
A Melodia da Justiça
Capítulo 3
O rosto de Joana perdeu a cor. A máscara de inocência caiu, revelando o pânico puro. Ela rapidamente se recompôs, e as lágrimas começaram a brotar em seus olhos, uma tática que ela dominava desde a infância.
"Maria, como você pode dizer uma coisa dessas?" , sua voz tremeu, carregada de uma dor fabricada. "Eu te amo mais que tudo. Eu nunca faria nada para te machucar. Você está nervosa com o lançamento, é isso. Eu entendo."
Ela se virou para a plateia, buscando a simpatia que sempre conseguia com tanta facilidade.
"Por favor, perdoem minha irmã. A pressão sobre ela é imensa. Ela não quis dizer isso."
A multidão começou a murmurar, alguns com pena, outros com confusão. Era a mesma cena da minha vida passada. Joana, a vítima. Maria, a descontrolada.
Mas eu não era mais aquela Maria.
"Chega de teatro, Joana" , minha voz era firme, cortando o seu lamento. "Você acha que essas lágrimas funcionam comigo? Eu te conheço desde o dia em que você nasceu. Eu sei cada mentira antes mesmo que ela saia da sua boca."
Eu dei um passo à frente, diminuindo o espaço entre nós. O cheiro do perfume dela, um presente meu, me enojou.
"Você não me ama. Você ama o que eu tenho. Você cobiça minha voz, minha carreira, a atenção que eu recebo. Você sempre quis ser eu. E hoje, você achou que finalmente conseguiria."
A expressão de Joana endureceu. As lágrimas secaram.
"Você está louca" , ela sibilou.
"Estou?" , eu ri, um som amargo. "Vamos ver. Diga a todos, Joana. Diga a todos o que você fez com o arquivo de áudio da minha música. O arquivo que você insistiu em 'revisar' para mim ontem à noite, como um 'favor' ."
O pânico voltou aos olhos dela, mais forte desta vez. Ela sabia que eu sabia. Como, ela não entendia, mas isso não importava.
"Eu não sei do que você está falando!"
"Sabe sim."
Agarrei o braço dela com força. Sua pele era macia, mas meu aperto era de ferro. Ela tentou se soltar, mas eu não cedi.
"Você vai sair deste palco. Agora" , ordenei em um tom baixo e perigoso.
"Me solta! Você está me machucando!" , ela gritou, voltando ao seu papel de vítima.
Foi nesse momento que ele interveio. Lucas, meu noivo. O homem que deveria estar ao meu lado, me defendendo. Em vez disso, ele subiu no palco, seu rosto uma máscara de fúria e vergonha.
"Maria, já chega! O que diabos você pensa que está fazendo?" , ele disse, tentando puxar minha mão do braço de Joana.
Eu o encarei. O mesmo olhar de decepção que ele me deu na outra vida, antes de me virar as costas e ficar ao lado de Joana. A memória era uma ferida aberta.
"Estou colocando a sua protegida no lugar dela" , respondi, fria.
"Protegida? Ela é sua irmã! E você está a humilhando na frente de toda a indústria da música!" , ele esbravejou. "Você está destruindo sua própria festa de lançamento! Você está nos envergonhando!"
" 'Nós' ?" , repeti a palavra com desprezo. "Não existe mais 'nós' , Lucas. Não depois disso."
A expressão dele mudou de raiva para incredulidade.
"O que você está dizendo? Você está terminando nosso noivado? Aqui? Agora? Por causa de um ataque de ciúmes?"
"Não é ciúmes quando a ameaça é real" , eu disse, soltando finalmente o braço de Joana, que correu para se esconder atrás de Lucas, soluçando.
Lucas me olhou com um desprezo gelado.
"Pense bem no que está fazendo, Maria. Sua reputação já está em jogo com essa cena ridícula. Se você continuar, se insistir em me afastar, eu vou garantir que todos saibam o quão instável e difícil você é. Nenhuma gravadora vai querer uma diva problemática."
Era uma ameaça clara. Ele estava usando nosso relacionamento, meu futuro, para me chantagear. Para proteger Joana.
Eu olhei para ele, para o homem com quem planejei um futuro, e vi apenas um traidor. Na minha outra vida, suas palavras me aterrorizaram. Nesta, elas apenas acenderam o fogo da minha vingança.
"Ameaças, Lucas?" , eu sorri, um sorriso que não alcançou meus olhos. "Você realmente não entendeu nada, não é? Vocês dois não entenderam."
Meu olhar passou dele para a minha irmã trêmula.
"A festa de hoje pode ter acabado. Mas o meu show... está apenas começando."
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