", respondi.
Eu havia ficado quieta o tempo todo, mas quando o antigo rei fez uma pergunta sobre mim, não pude deixar de responder.
"Entendi", murmurou Daisy quando ouviu o nome do meu pai.
Atlas não pareceu satisfeito com a resposta, Por outro lado, Daisy se aproximou de mim e me observou atentamente.
"Você é linda", ela disse.
Meus olhos se arregalaram, já que eu não esperava um elogio tão repentino da antiga rainha.
"Obrigada, Rainh..."
"Daisy. Pode me chamar de tia Daisy. Não sou mais a rainha."
Assenti com um sorriso. "Obrigada, tia Daisy."
Nesse momento, o Theta da matilha, Cooper, entrou na mansão.
"Onde está seu rei?", perguntou Atlas. Ele não voltou há cinco dias. Ele está bem? E a guerra? Ele matou todos e venceu a guerra?"
Olhei para Atlas, que falava como se fosse algo simples. Pensei nele e me lembrei de que esse homem era arrogante desde o início.
Olhando para Atlas, Theta Cooper respondeu:
"O rei chegará por volta da meia-noite. Ele está a caminho."
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