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A quimica de todas as cores

Rose Campbell inicia sua trajetória acadêmica em artes visuais numa prestigiada universidade em Nova York. Ao lado de um grupo de amigos que se torna seu porto seguro, ela encara as descobertas da vida adulta. Sua rotina ganha novas cores quando Christian Davis, um enigmático estudante de Química, cruza seu caminho. Entre sentimentos intensos e inspirações, Rose logo percebe que a fronteira entre o amor e o ódio pode ser surpreendentemente frágil.
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Capítulo 3

Rose

Eu digitei uma mensagem rápida para minha mãe, avisando que ela deveria ir ao encontro duplo com meu pai, guardando o celular em seguida, desviando de um aglomerado de alunos que pareciam entusiasmados com alguma coisa quando um corpo se chocou contra o meu. Em um segundo eu senti o impacto da grama com a lateral do meu corpo, fazendo uma dor aguda surgir.

Eu me sentei, olhando a lateral do meu braço esfolada e o meu jantar todo no chão. Hoje com certeza não é meu dia!

— Cuidado aí, gatinha. Você quase fez eu perder uma recepção — O rapaz que me atropelou gracejou, se afastando sem sequer me ajudar a me levantar.

— Gatinha? Qual é o seu problema, seu imbecil — eu me levantei, gritando em resposta.

O babaca que já tinha se afastado alguns passos parou, se virando para mim com um sorriso no rosto antes de me medir descaradamente, voltando a se aproximar.

— Docinho, eu realmente não tenho tempo para te dar atenção agora, mas eu posso te passar meu número, então nós marcamos alguma coisa em outro momento — ele passou o braço por meu ombro, fazendo com que eu lançasse um olhar questionador para ele.

Aquela interação estava chamando atenção das pessoas que antes estavam assistindo a partida improvisada de football, e estava claro que ele estava tentando impressionar o grupo de veteranos com quem ele estava jogando. Mas para azar do rapaz, eu não dava a mínima.

— Docinho, você está treinando para entrar no time? — eu fingi um tom deslumbrado, fazendo seu sorriso se alargar antes que minha expressão ficasse séria — nesse caso, é melhor você parar de me tocar antes que eu arranque a sua mão.

Sua expressão se tornou um pouco sem graça, tirando o braço que estava ao meu redor.

— Melhor assim — Eu murmurei, prestes a começar a me afastar.

— Me passa seu número — ele chamou.

— Nem em um milhão de anos — eu neguei.

Ele não parecia disposto a desistir, mas antes que pudesse falar qualquer coisa, uma voz masculina soou atrás de mim.

— Hey O'Donnel , agora você vai começar a nocautear as garotas para tentar se aproximar? Está tão desesperado assim? 

Eu me virei, encontrando o amigo de Allie parado ali com postura quase arrogante, com uma das mãos no bolso de sua jaqueta jeans enquanto a outra mão segurava um aparelho celular.

— Cai fora, Davis — o rapaz murmurou, finalmente se afastando.

— Você deixou cair — Ele estendeu o celular pra mim — Christian Davis.

Eu peguei o aparelho de sua mão, me sentindo aliviada ao ver que não tinha sofrido nenhum dano na queda. 

— Obrigada, Rosemarie Miller-Campbell, ou só Rose Campbell — eu suspirei me abaixando recolhendo o que restou do meu jantar, o jogando no lixo em seguida. 

— Eu tenho uma fatia extra de pizza se você quiser — ele ofereceu, indicando uma árvore há alguns metros onde um saco de papel e um copo tinha sido abandonados, provavelmente quando o idiota me acertou.

Por um segundo eu considerei aquele convite, ele com certeza estava me usando para se aproximar da minha amiga, mas eu iria ganhar uma pizza grátis, então por que não?

— Claro — eu dei de ombros.

— Jax O'Donnel , ele tem o cérebro do tamanho de uma ervilha, nós estudamos juntos no High School — Ele apontou o babaca que tinha me atropelado antes — Sinto muito te informar, mas ele provavelmente não vai te deixar em paz.

— Que notícia encorajadora — eu murmurei, me sentando embaixo da árvore ao seu lado, abrindo uma mensagem da minha mãe.

"O que você vai ganhar com isso?"

"Ele me prometeu trezentos dólares se você aceitar"

Eu guardei o celular após enviar a mensagem, decidindo prestar atenção em Christian.

— Então, você é a amiga da Allie — ele comentou me oferecendo o copo. 

— E você é o cara que está querendo transar com ela — eu devolvi pegando o copo de sua mão.

Ele franziu o cenho, me lançando uma expressão questionadora.

— Ela te falou isso?

— Não — eu tomei um gole do conteúdo, fazendo uma careta ao devolver para ele. 

Christian pegou o saco, abrindo antes de tirar duas embalagens de pizza de dentro, me estendendo uma em seguida.

— Você deveria chamá-la para sair de uma vez, ela está esperando, e…— eu abri a embalagem, fazendo uma careta em seguida — Pizza de brócolis, sério? Você está aqui tomando chá verde e comendo pizza de Brócolis?

— Qual o problema? — ele mordeu um pedaço da própria pizza, parecendo gostar daquilo.

Aquilo só podia ser uma piada! Esse definitivamente não é o meu dia. 

— Deixa eu adivinhar, você é uma daquelas pessoas com paladar infantil que acham que brócolis é ruim — ele ironizou.

— Eu não tenho paladar infantil por não gostar de um vegetal — eu murmurei.

— Sim, você tem. E isso é um pouco irônico para alguém que sonha em se tornar médica — ele me provocou.

O meu celular vibrou em meu bolso, mas eu ignorei, me virando para ele, erguendo ambas as sobrancelhas.

— Eu não vou me tornar médica, estudo artes visuais.

A informação parece tê-lo surpreendido de alguma maneira, Christian terminou de comer, colocando a embalagem vazia dentro do saco mais uma vez.

— Você veio para a universidade para brincar de colorir? Sério? 

Eu senti uma onda de raiva começar a tomar conta de mim ao constatar que no fim, ele é apenas mais um babaca. E pensar que eu até estava achando ele um cara legal.

— E você no mínimo escolheu química depois de assistir muito Breaking Bad, não é? — Eu devolvi irritada.

Ele estreitou os olhos, me encarando com uma expressão desconfiada.

— Você não é nada parecida com sua amiga, sabia? — ele se esticou, pegando a pizza da minha mão, começando a comê-la antes de se levantar.

— Hey, você tinha me dado isso — eu ergui a voz ao vê-lo começar a caminhar em direção a entrada da moradia.

— E você agiu como uma criança mimada, então eu peguei de volta — ele devolveu parecendo não se intimidar por minha irritação.

Algumas pessoas que estavam ali pararam para observar nosso pequeno embate, e se ele pensa que vai ficar assim, está muito enganado!

Eu me levantei, pegando o saco de papel e o copo de chá verde que ele deixou para trás, caminhando depressa, o alcançando quando ele estava quase na porta da moradia.

Sem pensar duas vezes eu arremessei o copo em direção à sua cabeça, sorrindo ao ver seu corpo reagir quando o líquido gelado atingiu sua nuca. Christian se encolheu, se virando em minha direção com uma expressão irritada, enquanto todos paravam para ver o que estava acontecendo.

— Você esqueceu a droga do seu chá, seu babaca!

— Qual é o seu problema, sua maluca? — ele rosnou.

— O meu problema é o tanto de idiotas que estão cruzando o meu caminho hoje — eu devolvi antes de passar por ele, entrando no prédio ouvindo algumas risadas abafadas.

Eu caminhei até meu quarto, me jogando em minha cama em seguida. Ótimo, aqui estou eu, com fome e irritada. Como tudo pode piorar?

Eu me lembrei da mensagem de minha mãe, a abrindo, sentindo meu mau humor melhorar um pouco.

" Eu quero cem dólares. Aproveite o fim de semana e não beba demais"

Um pequeno sorriso surgiu em meu rosto ao ler sua mensagem, pelo menos os dois se divertiriam juntos. Decidida a dormir um pouco, eu fechei os olhos, mas meu momento de paz não durou muito, Allie entrou no quarto alguns minutos depois, parecendo prestes a levantar voo de tanta animação.

— Rose, você não vai adivinhar, eu estava conversando com o Liam sobre meu interesse em me juntar a Sigma Sigma Kapa, uma das irmandades mais exclusivas aqui do campus e ele conhece a presidente — ela esperou alguma reação positiva antes de prosseguir.

— Ele parece conhecer todo mundo — Eu bocejei.

— Ele prometeu me apresentar para ela em uma festa que vai acontecer hoje, então se arruma que a gente precisa ir — Ela estava extasiada.

Aquilo poderia ser interessante, eu ainda não tinha ido em nenhuma festa e não dispensaria a chance de me divertir, mesmo que não tivesse interesse nenhum em me juntar a nenhuma irmandade.

— Certo, mas eu quero comer alguma coisa antes — Eu me levantei, percebendo que talvez minha noite tivesse salvação.

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