
A Noiva Que Renasceu
Capítulo 3
Eu dirigi sem rumo por horas, as luzes da cidade se transformando em um borrão através das minhas lágrimas. A dor da traição era uma ferida aberta, mas por baixo dela, uma raiva fria e cortante começava a se formar. Eu não ia apenas fugir, eu não ia me esconder e chorar. Eles me humilharam, me usaram e planejaram me destruir. Eles iam pagar. Cada um deles.
Passei a noite em um hotel barato na beira da estrada, o tipo de lugar que você só vê em filmes. O cheiro de mofo e desinfetante era forte, mas eu não me importava. Precisava de um lugar para pensar, para traçar meu plano. A Sofia ingênua e apaixonada morreu naquela noite, no momento em que leu aquelas mensagens. Em seu lugar, nasceu uma mulher determinada a buscar justiça, a buscar vingança.
Na manhã seguinte, com os olhos inchados, mas a mente clara, eu comecei a agir. A primeira coisa que fiz foi voltar ao nosso apartamento. Eu sabia que Pedro estaria no escritório, tentando desesperadamente entrar em contato comigo, fingindo preocupação. Tive uma janela de oportunidade pequena. Entrei em silêncio, meu coração martelando contra as costelas, não por medo, mas por adrenalina. Fui direto ao escritório dele e liguei seu computador. A senha era a mesma do celular, pateticamente previsível.
Com um pen drive em mãos, comecei a copiar tudo. E-mails, documentos, planilhas financeiras, conversas em aplicativos de mensagens. Eu precisava de provas, provas irrefutáveis de suas manipulações, não apenas da traição, mas dos esquemas financeiros que ele operava nas minhas costas, usando a nossa empresa como fachada. Descobri transferências de dinheiro para contas em nome de Carolina, despesas pessoais lançadas como custos da empresa, projetos desviados para beneficiar os amigos dela. Era pior do que eu imaginava, ele estava me roubando sistematicamente.
Enquanto o pen drive copiava os arquivos, decidi aumentar a aposta. Eu sabia que Pedro e Carolina tinham um lugar favorito para seus encontros, um pequeno bistrô charmoso no centro da cidade. Uma rápida olhada no histórico de localização do computador dele confirmou minhas suspeitas. Eles tinham uma reserva para o almoço daquele mesmo dia. Uma ideia perversa e satisfatória surgiu na minha mente.
Cheguei ao bistrô antes deles e me sentei em uma mesa discreta no canto, usando óculos escuros e um chapéu para não ser reconhecida. Pedi apenas um café e esperei. Vê-los chegar juntos foi como levar outro soco. Eles andavam de mãos dadas, sorrindo, parecendo o casal perfeito que eu pensei que nós éramos. O estômago revirou ao ver Pedro afastar a cadeira para Carolina, o mesmo gesto cavalheiro que ele sempre fazia para mim. Eles se sentaram e começaram a conversar, alheios à minha presença. Eu podia ver a intimidade entre eles, a forma como ela tocava o braço dele, o jeito como ele olhava para ela. Era real, o que quer que eles tivessem. E o que eu tive com ele foi uma mentira completa. Ver aquela cena com meus próprios olhos solidificou minha resolução, apagou qualquer resquício de dúvida ou pena que eu pudesse sentir.
Depois de testemunhar o suficiente daquela cena repugnante, voltei para o meu esconderijo improvisado. Com todas as provas em mãos, era hora de decidir como usá-las. Eu poderia simplesmente desaparecer, mas isso seria fácil demais para eles. Eu queria que eles sentissem a humilhação, a exposição, a ruína. Eu queria que o mundo inteiro soubesse quem eles realmente eram. A decisão estava tomada: o palco para a minha vingança seria o nosso próprio casamento. Seria um espetáculo que ninguém jamais esqueceria.
Com a mente focada, fiz minha próxima jogada. Liguei para o nosso gerente de banco, um homem que sempre me tratou com respeito. Expliquei, com uma voz calma e firme, que precisava transferir uma grande quantia dos meus fundos pessoais e congelar o acesso de Pedro à conta conjunta da empresa, citando "atividades suspeitas" que eu havia descoberto. Como a maior parte dos ativos estava legalmente sob meu controle, ele não hesitou. O primeiro pilar do império de Pedro começou a ruir.
No meio de todo esse turbilhão, meu celular tocou. Era minha mãe, Elisa. Eu hesitei em atender, nosso relacionamento sempre foi complicado, marcado pelo interesse dela no meu sucesso financeiro e no status que meu casamento com Pedro traria para a família.
"Sofia, querida! Onde você está? Pedro está desesperado, ligou para mim. O que aconteceu? Você não pode estragar tudo agora, falta tão pouco para o casamento!" , a voz dela era um misto de falsa preocupação e pânico real.
"Mãe, eu não vou me casar com o Pedro" , eu disse, minha voz fria como gelo.
"Você enlouqueceu? Pense em tudo o que está em jogo! A nossa reputação, o dinheiro! Você não pode fazer isso comigo!" , ela não perguntou se eu estava bem, não se importou com o motivo, apenas com as aparências e o benefício próprio.
Aquela conversa foi a confirmação final de que eu estava sozinha nisso, mas estranhamente, isso me deu mais força. "Isso não tem nada a ver com você, mãe. E é exatamente porque eu penso em mim que estou fazendo isso" , eu disse e desliguei o telefone antes que ela pudesse responder. Eu não devia nada a ela, nem a Pedro, nem a ninguém. Eu só devia a mim mesma a chance de me reerguer das cinzas que eles tentaram fazer da minha vida. Eu estava pronta para atear fogo no mundo deles.
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