
A Mulher Que Descobriu a Outra Família do Marido
Capítulo 3
Passaram três horas.
A febre do Lucas finalmente começou a baixar.
Ele acorda, a sua pequena mão procura a minha.
"Mamã," ele sussurra, com a voz fraca. "Quero o papá."
O meu coração parte-se em mil pedaços.
Acaricio o seu cabelo suado. "O papá está ocupado, meu amor. Ele vem mais tarde."
Uma mentira.
Eu sei que ele não virá.
O meu telemóvel vibra. É uma notificação do Instagram.
A Sofia publicou uma nova foto.
Ela está na cama de um hospital, com um sorriso frágil. O Pedro está ao seu lado, a descascar uma maçã para ela.
A legenda diz: "O melhor irmão do mundo, sempre a cuidar de mim. ❤️"
Os comentários estão cheios de mensagens de apoio e admiração pela sua "ligação especial".
Sinto o meu estômago a revirar.
Desligo o ecrã.
Não consigo mais olhar para aquilo.
Durante anos, eu disse a mim mesma que estava a ser irracional.
Que era apenas ciúme.
Que a Sofia era a sua irmã adotiva, que ela tinha tido uma vida difícil e precisava de mais apoio.
Mas quando é que o meu filho se tornou menos importante do que os sentimentos dela?
Quando é que a nossa família se tornou um palco para a devoção dele por outra pessoa?
O Pedro finalmente liga-me por volta da meia-noite.
A sua voz soa cansada e irritada.
"A Sofia já está a dormir. O que se passou? A minha mãe disse que o Lucas estava com um pouco de febre."
Um pouco de febre.
A minha voz sai fria como gelo. "39,8 graus. Ele esteve a delirar. O médico estava preocupado com a possibilidade de convulsões."
Há uma pausa. Consigo ouvi-lo a suspirar.
"Joana, não exageres. Crianças ficam com febre. Eu estava numa emergência. A Sofia podia ter tido um choque anafilático."
"E o nosso filho? O que é que ele podia ter tido, Pedro? Ele é o teu filho!" A minha voz sobe, incontrolável.
"Não grites comigo!" ele responde, a sua irritação a transformar-se em raiva. "Eu não posso estar em dois sítios ao mesmo tempo! Tu estavas lá, não estavas? Ele não estava sozinho!"
"Sim, ele não estava sozinho. Ele tinha a mãe dele. Como sempre," digo, com um sabor amargo na boca. "Pedro, eu quero o divórcio."
O silêncio do outro lado é total.
Por um longo momento, penso que ele desligou.
Depois, ouço a sua risada. Uma risada incrédula e desdenhosa.
"Divórcio? Estás a brincar comigo? Por causa disto? Porque eu fui ajudar a minha irmã doente?"
"Ela não é tua irmã."
"Ela é mais minha irmã do que muitas pessoas com o mesmo sangue! Eu prometi aos pais dela que cuidaria sempre dela. Não podes ser tão egoísta, Joana. Pensa no Lucas."
"Eu estou a pensar nele," respondo, a minha voz agora calma e firme. "É precisamente por causa dele que estou a fazer isto. Não quero que ele cresça a pensar que é normal ser a segunda escolha do próprio pai."
"Isso é ridículo! Tu estás a ser dramática. Vamos falar sobre isto amanhã, quando estiveres mais calma."
"Não há nada para falar. Eu vou contactar um advogado amanhã."
"Joana, para com isso!" ele grita. "Estás a destruir a nossa família por um capricho!"
Desligo o telefone.
As minhas mãos tremem.
Mas pela primeira vez em muito tempo, sinto que consigo respirar.
Você pode gostar





