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Capa do romance A Mentira Que Apagou Minha Vida

A Mentira Que Apagou Minha Vida

Casada com o herdeiro Heitor Ferraz, vi meu sonho virar pesadelo após um acidente forjado. Por cinco anos, fui apagada de sua vida enquanto ele fingia amnésia para encobrir a culpa pela morte dos meus pais. Após descobrir que meu sofrimento e perdas foram orquestrados por diversão, decidi que a humilhação acabou. Agora, reconstruída e fortalecida, vou usar uma transmissão ao vivo para expor seus crimes e destruir seu império tecnológico diante de todo o mundo.
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Capítulo 3

Ponto de Vista de Bruna Matos:

A escuridão era um cobertor sufocante, mas também era um escudo. Eu estava ali, em carne viva e quebrada, a dor fantasma da morte de Sombra uma dor constante no meu peito, mais real do que a pulsação do meu corpo maltratado. Ele se fora, e com ele, os últimos vestígios da minha crença ingênua na inocência de Heitor. Não havia mais nada a perder, nenhuma esperança frágil a proteger. Uma determinação fria e dura começou a se cristalizar dentro de mim. Isso não era mais apenas sobre sobrevivência. Era sobre vingança.

Assim que a consciência retornou, arrastei meu corpo maltratado para cima. Cada movimento era uma agonia, mas a dor era um rugido surdo comparado ao fogo que agora queimava em minha alma. Comecei a vasculhar metodicamente os confins da minha pequena prisão, não em busca de uma fuga, mas de qualquer coisa que pudesse ser reaproveitada. Um velho uniforme de serviço esquecido em um armário empoeirado se tornou meu disfarce. Um abridor de cartas enferrujado e descartado, uma ferramenta grosseira, tornou-se minha arma. Minhas lágrimas haviam secado, substituídas por uma determinação gélida.

Uma batida suave na porta me assustou. "Bruna?" Uma voz tímida. Era Maria, uma das empregadas, seu rosto geralmente uma tapeçaria de medo e subserviência. "O Sr. Ferraz... ele está perguntando por você. Ele quer que você vá ao escritório principal." Seus olhos estavam arregalados, cheios de uma pena preocupada que revirou meu estômago.

Olhei para ela com desconfiança. Maria sempre fora gentil, mas a gentileza nesta casa era uma mercadoria perigosa. "O que ele quer?", perguntei, minha voz rouca.

"Eu... eu não sei", ela gaguejou, torcendo as mãos. "Ele parecia muito zangado. E a Sra. Medeiros também está lá." Uma armadilha. Claro. Carolina não perderia a oportunidade de se gabar, de torcer a faca. Mas um brilho de algo nos olhos de Maria, um apelo genuíno, me fez hesitar. Talvez, apenas talvez, esta fosse minha chance de aprender mais, de coletar informações. Eu não tinha mais nada a perder.

Segui Maria pelos corredores labirínticos, meu corpo maltratado se movendo com uma rigidez recém-descoberta. O escritório era opulento, com painéis escuros, cheirando a dinheiro antigo e poder. Heitor estava de pé junto à enorme lareira, de costas para nós, sua postura rígida. Carolina se esparramava em um sofá de veludo, um sorriso triunfante brincando em seus lábios, uma delicada xícara de chá na mão.

"Ah, Bruna", Carolina ronronou, sua voz doce como veneno. "Estávamos justamente falando de você." Ela gesticulou para a mesa de centro. Uma única folha de papel estava ali, branca e nítida contra a madeira escura. Meu coração afundou. Eu sabia o que era antes mesmo de ver.

"Heitor", eu disse, minha voz monótona, desprovida de emoção. "O que é isso?"

Ele se virou, seu rosto uma máscara de fria indiferença. "Você sabe o que é, Bruna. É hora de oficializar as coisas." Seus olhos, antes tão ternos, agora não continham nada além de desprezo.

Caminhei em direção à mesa, meus pés pesados. O papel era um acordo de divórcio, simples e brutal. Meus olhos percorreram a parte inferior. A assinatura de Heitor, ousada e decisiva, já preenchia a linha. Um pavor frio se infiltrou em meus ossos. Ele tinha feito isso. Ele havia assinado o fim do nosso casamento, o último laço legal entre nós, sem um momento de hesitação.

"Você assinou isso?", perguntei, minha voz mal um sussurro. A pergunta era retórica. Eu vi o nome dele, inegavelmente dele.

"Claro", ele disse, seu tom desdenhoso. "Já passou da hora. Agora assine o seu, e todos nós podemos seguir em frente."

Minha mão tremia, mas não de medo. Com uma raiva fervente que ameaçava me consumir. "Não", eu disse, minha voz ganhando força. "Não. Eu não vou assinar. Não assim. Não sem você olhar nos meus olhos e me dizer por quê."

Carolina riu, um som frágil e zombeteiro. "Oh, Bruna, por favor. Ele deixou bem claro, não é? Você é um passivo, um constrangimento. Ele tem uma família agora. Uma família de verdade." Ela se levantou, sua postura irradiando superioridade presunçosa. "Apenas assine os papéis e desapareça. É o melhor para todos."

"Não vou assinar nada até que Heitor me diga na minha cara", insisti, cruzando os braços, um desafio que eu não sabia que ainda possuía. "Eu mereço pelo menos isso."

O sorriso de Carolina desapareceu, substituído por uma carranca venenosa. "Você não merece nada, sua vadia patética!" Sua mão disparou, um tapa ardente no meu rosto. A força me fez cambalear para trás, meus ouvidos zumbindo, minha visão momentaneamente embaçada.

"Como ousa!", gritei, minha própria mão voando para minha bochecha, deixando uma mancha de sangue fresco. Uma onda de fúria, quente e desenfreada, percorreu-me. Avancei sobre ela, sem me importar com as consequências, sem me importar com Heitor, apenas em silenciá-la. Minhas mãos se fecharam, prontas para atacar.

Mas antes que eu pudesse alcançá-la, uma mão pesada agarrou meu braço, torcendo-o dolorosamente para trás. Era Heitor, seu rosto uma nuvem de tempestade. Ele me empurrou com força, me jogando em direção à grande janela ornamentada que dava para o pátio interno. Minha cabeça girou, o impacto sacudindo meu corpo já machucado.

Gritei, mais de choque do que de dor, ao perder o equilíbrio. Minha mão instintivamente se estendeu, agarrando algo, qualquer coisa para amortecer minha queda. Meus dedos rasparam no vidro frio, depois encontraram apoio nas pesadas cortinas de veludo. Por uma fração de segundo, fiquei precariamente suspensa, entre o elegante escritório e o pátio de pedra dura abaixo.

Então, o tecido rasgou.

Um solavanco doentio no meu estômago, uma rajada de ar frio, e o chão veio correndo ao meu encontro. A dor, ofuscante e avassaladora, explodiu através do meu corpo quando atingi a pedra implacável. Minha cabeça bateu no chão, um som agudo e doentio. A escuridão mordiscou as bordas da minha visão, mas não antes de eu ouvir a risada triunfante de Carolina e as instruções gritadas de Heitor para os guardas.

Meu corpo parecia vidro quebrado, cada articulação gritando em protesto. Uma dor aguda e lancinante atravessou meu baixo-ventre. Ofeguei, um som rouco e estrangulado, enquanto uma onda carmesim se espalhava debaixo de mim, nítida contra a pedra cinzenta. Um bebê. Nosso bebê. Aquele que eu nem sabia que carregava. Se foi.

Gritos distantes, o baque apressado de passos. Uma figura borrada se inclinou sobre mim, depois outra. Mãos me tocaram, seus movimentos desajeitados, mas urgentes. Tentei falar, gritar, mas apenas um gemido suave escapou dos meus lábios. Através da névoa de dor, vi Heitor. Ele estava correndo em direção a Carolina, que agora agarrava seu próprio estômago, lamentando dramaticamente. "Meu bebê! Ela me empurrou! Ela matou nosso bebê!"

O rosto de Heitor, contorcido de raiva, estava focado apenas em Carolina. Ele a embalou em seus braços, sussurrando garantias, enquanto eu jazia sangrando, morrendo, esquecida nas pedras frias de seu pátio. A ironia era um gosto amargo na minha boca. Ele acreditou nela. Ele sempre acreditou nela. E naquele momento, enquanto o mundo se desvanecia, eu soube que o verdadeiro mal não estava apenas no ato, mas na indiferença daquele que o permitiu.

Acordei em uma cama de hospital, o cheiro familiar de antisséptico agredindo meus sentidos. Meu corpo era um mapa de dor, cada centímetro gritando em protesto. Uma bandagem grossa envolvia minha cabeça, e meu braço esquerdo estava em uma tipoia. Mas a dor mais profunda estava no meu útero, um espaço oco e vazio onde a vida uma vez tremeluziu. Meu bebê. Se foi.

A porta rangeu ao se abrir, e Carolina entrou, uma visão de branco imaculado, um buquê de lírios em sua mão. Seu sorriso era sacarino, mas seus olhos, cheios de um triunfo arrepiante, não tinham pretensão. "Já acordada, Bruna?", ela chilreou, puxando uma cadeira para perto da minha cama. "Que resiliência. Pena que não pôde salvar seu... pequeno problema." Ela gesticulou vagamente para o meu abdômen.

Meu maxilar se contraiu, mas não disse nada. Minha garganta estava em carne viva, meu corpo fraco demais para lutar.

"Os médicos disseram que foi um milagre eu ter conseguido segurar o meu", ela continuou, dando tapinhas em sua barriga lisa com um sorriso de satisfação. "Mas você, querida Bruna... tão desajeitada. Caindo da escada daquele jeito. Tsc, tsc."

Olhei para ela, meus olhos ardendo. Ela me empurrou. Mas eu não conseguia falar, não conseguia acusar. Quem acreditaria em mim? Heitor claramente não acreditou.

"Não se preocupe", ela arrulhou, "Heitor acredita em mim. Ele sempre acredita. Ele está devastado, é claro, com o que você fez ao nosso bebê. Mas ele é um homem forte. Ele vai superar. Especialmente comigo ao seu lado." Ela se inclinou, sua voz baixando para um sussurro baixo e ameaçador. "E você, Bruna, vai assinar aqueles papéis de divórcio. Ou talvez, algo muito mais... permanente."

Uma enfermeira entrou apressada, carregando uma bandeja com uma tigela de sopa. "Hora do seu jantar, Sra. Matos", ela disse alegremente.

Os olhos de Carolina se iluminaram. "Oh, perfeito! Bruna, querida, eu me certifiquei de que eles trouxessem algo especial para você. Seu favorito, eu acredito? Sopa de camarão." Ela empurrou a tigela para mais perto de mim, o aroma pungente fazendo meu estômago se contrair.

Meu coração martelava contra minhas costelas. Camarão. Eu era violentamente alérgica a camarão. Tinha sido uma das primeiras coisas que Heitor aprendeu sobre mim, um dos muitos pequenos detalhes que ele um dia valorizou.

Balancei a cabeça, empurrando a tigela com minha mão boa. "Não, obrigada", grasnei, minha garganta apertada.

O sorriso de Carolina se apertou nas bordas. "Bobagem, você precisa de sua força. Heitor quer que você se recupere rapidamente." Seus olhos me desafiaram a recusar.

Nesse momento, Heitor entrou, seu rosto sombrio. "Bruna", ele disse, sua voz fria. "Coma sua sopa. Você precisa ficar bem." Ele olhou para a tigela, depois de volta para mim, seu olhar indecifrável.

"Eu não posso", sussurrei, meus olhos suplicando a ele, procurando por qualquer lampejo de reconhecimento, qualquer memória da minha alergia. "Heitor, eu sou alérgica. Você sabe disso."

Ele me encarou por um longo momento, depois soltou uma risada curta e oca. "Alérgica? Bruna, honestamente, suas encenações são exaustivas. Você está tentando me manipular de novo, não é?" Ele pegou a colher, um brilho aterrorizante em seus olhos. "Coma. Ou eu mesmo te dou na boca."

Meu coração despencou. Ele havia esquecido. Ou talvez, pior, ele simplesmente não se importava. O homem que uma vez memorizou cada detalhe sobre mim, que me levou correndo para o pronto-socorro quando acidentalmente ingeri um pequeno pedaço de camarão, agora estava diante de mim, preparado para me envenenar ele mesmo. A traição suprema. O apagamento supremo. Ele realmente se foi. E eu, verdadeiramente, estava completamente sozinha.

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