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Capa do romance A Primeira Estrela - Guardiões do Mundo

A Primeira Estrela - Guardiões do Mundo

Após séculos de caos e epidemias que dizimaram a humanidade, a civilização tenta se reerguer sob o comando de aristocratas. Contudo, a suposta estabilidade esconde segredos sombrios sobre a origem da destruição. Enquanto a ganância dos homens ameaça apagar os novos marcados pelos deuses, o mundo agoniza lentamente. Em meio a conspirações e lutas por poder, a sobrevivência depende da união e dos escolhidos que detêm o poder de salvar a terra da ruína total.
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Capítulo 2

Corra, eles vão te perseguir

Até a escuridão...

Sim, eles vão te perseguir

Até cair sem vida...

E eles vão te pegar

Até o seu interior estar vazio...

Até que você não possa mais respirar.

..........

-Zoe... -porque sempre grita. -Zoe... Venha já aqui. -acho que deixei ela com raiva.

-Já vou mãe. -grito de cima da árvore onde descansava. É quase hora da inspeção, claro que mamãe estaria desesperada, não sei o que houve para acontecerem inspeções todos os dias menos aos domingos. Subir era sempre mais fácil que descer, entro na pequena casa vendo minha mãe e minha vo já com a porta aberta e em pé juntas, vou para o lado delas e espero.

-Senhoras. -o guarda diz entrando. -Hoje a inspeção será diferente, há um tipo de doença se alastrando pelas cidades e vilas como a sua, gostaríamos que respondessem a todas as perguntas sem quetinarem. -ele olha para nos três e seu olhar demora em meu corpo. -Caso uma de vocês esteja contaminada tenho que leva-la imediatamente. -ele puxa uma cadeira da pequena mesa e se senta.

Guardas são sempre folgados, só porque tem uma farda acham-se donos do mundo. Fechei os olhos por um instante para não me estressar e algo incomum acontecer como da última vez.

-Alguma de vocês têm alguma marca rescente no corpo? -minha mãe e minha vo negam, mas eu não. Fazem dois dias que uma pequena marca nasceu em meu pulso esquerdo, a princípio achei que fosse normal, mas então na inspeção da tarde o guarda foi rude e me irritei, quando vi ele estava flutuando no ar e gritando em desespero, sabia que era minha culpa, mas não conseguia controlar.

-A Srta. tem alguma marca? -o guarda pergunta e fico tentada a negar.

-Sim. -puxo a manga da blusa e mostro a marca que mais parecia um risco em preto encurvado.

-Sente alguma coisa quando fica nervosa ou com raiva? -pergunta somente a mim.

-Não. -minto.

-Preciso que venha comigo para a capital, temos que ter certeza que não é a doença. -diz levantando-se.

-Pode arrumar uma pequena bolsa com coisas uteis, caso não tenha nada poderá voltar para sua família.

Minha mãe já chora e vovo tentava acalma-la. Subo ao meu quarto e começo a arrumar uma bolsa, quando coloco tudo vovó entra no quarto.

-Querida, quero que fique com isso. -pega um cordão e coloca em meu pescoço. -Era de seu pai, ele disse para te entregar quando algo do tipo acontecesse, disse que te protegeria. -ela beija minha testa e desço as escadas rápido. Vejo minha mãe conversando com o guarda que se levanta quando me vê.

-Pode juntar-se ao grupo lá fora. -ele diz.

-Filha, pegue. -ela vem com uma vasilha e me entrega. -São os bolos e salgados que não vendemos hoje, leve para não ficar com fome no caminho ate a capital. -diz e me abraça. -Eu te amo.

-Também te amo mamãe. -assim que sai vi um grande grupo de soldados e jovens, alguns sentados em carroças outros apoidos em árvores, me aproximei e fiquei perto do grupo, logo começamos a andar, reparei que a maioria dos jovens tinha uma mochila, alguns conversavam entre si.

-Nem consegui comer... deveria ter ficado quieta. -escuto alguém falar ao meu lado. Ao me virar vejo uma menina, ela deve ter uns doze anos, seus cabelos são castanhos e curtos, seus olhos são amarelados, a boca pequena está formando um biquinho e usa um vestido verde que vai até os joelhos, sua mochila rosa parece bem cheia, ela anda como se fosse cair e ficar por ali mesmo.

-Se quiser tenho uns bolinhos. -falo e ela me olha. -Posso dividir com você. -ela abre um sorriso.

-Mesmo? -diz e sorrio.

-Pegue. -lhe estendo um pedaço de bolo. Ela pega e começa a comer.

-Obrigada... -para e me olha.

-Zoe. -completo e ela me olha admirada.

-Obrigada Zoe, eu sou Samantha, mas pode me chamar de Sam. -ela come o bolo quase que rindo de felicidade.

-Onde está sua marca? -pergunto e ela me mostra a orelha direita. Chego perto e vejo atrás da orelha dela tem um risco como o meu mas com um outro menor em baixo.

-E a sua? -ela pergunta e mostro o pulso. Ela faz um som estranho, mas não é para meu pulso que ela olha, sigo seu olhar até onde está seu olhar.

A maioria dos jovens está paralisada de medo, bem em nossa frente tem uma criatura enorme e feia, sua boca tem vários dentes, seu corpo tem muitos espinhos e ele parece um grande lagarto raivoso e grande, o que acontece é rápido, só há tempo de escutar um corram e depois vários soldados são atacados caindo no chão.

-Sam, corre. -grito agarrando a mão dela, começo a puxa-la em direção a floresta e posso notar vários outros jovens nos seguindo, escuto o som alto de algo explodindo mas não olho para trás, ainda segurando a mão de Sam corro o máximo que consigo, vejo uma árvore grande e com um buraco dentro,aquelas árvores eram comuns no meio da floresta, sem pensar muito entro dentro do buraco e puxo ela comigo, vejo quando três jovens fazem o mesmo que eu dentro de outras árvores por ali.

No mesmo momento vejo um menino correndo sozinho, ele deve ter a idade de Sam, algo vem atrás dele, esperei o momento certo como meu pai havia me ensinado e quando a coisa ia ataca-lo eu o puxei para dentro da árvore e tapando sua boca com a mão. Depois do que parecem várias horas escondidos resolvo verificar se ainda há algum perigo.

-Não façam barulho, a mata é bem perigosa nesse horário. -digo aos dois, já estava quase escuro, não via sinal de nada além das pessoas que sabia estar nas árvores. -Podem vim, precisamos catar madeira e fazer uma fogueira bem rápido. -falo e logo vejo não só os dois que estavam comigo sair do esconderijo improvisado, mas várias outras pessoas também, deveria ter uns quinze ou mais.

Começo a catar os gravetos mais próximos e logo os meus dois companheiros fazem o mesmo, os outros ficam nos olhando como se fossemos loucos, assim que pegamos uma quantidade razoável começo a limpar uma área, o escuro já se fazia presente, pego em minha mochila o esqueiro que meu pai mandou eu sempre carregar para emergências, coloco os gravetos de um modo que algumas folhas secas ficassem ao meio, depois coloco fogo, assim faço uma fogueira e começo a puxar um tronco que vi enquanto pegava gravetos e coloco perto da fogueira me sentando.

-Ficarem longe desse fogo pode mata-los, não só por causa do frio, essa floresta é bem perigosa a noite. -digo alto o suficiente para todos ouvirem e vejo alguns se aproximarem, Sam senta ao meu lado e o menino sem nome senta ao outro.

-Como se chama? -pergunto ao menino, ele também não parecia ter mais de doze anos.

-Rick. -sua voz sai baixa.

-Está com fome? -pergunto e ele afirma. Pego a vasilha que minha mãe havia me dado e vejo o quanto de comida ainda temos, teria que matar alguns animais para comer, mas isso daria pra hoje. Pego dois bolinho entregando um para cada, agora olho para frente e vejo melhor cada pessoa ali, oito meninos nove meninas contando comigo e Sam. Dezessete pessoas.

-Vocês estão com fome? -pergunto aos mais próximos. Alguns afirmam, outros relutam mais acabam confirmando. Levanto e começo a distribuir o que eu tinha, alguns recusam por já terem o que comer, volto ao meu lugar com três bolinhos, e oito salgados, minha mãe tinha preparado uma vasilha bem cheia. Sentei novamente.

-Vocês dois tem algum pano que possam usar para se cobrirem? -olho para Sam e Rick, eles ascentem. -Melhor pegarem, daqui a algum tempo vai ficar muito frio, tenho plena serteza que essa noite será bem longa. -olho pra o céu, estava parcialmente nublado.

-Como sabe tanto sobre essa floresta? -alguém pergunta e me sento.

-Minha casa é a última da vila, fica bem perto da mata, muitas vezes meu pai me levava para o meio da mata para acampar, caçar e dormir sob as estrelas. -respondo sem saber os certo quem havia perguntado.

-Conheço esse lugar bem, apesar de não saber exatamente onde estamos por não ter observado durante o dia, essa escuridão não ajuda em nada. -suspirei, puxo minha mochila e pego meu cobertor, vou até o troco da árvore e estendo-o dentro do buraco.

-Venham, devem estar cansados de toda aquela correria. -os dois se aproximam e se deitam, sorrio.

-Por favor não deixe a gente sozinho. -escuto Rick falar antes de fechar os olhos.

-Zoe, será que vamos volta pra casa? -Sam pergunta meia sonolenta.

-Vou fazer o possível para que você volte pra casa, agora durma. -voltei ao tronco me sentando, vi alguns me olhando e depois se aproximando da fogueira. -Eai quem são vocês e onde estão as suas marcas ? -tento iniciar uma conversa.

-Eu sou Jamile, minha marca é na mão direita. -diz a menina de touca.

-Prazer Jamile, sou a Zoe. - sorrio.

-Sou Hudson, minha marca é na mão esquerda. -o rapaz que recusou os bolinhos por ter algumas barrinhas e outras coisas na mochila, ele encara Jamile, fiz que escutei mas acho que ele nem notou.

-Vamos lá gente, vocês estão presos nessa mata comigo, não custa nada conversar. -falo e alguns se aproximam mais de onde estamos. Algum tempo depois todos estão sentados em volta da fogueira enrolados em cobertores que haviam trazido ou vestindo jaquetas quentes, sou a única que não me incomodo com o frio do lugar.

-Eu sou Allana, minha marca é no tornozelo direito. -uma menina de óculos e franja se apresenta.

-Sou Jamal, minha marca é no tornozelo esquerdo, conhecidencia não é lindinha. -acho que ele deve ser o mais velho. A cara de mau dele me assusta, mas deve ser uma boa pessoa, vejo Allana ficar vermelha.

-Robin, marca na panturrilha direita. -um menino que esta totalmente camuflado ao escuro por vestir preto fala.

-Madelyn, marca no meio dos seios. -a menina de cabelos loiros diz tímida.

-Natan, minha marca está no braço esquerdo. -puxa a manga no moletom e mostra, por ele estar perto consigo ver cinco riscos que parecem formar uma chama.

-Aria, marca no braço direito. -diz uma menina alta sentada encostada em uma das árvores.

-Eva, marca na bochecha esquerda. -diz uma menina deitada no colo de um rapaz.

-Sou irmão de Eva, Jack e minha marca é no pulso direito. -sorrio.

-Raquel, também tenho marca na panturrilha. -uma menina baixinha e de cabelos curtinhos, ela tem um ar rebelde, talvez seja pelos varios brincos na orelha.

-Gianne, marca no lóbulo da orelha esquerda. -uma menina que parece não estar nada bem fala. Começo a ir em direção a ela.

-Sou o Noah, marca na bochecha direita. -um menino que está comendo o que parece ser uma maçã fala.

-Connor, marca no lóbulo da orelha  direita. - o último diz quando já estou perto o bastante de Gianne. Me abaixo ao lado de Gianne e levo minha mão a testa dela, quando toco sinto o quente.

-Venha... você precisa se aquecer ou vai acabar morrendo. -ajudo Gianne a levantar e a levo até o tronco ao lado de onde Rick e Sam dormem, puxo minha mochila e pego minha segunda coberta e estendo no chão, coloco ela deitada e puxo sua mão a fazendo deitar.

-Alguém tem água? -pergunto saindo do grande tronco.

-Ela está com febre, acho que está pasando para a segunda fase da doença. -digo e logo vejo Jack se aproximando com um cantil, quando entro novamente vejo Connor segurando a mão de Gianne, pego a água e peço para ela beber um pouco, depois ela se deita e adormece, Connor continua ali.

-Ela está tremendo Connor, acho que seria bom você deitar-se com ela, a febre passou, mas talvez o calor humano ajude melhor nessa noite fria. -digo depois de um tempo, saio do buraco no tronco com minha mochila, muitos já dormiam e segui ate Sam e Rick para saber se estavam bem, depois de verificar pego minha adaga colocando na bota e sento no chão, meu corpo reclamava um pouco, mas não podia dormir.

-Descansa um pouco, pode deixar que fico de olho em tudo. -escuto e olho para onde vem a voz, Jack está com a irmã dormindo no colo e uma adaga na mão, sorrio e aceito sua oferta. -Não precisa se preocupar, posso não ser tão experiente na mata, mas caso aconteça algo saberei me defender e defender você.

-Irei aceitar. Antes de amanhecer me acorde para descansar. -falo ele ascente, pouco tempo depois sinto minhas pálpebras pesadas e caio em um sono profundo, mesmo ainda estando totalmente alerta.

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