Seguir
Capítulos
Compartilhar
Capa do romance A mercê da maldade

A mercê da maldade

Luna conheceu cedo a crueldade humana, mas sua vida muda drasticamente ao fugir de um agressor terrível. Perdida e vulnerável, seu destino se cruza com o de Mason Wood, um homem poderoso e imerso em um mundo sombrio. Nessa relação intensa, a pureza dela enfrenta a sujeira da realidade dele. Em um cenário onde a bondade é desvantagem e a malícia impera, resta saber se o amor sobreviverá à guerra ou se a esperança de redenção é apenas uma fantasia ilusória.
Capítulos
Compartilhar

Capítulo 3

O dia hoje foi igual aos outros: almoçar, fazer atividades de casa e ajudar as irmãs com os pequenos. Agora são quase seis da noite, e como regra da instituição temos que comparecer a uma capela para oração. Por ser uma instituição ligada à igreja e coordenada pelo Padre Manuel, que é o diretor do orfanato, eu até entendo essa regra e como eu não quero receber um castigo, vou ao encontro de todos. Quando adentro a capela percebo que todos já se encontram no local e dessa vez as crianças não fazem barulho, e nem podem, devemos respeitar o lugar sagrado.

No púlpito está o Padre Manuel se preparando para a oração. O padre é um senhor com uma barriga saliente que pode ser observada mesmo vestindo uma batina. Assim que entro ele olha para mim de uma forma que não sei explicar, e com esse olhar segue todos os meus passos e isso me deixa nervosa, com isso apresso os meus passos para sentar e me esconder dos seus olhos, no entanto o único local vago fica bem na sua vista, na primeira fileira. Vou até o lugar e mesmo não olhando para ele sinto que seus olhos estão sobre mim e isso me deixa desconfortável, e quando estou assim eu tenho a mania de fechar a minha mão e apertar com força, sentindo a dor das minhas unhas em contato com a minha pele, isso me permite esquecer o que está se passando e focar apenas na dor.

Não era a primeira vez que ele fazia isso, já faz um tempo que o padre tem esse estranho hábito de ficar me olhando em qualquer lugar. Na primeira vez eu achei que tinha feito algo de errado e que estava muito encrencada, e ele iria me chamar atenção, mas a repreensão nunca veio e as suas olhadas continuaram. Depois eu achei que fosse coisas da minha cabeça, mas seu olhar em mim tornou-se mais frequente e não mais disfarçado como era antes. Logo passei a evitar ao máximo estar no mesmo lugar que ele, no entanto havia um momento do dia que não tinha como fazer isso, na oração da noite antes do jantar.

— Que o Espírito Santo esteja com vocês. Fechem os olhos e tenham seus pensamentos em Deus.— E assim eu faço e após alguns segundos ele começa a rezar. Mesmo durante a prece a sensação de está sendo vigiada continua, e isso faz com que eu abra os olhos e assim que levanto a cabeça, vejo o Padre orando com seus olhos cravados em mim, e diferente das outras vezes ele sorri, causando arrepio em todo o meu corpo. Instantaneamente eu me encolho no lugar, abraçando o meu corpo ao mesmo tempo que fecho os olhos, pedindo a Deus que esse desconforto passe logo. Eu não sabia o porquê mais quase estava chorando, o olhar do Padre Manuel me remete sensações ruins e eu não gosto de me sentir assim.

— Luna, minha filha, a oração terminou. Vamos— diz a irmã Maria. Eu estava tão nervosa e querendo que aquela sensação fosse embora que nem percebi. Olho ao redor e todos já haviam saído e só estava eu, Maria e o Padre, e não querendo ficar mais ali, e pior, sozinha com ele, sigo a Maria.

— Irmã Maria, me espera, por favor.— E assim ela faz e eu a acompanho até a cantina onde janto com as outras crianças. Eu não estava com fome diante de tudo que senti a alguns minutos atrás, no entanto me forcei a comer tudo.

Já na cama, vestida com uma camisola branca longa, que chega até aos meus pés e com uma manga curta, deito na cama e oro agradecendo a Deus por mais um dia e sem esforço adormeço... Durante o sono tenho um pesadelo de está sendo perseguida por um cachorro de olhos vermelhos que quer me atacar e eu corro dele, quanto mais eu corro parece que mais perto o cachorro está de mim. Cansada de fugir, eu tropeço e o cão me alcança e além da cor dos seus olhos, vejo os seus dentes grandes e afiados quando ele abre a boca, e com muita rapidez ele avança sobre mim e nesse momento eu acordo sobressaltada, com o coração acelerado e suada. Após alguns minutos, com o meu estado mais calmo e com o meu cérebro entendendo que nada daquilo era real, eu tento voltar a dormir, mas não consigo, e assim passo uns trinta minutos inquieta, virando de um lado para outro na cama. Já cansada com a minha repentina insônia, sinto sede e decido levantar para ir beber água.

Ainda é madrugada, então todos estão dormindo, com muito cuidado para não fazer barulho desço a escada e vou até a cozinha. Ascendo a luz e pego um copo no armário, em seguida vou até a geladeira, despejo a água no copo e bebo. Quando termino lavo o copo, seco e coloco de volta no lugar. E no momento que vou retornar para o meu quarto, ouça a voz do dono dos olhos que me causa frio.

— Está com formiga na cama?— ele diz e tenho receio em olhar em sua direção.

—N-não Padre, apenas senti sede, mas já estou voltando para o meu quarto— digo tentando sair da sua presença o mais rápido possível.

— Não precisa ter pressa, criança— diz segurando em meu braço e com o seu toque sinto minhas pernas tremerem. — Sabe Luna, você não imagina por quanto tempo esperei ficar a sós com você— ele continua a falar passando a sua mão pelo meu braço, estimulando assim o medo em mim.

— P-Padre Manuel , já é tarde e tenho que ir dormir— gaguejo por causa do nervosismo e também por está malmente respirando durante todo esse tempo.

—Shiii...— diz passando o seu polegar pelos meus lábios. Seu toque me deixa estática, com nojo, eu quero correr, mas o meu corpo não me obedece. — Você é uma garota muito bonita— diz passando a mão em meu cabelo e o levando para o encontro do seu nariz, onde ele cheira. E não aguentando mais aquela situação uma lágrima cai dos meus olhos.

— E-Eu tenho que ir, por favor, me deixe ir— digo desviando do seu toque.

—Você cresceu e está se tornando uma ninfeta tão linda, que nem as roupas largas e compridas são capazes de esconder as curvas do seu corpo— E dessa vez seu toque se torna mais ousado, descendo para o meu pescoço e parando na região da minha clavícula.

— P-Por favor, pare com isso Padre— digo em meio ao choro, ao mesmo tempo que tento me soltar dele que aperta com força os meus braços, me machucando.

— Calada, agora eu vou ter o que eu sempre quis. Você.— segura o meu pescoço e desfere tais palavras com raiva.

— O S-Senhor está me m-machucando— digo com dificuldade por causa da sua mão em meu pescoço, me impedido de respirar normalmente. Eu tento afastá-lo, mas não consigo, eu estava apavorada e as lágrimas não paravam de cair dos meus olhos.

— Você vai ficar quietinha, e se fizer algum barulho eu te mato— diz dando um tapa em meu rosto, o local automaticamente dói e sinto uma ardência. Pisco os meus olhos diversas vezes com o intuito de acordar do pesadelo, mas diferente do anterior, nesse eu já estava acordada e então eu choro copiosamente.

— Eu falei para você não fazer barulho— e ele me agride puxando o meu cabelo cabelo. — Calada.

— P-Por favor, me deixar ir— imploro.

— Só depois que eu tiver o que quero— diz passando a língua em minha bochecha, o que me causa ânsia de vômito. Tento me soltar, mas a sua mão ainda continua me prendendo com firmeza... Meu Deus, porque isso está acontecendo comigo, penso enquanto choro silenciosamente.

— Você é uma ninfetinha deliciosa— diz tocando em meus seios, tento proteger o meu corpo dele e ele me bate mais uma vez.

— Se você resistir, será pior— diz me virando e pressionando o meu corpo na bancada da pia e juntando o seu corpo no meu. —Se você colaborar, prometo ser carinhoso com você— diz subindo a minha camisola e passando a mão em minha bunda.— Seu corpo é perfeito para mim, criança— e com as suas palavras sinto a minha calcinha sendo rasgada, e querendo evitar o pior me debato pedindo, implorando, suplicando para que ele pare, no entanto ele continua. Ele pressiona o meu rosto no frio metálico da pia e chuta com força a minha perna de modo que se afastam. E nesse momento eu sei, eu sinto que serei estuprada e choro sem me importar com o barulho. E ele não se compadece em nenhum momento comigo, e continua a passar as suas asquerosas mãos pela minha perna chegando próximo a minha intimidade... E talvez por sorte, ou Deus, um barulho surge perto de onde estamos o fazendo afastar de mim.

—Não diga nenhuma palavra do que aconteceu aqui, se não eu te mato, mas antes irei te torturar a ponto de você se arrepender de ter aberto a boca— diz com olhos ameaçadores, ele abaixa a minha camisola, e esconde a minha calcinha em sua mão.

— Oh criança, não precisa chorar foi só um pesadelo— diz limpando as minhas lágrimas.

— O que aconteceu Padre? A Luna está bem?— diz a Irmã Maria ao aparecer na nossa frente.

— Ela está bem, só teve um pesadelo. Não é mesmo, Luna?— pergunta olhando em meus olhos com vestígio de ameaça.

—S-Sim, foi só um p-pesadelo— digo ainda chorando. — Por favor, Maria fique um pouco comigo no quarto, estou com medo— imploro, pois estando alguém comigo ele não irá atrás de mim.

— Claro, minha menina—diz andando em minha direção e pegando meus ombros. — Vamos!

— Não se esqueça o que eu lhe disse, Luna— sua voz mesmo que calma, meus ouvidos captam o aviso.

— O que você disse a ela Padre?—questiona Maria olhando para mim e depois para ele.

— Nada demais, apenas disse a ela que nada daquilo é real.

— Mas você já sabe disso né Luna?— confirmo com o levantar e descer da cabeça.

— Vamos Maria— e seguimos para fora dali, mas não sem antes ouvir a sua voz nojenta. — Durma bem, criança.

Continue assistindo!
A história está ficando intensa! Mude para o App para continuar
Desbloquear Todos os Episódios
Abrir o Site Oficial

Você pode gostar

Capa do romance A filha do Mafioso: Entre segredos e traições
8.4
Anna é a audaciosa herdeira de um clã da máfia italiana, conhecida por sua astúcia e frieza ao manipular homens. Sua rotina de poder é abalada quando um rival misterioso tenta sequestrá-la. Após um confronto violento, ela acaba ferida e capturada. Agora, presa em uma rede de traições, Anna precisa decidir em quem confiar. No centro desse jogo perigoso, ela descobre que seu maior inimigo pode ser o homem que desperta nela uma paixão proibida e avassaladora.
Capa do romance A Garçonete É a Verdadeira Rainha da Máfia
7.9
Disfarçada de garçonete na boate de seu noivo, a filha do Don Supremo testava a lealdade de Caio Bastos. Ao ser queimada propositalmente pela amante dele, ela esperava justiça, mas recebeu humilhação. Para agradar investidores, Caio ordenou que ela se ajoelhasse perante a rival. Ele não sabia que acabara de condenar seu império. Sem lágrimas, ela aciona o Código Negro. O submundo desperta quando a herdeira exige que seu pai envie os lobos para o acerto de contas.
Capa do romance Amor bandido
8.8
Felipe Albuquerque, um delegado federal determinado, dedicou sua vida ao planejamento de uma vingança implacável contra a perigosa criminosa Katherine Russell. No entanto, o destino intervém de forma inesperada quando o oficial se vê cara a cara com a poderosa líder da máfia. Entre o dever profissional e uma atração imprevista, Felipe enfrenta um dilema crucial. Conseguirá ele cumprir sua missão e prendê-la, ou o amor falará mais alto nesta perigosa trama?
Capa do romance Casamento por contrato com o Mafioso
9.2
Yakov aceita um matrimônio por conveniência com a herdeira da máfia mexicana para infiltrar-se e investigar os crimes do sogro. Contudo, Audreen some sem deixar rastros logo após o casamento. Anos mais tarde, ele a localiza em uma colina remota, mas ela não está sozinha: três crianças idênticas a acompanham. Diante de seus supostos filhos, um Yakov impactado confronta o passado e exige a verdade sobre o sumiço e os segredos que ela esconde.
Capa do romance CASAMENTO PREDESTINADO COM UM MAFIOSO
8.9
Alice Sullivan possui uma personalidade indomável, mas se vê forçada a aceitar um matrimônio indesejado por questões de destino. Seu noivo é o temido Rodrigo Ferrari, o Don da máfia italiana que exerce controle absoluto sobre tudo. Conhecido pelo apelido de El Diablo, ele carrega a sombria fama de ser um dos assassinos mais implacáveis da história. Em um mundo de crimes, a jovem enfrentará o poder perigoso do homem que todos aprenderam a temer.
Capa do romance Catarina, a filha da máfia
8.4
Catarina cresceu protegida dos negócios sombrios de seu pai, o líder da máfia italiana. Entretanto, seu isolamento termina ao conhecer Dante, um mafioso fiel às tradições criminosas. O impacto desse encontro gera uma conexão profunda e inevitável entre os dois. Agora, eles enfrentam dilemas perigosos: será que o chefe permitirá esse romance proibido? Dante ousará arriscar tudo pela filha do patrão? O destino selará o futuro desse amor cercado por riscos.