
A mentira
Capítulo 3
As lágrimas começaram a cair assim que fechei a porta atrás de mim. Não conseguia acreditar que minha melhor amiga e o amor da minha vida estavam prestes a se casar. E eu? Eu era apenas uma espectadora nessa história, uma espectadora que escondia sua própria dor.
Minhas mãos tremiam enquanto tentava secar minhas lágrimas. Foi então que saí do banheiro e choquei-me com um desconhecido. Ele me agarrou antes que eu caísse no chão e me segurou em seus braços.
- Você está bem? - perguntou, preocupado.
Não consegui me conter mais, as lágrimas voltaram a brotar e eu contei tudo, tudo sobre Sam e Rang, sobre como estive apaixonada por ele desde que éramos crianças e como agora estava prestes a perdê-lo para sempre.
O desconhecido me ouviu em silêncio, seus braços ainda envoltos ao meu redor.
Ficamos ali, no meio do corredor, enquanto eu soluçava em seus braços. Depois de alguns minutos, percebi a realidade. Eu não sabia quem era aquele homem.
- Oh Deus! Desculpe, vou estragar seu terno e sua noite - disse enquanto me afastava dele e olhava diretamente em seu rosto.
Meus olhos pararam em seu rosto e fiquei hipnotizada por sua incrível beleza. Sua mandíbula bem definida acentuava suas feições perfeitas, enquanto seus intensos olhos azuis me observavam com curiosidade.
Seus lábios estavam ligeiramente entreabertos, como se estivesse prestes a dizer algo, e um suave sorriso brincava em seus lábios. Seu cabelo escuro caía desordenadamente sobre sua testa, dando-lhe um ar descontraído e atraente.
Um arrepio percorreu minha coluna ao me dar conta da elegância e masculinidade que esse homem exalava com apenas um olhar. Sua presença era magnética e eu não conseguia desviar os olhos dele.
Percebi que estava sorrindo bobamente enquanto o olhava, mas não me importava. Naquele momento, só existia ele e sua beleza irresistível que me tinha completamente cativada. Era como se eu tivesse encontrado a personificação da perfeição naquele homem desconhecido.
- Você gosta do que vê? - perguntou com aquela voz, que era melhor que seu próprio físico.
- Desculpe, sinto muito, eu preciso ir. Meus pais estão me esperando.
Caminhei na direção da sala. Já tinha me ausentado o suficiente. Mas quem era aquele homem? O que estava fazendo ali? Era uma festa privada.
Cheguei à mesa. Meus pais me esperavam e era hora de dançar.
- Filha, quero que dancemos - disse meu pai, convidando-me para a pista. Não recusei. A música começou a tocar e todos os convidados se aproximaram. Meu pai segurou minha mão e a música começou a tocar. Sorri, mas dessa vez era um sorriso verdadeiro. Dançar com meu pai sempre foi um dos meus maiores prazeres. Passávamos o tempo dançando no jardim.
- Quero que me perdoe se fui rude com você - disse meu pai enquanto me fazia girar como uma princesa.
- Perdão você a mim por reagir dessa forma. Espero que entenda que não é fácil, mas eu aceito - disse sem mais, sem pensar. Estava ferida pelo que aconteceu com Sam e Rang. Ele sempre foi um amor impossível e agora muito mais. Me sacrificar era minha melhor opção.
- Você tem certeza, filha? - perguntou meu pai, mas não respondi porque um homem se aproximou de nós. Não lhe prestei atenção enquanto olhava os convidados que me cumprimentavam.
- Senhor Rafael, poderia me permitir dançar com sua filha?
Tive que me virar e olhar para o homem para poder começar a dançar. Grande foi minha surpresa ao descobrir que era o mesmo com quem havia colidido no banheiro.
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