
A MULHER DA CAPA PRETA
Capítulo 3
— Como assim? — perguntou Cristóvão Cruz, que ficou surpreso.
— Acontece, que a minha outra face se envolveu com três jovens que foram brutalmente assassinados. Além disso, meu marido é responsável pelas investigações destes crimes.
— O que faz você pensar que a sua outra face pode estar envolvida nestes assassinatos?
— Bom, eu só descobri tempos depois quando fui juntando as peças deste quebra cabeça. Eu achava que sonhava, mas então eu lia as manchetes das páginas policiais e nelas diziam:
“Jovem é assassinado misteriosamente de forma brutal”. Minha memória reagia e vinha à tona o que a minha outra face fazia. E no dia seguinte, eu me dava conta de ser a mulher da capa preta! Por isso que estou desesperada procurando a ajuda do senhor!
— É, faz sentido. Bom, o seu problema é bastante sério e terá que fazer um tratamento!
— Quanto eu devo por esta consulta?
— Se aceitar fazer um tratamento vai pagar pelo tratamento, porque terá que vir diversas vezes. O que acha disso? — É claro, que sim, doutor. Só me diz o que tenho que fazer e quando devo vir?
— Que tal todas as quintas-feiras neste mesmo horário? — Pra mim, está ótimo!
— Semana que vem quando vier procure lembrar de tudo o que aconteceu na sua infância e adolescência. Me conte todos os detalhes da sua vida
— É necessário?
— É sim, porque seu problema pode estar havendo um bloqueio na sua memória. Você deve ter sofrido algo de muito grave na sua infância, como um abuso sexual, ou uma espécie de rejeição, por isso é muito importante que me conte tudo pra que eu possa te ajudar, combinado?
— Sim, doutor!
Ram dez horas da manhã de um verão e um sol escaldante raiando sobre as praias de Florianópolis – SC. E mais um corpo foi encontrado sobre as areias das praias
catarinenses, sendo a terceira vítima assassinada de forma misteriosa dentro do seu próprio carro. A vítima era do sexo masculino, tinha sido degolado por uma navalha, assim como aconteceu com as outras vítimas, ou seja, tudo indica que pode ser o mesmo ritual e com as mesmas características.
Para a polícia era um mistério. No local do crime não havia vestígios de que fosse assalto, ou crime passional, porque foram encontrados os documentos e cartão de crédito, despistando a hipótese de ser assalto, ou que fossem usuários de drogas. E sendo assim seriam vítimas dos traficantes por dívidas, mas a hipótese foi descartada segundo a polícia, pois não havia substância química nos corpos das vítimas, de acordo com a autópsia feita.
O delegado de polícia responsável pelas investigações se chamava Júlio. Ele era sempre chamado quando algum corpo era encontrado na praia. Júlio era bem-sucedido e estava acima de
qualquer suspeita, além de ser casado com Vanessa, a qual era uma excelente advogada, uma das melhores do estado de Santa Catarina. Os dois tinham um casamento sólido, mas ambos viviam em conflitos por, às vezes, estarem em lados opostos da lei, pois, ele como delegado prendia bandidos, e ela como advogada criminalista os defendia.
Ambos sofrem pressões psicológicas, embora sendo casos diferentes entre os dois. Vanessa com problemas psicológicos e Júlio, profissionais.
Júlio trabalhava à noite uma vez por semana e nas mesmas noites em que ele trabalhava aconteciam os assassinatos misteriosos. E caía sobre as suas costas a responsabilidade de desvendar os mistérios, como o assassinato de três jovens filhos de pais bem-sucedidos da alta sociedade.
Como delegado, estava cercado de muitas pressões que vinham de todos os lados, era da imprensa, dos pais das vítimas e do secretário de segurança, que cobrava resultados imediatos devido à pressão sofrida pela opinião pública. Porque na gestão atual do governo o índice de criminalidade era um dos menores do país, de acordo com a pesquisa feita pelo Instituto de Estatísticas da cidade de Florianópolis, a qual era uma das cidades mais seguras do Brasil de acordo com uma pesquisa feita entre
turistas que frequentavam a cidade e as praias catarinenses. Sendo assim, a boa imagem do governo estava sendo arranhada devido aos últimos assassinatos não solucionados.
Júlio perdeu seus pais há cinco anos, aproximadamente, e com isso, ele herdou todos os bens, não necessitando trabalhar como delegado, mas fazia porque gostava da ideia de fazer parte da polícia, desde a juventude. Com competência, resolveu muitos casos, tinha carta branca do secretário para fazer com que o caso fosse solucionado o mais rápido possível.
Na época em que Júlio era jovem, ele trabalhou na polícia com o seu amigo Dalton, o qual mais tarde fez um curso de inglês e foi morar nos Estados Unidos, passando a trabalhar na cidade de Miami. Júlio, por sua vez, lembrou de seu amigo e telefonou para ele a fim de que viesse ajudar nas investigações, pois ele era especialista em caçar psicopatas. Dalton, então, veio para o Brasil a pedido do seu velho amigo e parceiro. Dalton teve a oportunidade de trabalhar na polícia americana e ouviu muito falar a respeito de crimes como assassinatos em série nos Estados Unidos, e ajudaria bastante com o conhecimento que tinha. Chegando ao Brasil foi para a cidade de Porto Alegre visitar seus pais que moravam na capital gaúcha.
Dias depois, Dalton chegou à Florianópolis e se hospedou em um hotel quatro estrelas para, no dia seguinte, começar a fazer a investigação dos três assassinatos, cujas pistas a polícia ainda não tinha.
Ao chegar à delegacia, foi bem recebido pelo seu velho amigo Júlio. E mais uma equipe de policiais que trabalhava com ele pediu relatórios sobre o andamento das investigações. E levaria para o hotel onde estava hospedado para fazer uma análise dos documentos.
— Amigo, que bom que você chegou. Precisamos muito da sua ajuda.
— Afinal de contas, o que está acontecendo pra me chamar tão urgente? — perguntou Dalton.
— Existe um psicopata à solta por esta cidade que está dando um trabalhão, e não conseguimos encontrar pistas do assassino. Eu tive que te chamar pra me ajudar como nos velhos tempos!
— Como está sua esposa Vanessa?
— Vai muito bem, obrigado!
Dalton olhava os relatórios que Júlio deu e disse:
— Vou levar estes relatórios e analisá-lo. Quando tiver um parecer volto para darmos prosseguimento nas investigações, combinado?
— Combinado. — respondeu Júlio.
Dalton convidou Júlio para beber um drinque em um bar que havia no hotel onde se hospedava, e queria ficar a sós com ele a fim de acertar os detalhes das investigações. E quando estivesse por dentro do que estava acontecendo voltaria para a delegacia e faria uma reunião com todos os envolvidos nas investigações.
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