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Capa do romance A Obsessão dos Irmãos Darkmore.

A Obsessão dos Irmãos Darkmore.

Yara vive aprisionada em um casamento arranjado, sufocada pela opressão constante de seu marido. Sua existência ganha contornos perigosos com a chegada de Magnus, Kael e Damien Darkmore. Envolvida pelas intenções sombrias desses três irmãos, ela enfrenta um conflito interno devastador. Entre o temor paralisante e uma atração irresistível, Yara tenta navegar em um jogo de obsessão que ameaça transformar sua realidade para sempre.
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Capítulo 2

Yara Blake.

12:20 — Casa da Yara. — Eldoria.

Sexta-Feira.

Estou de pé em frente ao espelho, observando meu reflexo. A imagem do meu vestido de casamento continua fresca em minha mente, um lembrete cruel do dia em que minha vida mudou para sempre. Por um momento, me perco nas lembranças daquele infeliz casamento, acreditando que tudo iria melhorar com o tempo. Pensei que, eventualmente, me apaixonaria por Ronan e ele por mim. Mas não foi isso que aconteceu.

Desde o dia em que nos casamos, ele nunca me tocou. Não consumamos nosso casamento na lua de mel. As palavras dele ainda ecoam em minha mente: "Você não serve para mim." Desde então, minha vida se resume a cumprir as obrigações de casa e ser uma boa esposa, do jeito que ele acha que deve ser.

Ele constantemente joga na minha cara que só tenho ele na vida, que devo obedecê-lo sem questionar. Quando tentei conversar com minha mãe, na esperança de encontrar algum consolo, ela ficou do lado dele. Disse que devo sempre abaixar a cabeça para meu marido, que é o que se espera de uma esposa.

Estou cansada. Me casei quando tinha dezoito anos e agora, aos vinte e dois, esses quatro anos têm sido um verdadeiro inferno. Tenho medo de pedir o divórcio e ele me machucar. Conheço bem sua verdadeira personalidade, escondida atrás de uma fachada de respeito e educação.

Hoje acordei cedo para preparar o café da manhã para Ronan, como faço todos os dias. Mas, agora, estou no banheiro, terminando de me arrumar para a entrevista. Minha mente está focada no que essa nova oportunidade pode significar para mim. A entrevista surpreendentemente será na empresa do senhor Magnus, algo que descobri através do jornal que consegui ler.

Foi difícil, mas liguei pelo telefone fixo da nossa casa para o número que estava no anúncio. Surpreendentemente, a mulher que me atendeu foi muito gentil e me passou todas as informações necessárias: o endereço, o horário da entrevista, e até disse que não preciso de currículo, apenas da minha identidade, porque serei entrevistada pelo próprio senhor Magnus.

Ouvi falar que a senhora Darkmore tem três filhos: Magnus, Kael e Damien. Apenas sei seus nomes porque pesquisei discretamente, mas não consegui encontrar nenhuma imagem ou informações nos jornais. Meu marido não me permite ter um celular, e qualquer contato com o mundo exterior é controlado por ele.

Surpreendentemente, ele me deu permissão para tentar essa entrevista. Acho que o status da família Darkmore influenciou sua decisão. Se fosse em algum lugar mais humilde, ele jamais teria permitido. Ele acredita que, ao trabalhar para uma família rica e poderosa, minha lealdade a ele só aumentará.

Estou aqui, diante do espelho, ajustando os últimos detalhes da minha aparência. Dou uma última olhada no meu reflexo, certificando-me de que não tenho olheiras visíveis e que minha roupa está adequada. Hoje, estou vestida com um conjunto simples, mas decente: uma blusa branca de algodão e uma saia preta até os joelhos. A blusa é básica, com um decote em V discreto e mangas curtas, enquanto a saia tem um tecido leve e fluído que cai suavemente. Apesar de sua simplicidade, a roupa está bem passada e faz com que eu me sinta um pouco mais confiante.

Apliquei um pouco de maquiagem para disfarçar a palidez e garantir que meu visual esteja apresentável. O esforço é mínimo, mas é o melhor que posso fazer com o que tenho. Olho novamente para o espelho e sinto uma mistura de nervosismo e esperança.

Saio do banheiro, pego minha bolsa com os documentos e começo a descer os degraus. Por sorte, Ronan deixou dinheiro para o táxi, cobrirá apenas a ida e a volta. Se eu sentir fome durante o dia, não poderei comer nada, pois o dinheiro disponível é exatamente o necessário para o transporte.

Chego ao no último degrau, respiro fundo antes de sair de casa. Hoje, tenho uma chance de mudar minha vida, e não posso deixar essa oportunidade escapar. Coloco o dinheiro no bolso e saio, determinada a fazer o melhor na entrevista.

Por sorte, vejo um táxi se aproximando. Faço sinal e ele para rapidamente. Entro no veículo e dou ao motorista o endereço da empresa dos Darkmore. Enquanto o táxi avança pelas ruas, meu coração bate acelerado.

Tenho muita vontade de conhecer novas pessoas, de interagir com alguém fora do meu círculo restrito. As únicas pessoas com quem falo são meus pais e o meu marido. Ronan restringe muito os meus passos; até para fazer compras, ele me acompanha. Por que ele tem essa obsessão de me prender? Não posso ter amigos, não posso conversar com ninguém além dele e da minha família.

Tenho certeza de que Ronan me trai. Está cada vez mais óbvio. Ele chega do trabalho com um cheiro diferente, e já encontrei marcas de batom em suas roupas. Uma vez, confrontá-lo sobre isso me trouxe apenas mais dor. Perguntei sobre as evidências que encontrei, mas, em vez de uma resposta, ganhei um tapa no rosto que ficou roxo por quase uma semana. Como minha pele é clara, qualquer marca se torna visível e dura por um tempo.

Esses sinais de traição, junto com a violência e o controle, fazem com que minha vida se sinta ainda mais opressiva. Sinto-me presa e sem opções. No entanto, essa entrevista pode ser minha chance de mudar tudo isso. Posso sair mais, interagir com novas pessoas, e quem sabe, essas pessoas possam me ajudar a escapar desse casamento. Se conseguir o emprego, minha vida pode começar a se transformar, e a oportunidade de encontrar uma saída pode finalmente se concretizar.

— Chegamos. — O motorista me avisa.

Saio do transe em que me encontrava e olho pela janela. A cidade parece tão distante e o prédio imenso à minha frente se destaca entre os outros.

— Obrigada. — Agradeço, puxo a bolsa para pegar o dinheiro e pago a corrida.

Ele me entrega o troco e eu saio do carro, sentindo o frio do ar fresco em meu rosto. Pego a minha bolsa e olho para o enorme prédio à minha frente. O edifício é imponente, com vidros escuros que refletem a luz do sol e uma entrada elegante que parece quase inacessível.

Fecho os olhos por um momento e conto até dez mentalmente, tentando acalmar o turbilhão de emoções dentro de mim. Quando abro os olhos novamente, respiro fundo e sussurro para mim mesma:

— Estou pronta.

Com determinação renovada, dou o primeiro passo em direção à entrada do prédio.

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