
A Noiva que Disse Não
Capítulo 3
Um suspiro coletivo percorreu a igreja.
A expressão de Miguel desmoronou-se. Passou da confusão à raiva em segundos.
"Lia, o que estás a dizer? Pára de brincar."
A sua voz era um sussurro baixo e zangado, para que só eu ouvisse.
Eu olhei diretamente para ele, ignorando o padre chocado e os convidados a murmurar.
"Eu não estou a brincar, Miguel. Eu não posso casar contigo."
"Porquê?" ele sibilou, a sua mão a agarrar o meu braço com força. "Estás a fazer uma cena na frente de toda a gente!"
Eu puxei o meu braço para me libertar.
Virei-me para os convidados. A minha voz tremeu, mas eu forcei-a a ser forte.
"Peço desculpa a todos por terem vindo em vão."
Olhei para a minha mãe. O seu rosto estava pálido de choque.
"Mas eu não posso casar com um homem que me mente. Que me trai."
A palavra "trai" pairou no ar.
Miguel deu um passo atrás, como se eu o tivesse esbofeteado.
"Do que é que estás a falar? Ficaste louca?"
"Não, Miguel. Eu fiquei sã," respondi calmamente. "Estou farta das tuas mentiras com a Sofia."
O nome dela causou outra onda de murmúrios.
Vi Sofia na primeira fila, o seu rosto uma imagem de horror fingido.
A mãe de Miguel, a Sra. Almeida, levantou-se abruptamente.
"Lia! Como te atreves a fazer acusações tão nojentas no dia do teu casamento? O meu filho ama-te!"
"Ele ama-me?" eu ri, um som amargo. "Então porque é que ele passa mais tempo com a melhor amiga dele do que comigo? Porque é que ele cheira ao perfume dela? Porque é que eles estão sempre a trocar mensagens secretas?"
Virei-me para Miguel novamente.
"Diz-me, Miguel. Nega. Nega que ontem estavas com ela no teu escritório, a agir como um casal. Nega que tens escondido coisas de mim durante meses."
Ele abriu a boca, mas não saíram palavras. A culpa estava estampada no seu rosto.
Foi toda a confirmação de que eu precisava.
Tirei o anel de noivado do meu dedo. O diamante brilhou sob as luzes da igreja.
Coloquei-o na mão do padre.
"Por favor, devolva isto à família Almeida."
Depois, virei-me e comecei a descer o corredor, sozinha.
O meu vestido de noiva caro arrastava-se no chão. Cada passo era pesado, mas também libertador.
Ouvi a minha mãe a chamar o meu nome, a voz dela cheia de angústia.
Ouvi o pai de Miguel a gritar com ele.
Mas eu não parei.
Continuei a andar, para fora da igreja, para o sol, para longe da vida que quase tinha aceite.
Você pode gostar





