
A Noiva Que Não Te Esperou
Capítulo 3
Os pais de Sofia ficaram radiantes com a sua súbita mudança de ideias.
"Finalmente, filha! Vais ver que o Diogo é um excelente rapaz," disse a mãe, os olhos a brilhar.
O pai concordou, aliviado. "Já estava na altura de pensares no teu futuro."
Sofia apenas acenou, sentindo um cansaço profundo.
Quando chegou ao seu pequeno apartamento em Alfama, Leo estava lá, deitado no sofá como se nada fosse.
Ele sorriu quando a viu.
"Então, desaparecida? Fiquei preocupado."
Sofia sentiu uma onda de náusea.
Ele não sabia que ela sabia.
Ele continuava a representação.
"Estive com os meus pais," ela respondeu, a voz neutra.
Leo levantou-se e veio na direção dela, tentando abraçá-la.
"Tive saudades tuas."
Sofia desviou-se subtilmente.
"Estou cansada. Preciso de um banho."
Ele franziu o sobrolho, confuso com a sua frieza, mas não insistiu.
"Ok. Queres que peça alguma coisa para o jantar?"
"Não tenho fome."
Ela fechou-se na casa de banho, deixando a água quente correr sobre o corpo, mas nada parecia lavar a sujeira que sentia.
Mais tarde, quando ela saiu, ele tentou novamente.
Puxou-a para ele na cama, a mão a deslizar pela sua cintura.
Sofia enrijeceu.
"Leo, hoje não. Estou com dores de cabeça."
Ele suspirou, frustrado.
"O que se passa contigo ultimamente, Sofia? Andas estranha."
"Só estou cansada," ela repetiu, virando-se de costas para ele.
No dia seguinte, ela estava na pastelaria, a tentar concentrar-se nas suas encomendas, quando ele apareceu.
"Trouxe-te o teu café preferido," disse ele, pousando o copo na bancada.
Sofia olhou para ele, para o sorriso fácil, para a ausência total de culpa nos seus olhos.
"Obrigada," ela disse, a voz a soar mais fria do que pretendia.
Ele não pareceu notar.
"Então, o que vamos fazer este fim de semana? Pensei que podíamos ir até à Ericeira."
Antes que Sofia pudesse responder, o telemóvel dele tocou.
Ela viu o nome no ecrã: "Carol".
O rosto de Leo iluminou-se.
"Tenho que atender esta. É importante."
Ele afastou-se, falando ao telefone com uma animação que Sofia raramente via quando estava com ela.
Minutos depois, ele voltou, já a pegar nas chaves do carro.
"Desculpa, amor, surgiu um imprevisto. A Carol precisa de ajuda com uma coisa para um evento de moda. Tenho que ir."
Ele deu-lhe um beijo rápido na testa e saiu apressado.
Sofia ficou a olhar para a porta, o café a arrefecer na bancada.
Lembrou-se de todas as promessas. A casa no Alentejo. O "para sempre".
Tudo mentira.
Nos dias que se seguiram, a negligência de Leo tornou-se mais evidente.
Ele estava sempre ocupado, sempre com "coisas da Carol".
Sofia sentia um aperto constante no peito, uma tristeza que se recusava a ir embora.
O festival gastronómico aproximava-se, um evento importante onde ela iria apresentar as suas novas criações de doçaria conventual reinventada.
Ela trabalhava até tarde, exausta, mas a dor emocional era pior.
Começou com uma tosse, depois febre.
No dia da apresentação, acordou a tremer, com dificuldade em respirar.
Beatriz encontrou-a assim e levou-a de imediato para o hospital.
Pneumonia forte, disse o médico.
Precisava de ficar internada.
Leo apareceu no hospital horas mais tarde, o ar preocupado.
"Como estás? A Bia ligou-me. Fiquei tão assustado."
Sofia olhou para ele, tentando encontrar algum vestígio de sinceridade.
Ele segurou-lhe a mão, mas o telemóvel dele vibrou no bolso.
Ele olhou discretamente. Carol.
"Olha, tenho mesmo que ir. A Carol está com um problema urgente num evento de moda, um desastre com os coordenados. Preciso mesmo de a ajudar. Mas volto mais tarde, prometo."
Ele beijou-a na testa e saiu, deixando-a sozinha no quarto de hospital, o som dos seus passos a ecoar no corredor.
Sozinha e doente, enquanto ele ia salvar a "verdadeira estrela".
Sofia fechou os olhos, as lágrimas a escorrerem silenciosamente pela sua face.
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