
A Posse Dele, A Fuga Dela
Capítulo 3
Um arrepio percorreu minha espinha. As regras do Sindicato Sterling eram brutais, projetadas para manter a ordem através do medo. Eram para inimigos e traidores. Nunca para a família.
A regra principal para disputas internas era simples: quem causasse o dano tinha que se ajoelhar e pressionar a mão sobre a mesma coisa que causou a lesão, como sinal de penitência.
Débora, vendo a expressão no meu rosto, começou sua atuação novamente. "Breno, não. Por favor. Foi só um acidente. Não a castigue. Afinal, o pai dela costumava comandar tudo. Você... você ainda é visto como o sucessor dele."
Ela estava deliberadamente cutucando sua maior insegurança. Seu status como o homem que se casou com o poder.
A mandíbula de Breno se contraiu. Um sorriso frio tocou seus lábios. "Ela quebrou as regras. Ela precisa ser lembrada delas." Ele olhou para mim. "Ajoelhe-se."
Minha mente girou. "Ela não é membro desta família", eu disse, minha voz tremendo de incredulidade. "As regras não se aplicam a ela."
"Ela é minha mulher", Breno declarou, sua voz soando com autoridade absoluta. "Isso torna o assunto meu."
Ele se virou para Débora, sua expressão suavizando em ternura. Ele beijou sua testa. "Eu vou te proteger", ele sussurrou para que todos ouvissem.
Meu coração parecia estar sendo esmagado. O homem que jurara me proteger estava agora usando as regras do nosso mundo para proteger outra mulher, às minhas custas.
Fiquei paralisada, incapaz de me mover.
A paciência de Breno se esgotou. "Segurem-na", ele ordenou a seus homens.
Dois deles agarraram meus braços, forçando-me a ficar de joelhos. Eles empurraram minha mão para baixo, em direção ao vidro quebrado da foto de casamento no chão.
As bordas afiadas cortaram minha palma. A dor, quente e imediata, subiu pelo meu braço. O sangue brotou, pingando nos rostos sorridentes da fotografia.
Breno nem sequer olhou para mim. Ele estava muito ocupado consolando Débora, sussurrando palavras calmantes para ela. Então ele a pegou nos braços e a carregou para fora do porão.
Ele me deixou lá, ajoelhada em uma poça do meu próprio sangue.
Minha mente voltou à primeira vez que o vi. Ele era um lobo solitário, feroz e indomável. Fui atraída por sua força, seu poder bruto. Ele me prometera um mundo onde eu estaria sempre segura.
Agora, ele estava protegendo outra pessoa. E eu era aquela de quem ele a estava protegendo.
Caí de lado no cimento frio, o sangue da minha mão manchando a foto quebrada, cobrindo o rosto dele, nossos rostos, até que se tornassem irreconhecíveis.
Com a mão boa, juntei as poucas coisas que ainda significavam algo para mim – as cartas que ele me escreveu quando éramos jovens, o isqueiro que ele me deu, as coisas que ele agora considerava lixo. Empilhei-as.
E ateei fogo.
As chamas lamberam o papel, consumindo as palavras de amor, transformando as promessas em cinzas. Eu assisti, meu rosto entorpecido, enquanto o fogo queimava meu passado.
Mais tarde, Bianca desceu. Ela franziu o nariz com o cheiro de fumaça.
"Ainda brincando com fogo?", ela debochou. Ela jogou um kit de primeiros socorros aos meus pés. "Toma. Não sangre por todo o chão."
"Por que, Bianca?", perguntei, minha voz oca. "Por que você me odeia tanto?"
Ela riu, um som amargo e quebrado. "Você me pergunta por quê? Por sua causa, o Marcos está morto."
Marcos. O namorado dela. Eu tinha esquecido seu nome. Ele era um informante da Polícia Federal. Eu mesma descobri sobre ele, uma ameaça para Breno, uma ameaça para nossa família.
Eu tentei lidar com isso discretamente, afastá-lo dela sem expô-lo. Mas ele foi imprudente. Ele fez um movimento, e a equipe de segurança de Breno o eliminou. Foi uma operação limpa e rápida. Breno nunca soube que eu estava envolvida. Eu fiz isso para protegê-lo. Para proteger nossa família.
Eu fiz isso para proteger Bianca da verdade sobre quem ela havia se apaixonado.
"Ele era um informante, Bianca", tentei explicar.
"Mentirosa!", ela gritou, o rosto se contorcendo de dor e raiva. "Você estava com ciúmes! Você armou para ele! Ele era inocente! Ele me amava!"
Ela estava soluçando agora, consumida por uma dor que eu tentei poupá-la. "Eu vou fazer você pagar, Alina. Eu juro."
Olhei para ela, para a garota que eu criei, agora distorcida por uma mentira. Um sorriso amargo tocou meus lábios. "Você vai se arrepender disso, Bianca. Um dia, você saberá a verdade, e vai se arrepender."
"Nunca!", ela cuspiu. "A Débora é minha amiga. Ela está me ajudando a me vingar de você."
Ela se virou e saiu furiosa, me deixando sozinha no escuro, com as cinzas das minhas memórias e a dor profunda e latejante da traição.
Eu ri, um som cru e cheio de lágrimas. Eu criei uma víbora. Uma tola que foi manipulada por uma garota que era, ela mesma, apenas um peão.
Eu estava errada sobre Breno. Eu estava errada sobre Bianca. Minha vida inteira foi construída sobre uma base de mentiras.
E eu me arrependi. Eu me arrependi de tudo.
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