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Capa do romance A Mentira de Três Anos: Sua Doce Vingança

A Mentira de Três Anos: Sua Doce Vingança

No dia em que descobri minha gravidez, soube que Antônio Fontes, meu noivo, planejou nosso romance de três anos como uma vingança cruel. Ele nunca me amou; apenas serviu aos desejos de uma amiga de infância. Sofri perdas e torturas psicológicas sob seus cuidados falsos. No altar, enquanto ele esperava para me humilhar, eu já estava longe. Iniciei minha revanche expondo sua confissão ao mundo inteiro. O jogo virou e minha vingança apenas começou.
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Capítulo 3

Erica POV:

A semana seguinte foi um borrão de luto silencioso e planejamento frio e metódico. Organizei a cremação da vovó, suas cinzas colocadas em um simples medalhão de prata que pendurei no pescoço. Era frio e sólido contra minha pele, um pedaço tangível do único amor incondicional que eu já conheci.

Fiquei diante de seu nicho no columbário, traçando seu nome gravado no mármore. "Ele não é um bom menino, vovó", sussurrei, minha voz embargada. "Mas não se preocupe. Eles vão pagar. Eu prometo, todos eles vão pagar."

A parte mais difícil foi voltar para o apartamento — nosso apartamento. O lindo loft na Vila Madalena que Antônio insistiu em comprar, um lugar cheio de três anos de memórias fabricadas. Enquanto eu estava do lado de fora da porta, procurando minha chave, eu ouvi. Risadas. A risada alta e tilintante de uma mulher, entrelaçada com os barítonos mais profundos de Antônio e Emanuel.

Foi tão chocante, tão completamente desrespeitoso, que pareceu um golpe físico. Meu luto, que tinha sido um manto silencioso e pesado, se incendiou em uma fúria branca e quente.

Antes que eu pudesse recuar, a porta se abriu. Era Antônio. Seu sorriso desapareceu quando me viu, substituído por um lampejo de irritação.

"Erica", disse ele, seu tom plano. "Você voltou."

Ele se afastou, um comando silencioso para que eu entrasse. Meus pés pareciam de chumbo, mas me forcei a entrar na cova dos leões.

Lá, sentada no meu sofá, aninhada entre Emanuel e uma pilha de revistas de casamento, estava Bianca Tavares. Ela olhou para cima, seu rosto de boneca arranjado em uma expressão de doce preocupação. O braço de Emanuel estava possessivamente sobre o encosto do sofá, seus dedos a centímetros do ombro dela.

Ao vê-la, um tremor violento percorreu meu corpo. Foi involuntário, uma reação primal de presa sentindo seu predador. O armário escuro, a risada zombeteira, o chute forte nas minhas costelas — tudo voltou correndo.

"Erica, querida, você está tremendo", disse Bianca, sua voz pingando falsa simpatia enquanto ela deslizava em minha direção. Ela estava ainda mais bonita do que eu me lembrava, sua beleza uma arma que ela empunhava com precisão de especialista. "Estávamos tão preocupados com você."

Ela estendeu a mão para tocar meu braço e, quando seus dedos roçaram minha pele, ela se inclinou para perto, seu hálito um sussurro venenoso em meu ouvido. "Ainda a mesma ratinha patética e trêmula, não é?"

As palavras eram uma citação direta de uma de suas tiradas atormentadoras na faculdade.

O instinto tomou conta. Eu recuei, empurrando-a para longe de mim. Não foi um empurrão forte, mais um recuo reflexivo, mas Bianca era uma mestra do teatro. Ela tropeçou para trás com um suspiro dramático, sua mão voando para o peito como se eu a tivesse golpeado.

"Erica!", ela chorou, seus olhos se enchendo de lágrimas de crocodilo. "Eu só estava tentando te consolar!"

A mudança na sala foi instantânea. A diversão casual desapareceu dos rostos dos gêmeos, substituída por máscaras gêmeas de fúria fria.

"Qual é o seu problema?", Antônio rosnou, colocando-se entre nós para proteger Bianca. Ele olhou para mim como se eu fosse um pedaço de lixo que ele encontrou em seu sapato. "Peça desculpas a ela. Agora."

"Por cada lágrima que a Bianca derramou por causa daquela vadia. Isso é justiça." Suas palavras do clube ecoaram em minha mente. Esta era a performance. Esta era a raiva justa que ele sentia por seu amor delicado e vitimizado.

A dor era tão aguda, tão absoluta, que era quase esclarecedora. Eu não disse nada. Apenas me virei para sair. Eu não conseguia respirar naquele espaço, sufocada por mentiras e pelos fantasmas do meu passado.

"Onde você pensa que vai?" Antônio agarrou meu braço, seu aperto como ferro. Foi a primeira vez que ele colocou a mão em mim com raiva, e o choque foi tão doloroso quanto a pressão em meus ossos.

"Ela precisa aprender uma lição, Antônio", disse Emanuel, seus olhos brilhando com uma luz cruel. "Ela está ficando um pouco arrogante demais para sua origem humilde."

"Você está certo", concordou Antônio, sua voz caindo para um registro perigosamente baixo. "Ela foi mimada por muito tempo. É hora de um pouco de disciplina."

Meu coração martelava contra minhas costelas. Ele começou a me arrastar pela sala de estar, passando pela cozinha de conceito aberto, por um corredor curto que eu raramente usava.

"Antônio, o que você está fazendo?" Lutei contra seu aperto, mas ele era imovível.

Ele parou em frente a uma pequena porta sem marcação. Um depósito. Ele a destrancou e abriu, revelando um espaço pequeno e sem janelas, totalmente escuro por dentro.

Ele me empurrou para dentro.

"Não!" O grito foi arrancado da minha garganta enquanto eu recuava, minha antiga fobia subindo como bile. "Não, por favor, Antônio, não!"

A escuridão, o confinamento — era uma réplica perfeita do tormento que Bianca havia me infligido anos atrás.

Ele sabia. Ele sabia sobre o armário na faculdade, os ataques de pânico, os anos de terapia que levei para conseguir andar de elevador sem hiperventilar. O homem que me abraçou durante meus pesadelos, que prometeu ser minha luz na escuridão, agora estava usando essa mesma escuridão como uma jaula.

"Você vai ficar aqui até aprender a respeitar a Bianca", disse ele, sua voz fria e final do outro lado da porta. "Pense nisso como uma punição por um crime que você não cometeu." Suas palavras eram um eco arrepiante de nossa primeira conversa sobre ela, distorcidas em um novo e monstruoso significado.

A fechadura clicou.

Escuridão absoluta. Silêncio absoluto.

"Antônio!", gritei, batendo com os punhos na madeira pesada até meus nós dos dedos ficarem em carne viva. "Me deixe sair! Por favor!"

Apenas o som fraco dos murmúrios preocupados de Bianca e dos irmãos me responderam.

Deslizei pela porta, encolhendo-me em uma bola apertada no chão, meu corpo tremendo incontrolavelmente. Cada momento terno, cada promessa sussurrada, cada toque gentil se repetia em minha mente, agora manchado e grotesco. Tudo tinha sido uma mentira. Uma performance. Ele havia coletado minhas vulnerabilidades como segredos preciosos, não para me proteger, mas para encontrar a maneira mais eficaz de me quebrar.

Este armário não era apenas uma punição. Era um inferno feito sob medida, projetado com conhecimento íntimo e amoroso dos meus medos mais profundos. E enquanto eu estava sentada ali, sufocando no escuro, finalmente entendi. Isso não era apenas vingança. Isso era aniquilação.

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