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Capa do romance A perdição da CEO

A perdição da CEO

Scarlett Lee é a dedicada executiva da Aromas de Seri que, para assumir o controle total da empresa do pai e evitar que seu tio inescrupuloso tome o poder, é obrigada a se casar por um ano. Sem tempo para romances, a exigente bilionária decide contratar um marido. Por um erro em sua empresa, ela conhece José, um jovem pobre e bondoso que cuida da mãe doente. Scarlett propõe um contrato nupcial ao rapaz, dando início a um choque irresistível entre dois mundos opostos.
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Capítulo 1

Scarlett

Em alguma época da adolescência...

Estou sentada no chão da sala de brinquedos da mansão onde moro. Minha babá e minha prima, Joyce, me acompanham.

No som ambiente, Backstreet Boys cantam suas músicas que simplesmente sou apaixonada, tanto que quando completar quinze anos quero ter um show exclusivo deles como presente, já até avisei meu pai.

Minha prima pega uma das Barbies espalhadas no chão, coloca um vestido branco e véu enquanto observo tudo fazendo careta.

Minha prima ama brincar de casamento.

— Vem, Scar, vem brincar comigo. Seja o Ken, o noivo.

Faço mais uma careta e pego a Barbie que está vestida de terninho e maleta.

— Joy, não quero brincar disso. Quero brincar de ser uma empresária. — Mostro a boneca que está em minhas mãos.

— Ah, Scar, que chato! Brincar de casamento é melhor, olha como os dois ficam lindos juntos. — Mostra a Barbie e o Ken um ao lado do outro enquanto sorri deixando à mostra seu aparelho dentário.

Minha prima é minha melhor amiga desde que me lembro. Ela é da minha idade, poucos dias mais nova, é doce, gentil e muito sonhadora, diferente de mim, que sou direta e digo o que me agrada ou não sem me importar se isso machucará alguém.

Ela tem os olhos puxados como os meus, cabelo preto e liso e é um pouco mais baixa do eu.

Somos descendentes de coreanos que vieram para o Canadá em busca de um sonho.

O pai dela, o tio Stephan, é irmão do meu pai e são completamente diferentes. Enquanto meu pai trata a todos com carinho e respeito independente de sua classe social ou posição, meu tio olha a todos como se fosse superior. Sem contar que sempre alfineta o jeito de ser do meu pai, dizem que meu pai não nasceu para ser rico e dono de uma empresa de renome com o grupo Seri. Meu pai, por outro lado, diz que simplesmente temos que tratar meu tio bem por ser família e família é coisa sagrada.

Depois que a mãe de Joy morreu em um acidente e meu tio se casou novamente, minha prima veio morar com a gente, algo que acho maravilhoso já que adoro a sua companhia.

Minha prima, me olha com expectativa, esperando minha resposta e sorrio.

— Joy, não perca tempo sonhando com um casamento, pensa grande... Pensa em se tornar uma grande empresária de sucesso como nossos pais. Olha o que eles conquistaram com a empresa durante os anos.

— Scar, não precisamos nos preocupar com isso. Papai me disse que tenho que me preocupar apenas em encontrar um bom marido e então construir uma família digna.

Meu tio é muito hipócrita, vive falando em família, mas todos sabem que ele mantém casos amorosos por aí, inclusive já esteve envolvido em um escândalo sobre paternidade. Algo foi abafado e até hoje não sei que fim levou essa história que se tornou proibida de ser comentada ou questionada aqui em casa.

— Joy, não cai nessa. Você não pode depender de um homem para ser feliz. Você precisa se bastar e aí sim, procurar alguém para estar com você, te completando.

A babá ri olhando para nós duas.

— Scar, te escutando falar assim até parece que sabe algo sobre relacionamentos. Não acha que está muito nova para isso? — Cris, a babá, diz colocando a mão na cintura.

Cris, ajuda a cuidar de mim, desde que nasci. Na verdade, eu a vejo como uma tia boa que nos agrada dando tudo que queremos, escondida, quando a mãe proíbe.

— Cris, só estou sendo realista, você não viu no seriado que simplesmente amo assistir, o The Body Type, as mulheres sendo autossuficientes e não dependendo de homem algum? E olha que elas ainda sofrem quando se deixam envolver com alguém, mas superam se bastando e vivendo atrás de alcançar o sucesso em suas carreiras.

— Acho que temos que proibir essa mocinha de ver esse seriado.

Olho para a porta e vejo minha mãe entrar falando, em seu impecável vestido azul-marinho e salto.

Minha mãe sempre está muito arrumada, mesmo ficando encarregada de cuidar apenas da casa e de mim.

Ela nunca passou um dia em que ela não esteja maquiada, com o cabelo impecável e roupa elegante.

— Mãe, não faz isso, é a hora que mais gosto do dia. Amo ver a Sutton, a Jane e a Kat em suas buscas por reconhecimento na profissão. Mas confesso que quando crescer quero ser igual a Jacqueline, a chefe delas que é linda e todos respeitam. A mulher por onde passa é reconhecida — digo me imaginando de terninho passando pelos corredores da empresa e todos me admirando.

— Filha, acho que isso ainda vai demorar um pouco. — Dá risada e afaga meu cabelo. — Mas se você quer ser uma empresária de sucesso...

— Empresária e CEO da empresa do papai — digo a interrompendo.

Ela ri e balança a cabeça em negativa enquanto ainda afaga meu cabelo.

— Filha, nunca deixe de sonhar, mas você além de ser uma grande profissional precisa construir uma família e um lar feliz. Veja como seu pai e eu temos um relacionamento firme e é o que nos ajudar a passar pelas turbulências do dia. — Ela olha para minha prima e estende a mão.

Joy se aproxima e minha mãe acaricia seu longo cabelo preto.

— Você duas tem sonhos maravilhosos, mas precisam saber dosar tudo. Lembrem-se, o equilíbrio é a chave de tudo. Não pode só pensar em se casar e nem só pensar em trabalhar. O equilíbrio torna a pessoa mais sábia e feliz.

Sorrio para minha mãe, mas confesso que não penso em me casar, afinal acho isso uma perda de tempo.

Ter encontros, se apaixonar e, as vezes, ficar anos namorando para lá frente ver que não era o que os dois queriam.

Definitivamente não quero passar por isso.

Eu quero ser autossuficiente, ser respeitada e admirada no meio empresarial.

Eu ainda serei uma grande CEO do grupo Seri e irei orgulhar muito meu pai, o meu exemplo.

— Bom, meninas, vim aqui para dizer que o professor Mathew já chegou e está à espera das duas. Está na hora da aula de idiomas e depois tem a professora de etiqueta.

— Ah, mamãe, mas já? Nem tivemos tempo de brincar direito.

— É, tia, nem fiz o casamento dos dois — minha prima diz mostrando os bonecos, fazendo bico e sorrio.

— Isso vai ficar para depois, vamos — minha mãe diz se levantando.

Seguimos minha mãe pelo corredor até a sala onde o professor nos aguarda.

Ele é um senhor de meia idade, careca e com bigode. Às vezes acho que ele saiu de algum museu afinal sua roupa cheira a naftalina.

Sorrio com meu pensamento.

Começamos mais um dia de conhecimento e dou mais um passo para atingir meu objetivo.

****

José

Em algum momento da sua juventude...

— Mãe, cheguei...

— Chegou tarde hoje, meu filho, como foi o dia? — minha mãe pergunta animada.

Sigo até ela que está em sua cadeira de rodas. Infelizmente, a vida não tem sido muito generosa para ela que tem definhado a cada dia a olhos vistos.

Ela possui uma doença degenerativa e aos poucos seu corpo não está atendendo mais aos comandos de sua mente que continua trabalhando perfeitamente bem até demais.

— Ah, mãe, hoje o menino que fecha o mercadinho faltou e precisei cobri-lo. Então só puder sair quando deu o horário de fechar.

— Você trabalha tanto, meu filho. Deveria estudar, isso sim. Eu me sinto tão culpada por você não ter conseguido concluir seus estudos.

— Mãe, quando der eu faço um supletivo e dá tudo certo. O importante é trabalhar e ter o nosso sustento. — Sorrio para minha mãe.

Nunca fomos ricos, mas não nos faltava nada e eu estudava em um colégio muito bom nas redondezas, isso até minha mãe ser diagnosticada e as coisas ficarem difíceis com sua doença.

Meu pai não suportou o que estávamos passando com mamãe e simplesmente seis meses depois do diagnóstico, no dia do me aniversário foi embora e não voltou mais, nos deixando pela sorte do destino.

Ainda bem que a casa estava quitada, senão iriamos parar na rua.

Foi então que tive que largar os estudos, assumir as despesas da casa e cuidar da minha mãe que precisa de cuidado vinte e quatro horas por dia.

Não foi fácil e ainda não é...

Mas nunca vou deixar de dar o melhor para minha mãe que mesmo estando impossibilitada de se cuidar, vive sorrindo e demonstrando seu amor pela vida e por mim, seu único filho.

Admito que aprendo muito com ela e seu jeito de encarar as adversidades da vida.

— Já comeu alguma coisa? Onde está a Mary? — pergunto dando um beijo em sua testa.

Mary é a cuidadora que contratei para cuidar da minha mãe, só conseguimos isso graças a aposentadoria da minha mãe que sai.

Ela é uma senhora na casa dos seus sessenta anos, baixinha e muito amorosa.

Foi um verdadeiro achado, já que ela cuida muito bem da minha mãe e não cobra caro por isso.

Depois de alguns anos de convivência, eu a considero parte da família.

Ela mora aqui com a gente desde que começou a cuidar da minha mãe, já que não tem família por perto e ela não se casou ou teve filhos.

— A Mary foi na padaria comprar algo para cearmos, daqui a pouco está aqui.

— Ela não podia deixá-la sozinha, terei que conversar muito sério com a dona Mary.

— Filho, fui eu que pedi. Por favor, não briga com ela por minha culpa. E outra é algo rápido e você já está aqui comigo, nem fiquei sozinha por muito tempo.

Não tem como ir contra minha mãe, afinal ela tem os melhores argumentos e não consigo ir contra ela, mesmo sabendo que Mary errou.

E se eu não tivesse chegado agora?

E se minha mãe precisasse de qualquer coisa?

Depois conversarei com Mary longe da mamãe e reforçarei que tudo que quiserem é me pedir que trago.

Logo Mary chega com uma sacola com pão doce, rosquinhas e uma baguete de queijo.

Tudo o que minha mãe não pode comer, devido a sua doença e a diabete que estava alterada dais atrás.

Olho feio para as duas que sorriem e Mary me estende um pão doce, já que sabe que amo o pão doce da padaria da esquina.

Mordo o pão e sinto seu sabor doce preencher meu paladar.

Que delícia!

— José, a menina, Sheryl, perguntou de você. Aquela menina parece gostar muito de você, sem contar que é uma boa menina.

— Mary, não tenho tempo para namorico e Sheryl sabe muito bem disso. Espero que você não tenha alimentado ideias na cabeça desmiolada dela. Apesar que não precisa de muito para ela sonhar e já se imaginar casada comigo. — Faço uma careta

— Ah, José, você é novo e precisa sair, conhecer pessoas e até namorar. Está se tornando um homem muito bonito — minha mãe diz. — Eu vejo pela janela você passando e as meninas suspirando.

— Para, mãe, não tenho tempo para isso e se um dia tiver, vou me envolver só com quem merecer, afinal com o coração não se brinca. Não vê como a senhora ficou quando meu pai foi embora.

Ao ver sua reação, percebo que não deveria ter tocado nesse assunto que ainda mexe com ela, mesmo negando.

— José, é diferente... Ali foram quinze anos juntos e não esperava que seu pai fosse me deixar quando mais precisava dele, afinal juramos na saúde e na doença.

— Ele é um covarde isso sim. Espero que ele não apareça nunca mais na minha frente, pois, não sei o que sou capaz de fazer com ele.

— Meu filho, é seu pai.

— Ele não pensou nisso quando se foi. Mas não quero mais pensar nele. Vou me deitar que estou cansado e as duas não comam muito doce, por favor. Olha a taxa de açúcar das duas, não quero ter que correr para o pronto socorro. — Sorrio para as duas que me olham com cara de culpadas, dou um beijo em cada uma delas e sigo para meu quarto.

Meu Deus, que dia cansativo!

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