
A Obsessão do Banqueiro
Capítulo 3
— Talvez eu deva deixar você lamber a borda para provar o veneno — ele murmura, e se aproxima dela. Instintivamente, ela dá um passo para trás com seu sapato alto, e se não fosse a parede sólida contra suas costas, cairia. Com as folhas da palmeira e seu grande corpo a escondendo, a mão dele chega até ela e belisca o mamilo direito. Tão forte que ela engasga numa mistura de choque e dor. Ele aproveita essa oportunidade para se enfiar em sua boca entreaberta e bate os dentes contra os lábios dela, empurrando a língua dura e pontiaguda em sua boca. Sua língua tem gosto de cobre amargo.
Grande quantidade de saliva derrama em sua boca fazendo-a querer vomitar. Ela lembra das ostras que não comeu, mas o viu saborear e a lembrança pisca em sua memória. Sua língua está viscosa e suja. Ela quer escovar os dentes, lavar, cuspir e enxaguar novamente com o antisséptico bucal extra forte que seu pai costumava ter no armário do banheiro. Ela realmente precisa ir a algum lugar e vomitar, mas está presa firmemente por seu forte corpo de atleta contra a parede, ela se encontra totalmente incapaz de se mover e sente a força de sua mão entre suas coxas. Seus dedos ásperos já estão agarrando a borda da sua calcinha e empurrando o material para o lado. E não há uma única coisa que ela possa fazer sobre isso. Lágrimas se acumulam no fundo de seus olhos e começam a rolar pelo seu rosto.
De repente, ele retira sua boca e olha para ela. Seu rosto está branco com horror e ela está tentando recuperar o fôlego. Ele traz uma mão e toca seu rosto. Sua angústia parece agradá-lo. Seu sofrimento é o seu prazer. Ela está fazendo o papel perfeitamente. Se tivesse gostado, teria arruinado tudo para ele.
— A maior parte dos sintomas de excitação e medo são tão parecidos que a maioria dos homens não pode dizer a diferença. Mas eu sei — ele sussurra perto de seu ouvido, os dedos grossos se movimentam nas dobras de sua boceta — Vou te foder com os dedos entre todas essas pessoas altas e poderosas e nenhum deles jamais saberá. — Ela está cheia de ódio por ele. Seu cérebro luta pela fuga.
— Você não se importa — ela sussurra de volta, através dos lábios horrorizados — Com o que essas pessoas vão pensar de nós? De você? Pensei que estivesse satisfeito em estar na companhia da nata da sociedade.
Sua risada é dura e repentina.
—Você viu alguém vir me cumprimentar ou falar comigo? Sou tão invisível quanto você, provavelmente mais.
Ninguém está olhando para nós, porque ninguém se preocupa conosco. Nós somos os intrusos.
Desesperada, ela empurra as palmas das mãos contra o peito dele.
A náusea ameaça em sua garganta.
— Preciso ir ao banheiro — ela engasga.
Ele hesita por um segundo e, em seguida sorri. É o sorriso de um homem que está muito satisfeito consigo mesmo. Não é muito elegante dizer banheiro. Estas pessoas chamam de toalete.
— Vá em frente, então — ele diz e fica de lado.
A primeira coisa que seus olhos chocados e com vergonha encontram é Blake. Há uma loira com um vestido vermelho longo, enrolada em torno dele, mas ele está olhando para Antonella com uma expressão no rosto que ela não consegue entender. Seus olhos estão em chamas.
Antonella fecha a boca, endireita os ombros, e se desencosta da parede, dando um passo adiante. Seus joelhos estão bambos e ela sente medo de cair, mas não cai. Ela precisa fugir. Ir para longe da cena de sua humilhação. Sente cabeças girando para vê-la, expressões desgostosas e sussurros. Ela tropeça indo em direção à porta e mal pode controlar a náusea.
Ela não se atreve a abrir a boca para perguntar a ninguém onde estão os banheiros, mas vê duas jovens desaparecendo por um corredor e corre atrás delas. Elas a levam a um vestiário e ela as empurra, ignorando os gritos ofendidos e corre para um dos dois cubículos, cai de joelhos, vomita violentamente os pedaços de legumes que comeu e a champanhe. Uma das meninas pergunta se está bem e ela engasga,
— Tudo bem — Ela as ouve ir para o outro cubículo e tranca a porta.
Antonella se senta sobre os calcanhares e as lágrimas quentes vêm. Ela cobre a boca para abafar seus soluços pois fez papel de boba. O que vai fazer? O que vai fazer? Entorpecida, ouve as meninas no cubículo ao lado rindo sobre o que todas mulheres riem e conversam sobre homens. Em seguida, seus ouvidos captam os sons delas cheirando linhas de cocaína. Quando elas saem, ela libera o banheiro e abre a porta e percebe que não viu nada antes. Como a grande mobília.
Há um grande espelho ornamentado de dourado que se estende ao longo da parede. O outro cubículo parece estar em uso e uma mulher magra, com cabelos perfeitos está sentada em uma das cadeiras dourada e creme, esperando sua vez. Há um ar de calma superior, sobre ela. Seus olhos curiosos se encontram brevemente com os de Antonella, antes dela entrar no cubículo que ela desocupou.
Antonella fica na frente do espelho e olha para si mesma. Seu rosto está pálido e o rímel barato que comprou no mercado está manchado; os lábios estão como se ela tivesse sido picada por abelhas, e seus olhos estão vermelhos de tanto chorar. Isto foi o que Blake Colleman viu. Ela está parecendo exatamente como se sente. Suja.
A mulher do outro cubículo sai. Ela parece idêntica à mulher que estava sentada na cadeira. Com um olhar rápido e surpreso em Antonella, vai para o outro lado do espelho. Ela acaricia o cabelo impecável, sacode de longe manchas de poeira imaginárias de seu vestido rosa suave. Antonella abre a torneira e enxágua a boca com água em abundância. Escavando água em suas mãos ela lava o rosto com sabonete e esfrega, depois seca com uma toalha de papel. Sem a maquiagem ela se sente indefesa.
Há um pervertido doente lá fora que quer violentá-la e deixá-la rasgada e sangrando em um beco. Você pode ir embora. Mande ele se foder. Mas ela não podia. Era tanto dinheiro. E ele sabia disso. Ela precisava daquele dinheiro. Pensou em pegar o dinheiro e não se entregar. O que ele poderia fazer? Não é como se ele pudesse ir à polícia ou recorrer à justiça por reembolso. Então, ela se lembra de seus olhos frios e perigosos. Não. De qualquer forma, ela sempre disse que preferia ser a pessoa que comprou a ponte de Brooklyn do que aquela que a vendeu.
Mais uma vez os seus pensamentos voltam para o homem Colleman. Por que ele ainda está em sua mente? Provavelmente, pela maneira como ele a olhou. Ninguém. Absolutamente ninguém a olhou assim.
Ela se entrega a um momento da fantasia. Talvez ele realmente a queira. Ele é podre de rico e irá simplesmente dar o dinheiro que ela precisa. Galante, ele irá se apaixonar por ela e irão se casar. Enquanto ela está de pé dentro dos seus sonhos, outra mulher abre a porta e entra. É a loira de vestido vermelho. Ela é alta e muito bonita, com um nariz aristocrático e olhos verde-garrafa e tem o mesmo ar superior de todas as pessoas nessa festa. O mesmo ar que Blake Colleman reivindicou para si mesmo.
Antonella não pode deixar de observá-la através do espelho. Seus olhos se encontram por um segundo, em seguida, se afastam da loira. Todo mundo sabe que ela não pertence a este lugar.
Antonella olha para seu reflexo. Com quem ela está brincando? Blake Colleman é o maior partido deste lugar. Simplesmente a maneira de Magno se comportar na sua presença disse isso. Ele estava, provavelmente, olhando para ela porque está vestida como uma prostituta e acha que realmente é uma. A única coisa real que ela tem é sua mãe. E não há nada que não vá fazer por ela. Antonella pensa em seu pai. Como facilmente se afastou quando ele era mais necessário. Quão fraco seu amor por elas foi. O dela é diferente. Ela não iria embora, mesmo que tivesse que andar em um caminho de espinhos. Vai sangrar, e essa será a prova de seu amor.
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