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Capa do romance A Maldição do Alfa

A Maldição do Alfa

No império dos lobos, as bruxas são escravas do temível Tharion, o Alfa mais cruel da história. Elowen, uma jovem bruxa, é selecionada para servir aos desejos do rei e gerar seu herdeiro. Contudo, a gravidez abençoada pela Deusa da Lua abala as convicções do soberano, transformando o ódio em uma paixão avassaladora. Entre conflitos e poder, resta saber se uma escrava pode se tornar Luna e qual será a verdadeira natureza da criança que está por vir.
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Capítulo 2

Tharion

A escolhi por dois motivos: seus olhos negros e desafiadores e seu poder de fogo. Preciso de um herdeiro, mas não quero uma companheira. Também não quero uma mulher maculada, por isso escolhi uma virgem. Resolvi unir a utilidade de uma serva pessoal e possível genitora do meu filho com uma habilidade que pudesse ser útil em um futuro próximo.

Uma guerra se aproxima, meu reino estará exposto, meu império de lobos será abalado se eu morrer e não houver um herdeiro para herdar o que conquistei. 

O som na porta me desperta.

- Entre.

- A serva, senhor - A empregada avisa e, ao se afastar, o meu lobo desperta ao ver a mulher linda na minha frente. O corpo imaculado vestindo apenas o tecido banco fino. Transformo-me em lobo imediatamente.

Elowen se assusta ao ver o lobo negro gigantesco que me tornei, e me aproximo dela. Mas logo se recupera da surpresa e se mantém inabalável em seu lugar. Gostei disso nela, silenciosa e sabe controlar o medo como poucos conseguem. Perfeita.

Cheiro a beldade na minha frente. Seus cabelos foram domados pelas mulheres que a prepararam e seu corpo está limpo e cheiroso. Meu focinho toca seu ventre e ela permanece imóvel, quero sentir seu cheiro. O cheiro da sua intimidade. Abaixo o focinho apreciando o aroma. Pura, posso sentir pelo seu cheiro que nenhum outro homem a tocou antes.

Volto a minha forma humana, e ela evita olhar meu corpo. 

- Não desvie o olhar - rosno, segurando em sua face e virando-a para mim. Ela me encara e vejo determinação em seus olhos.

- Sente-se  - digo, apontando a poltrona do quarto. Me sento na beirada da minha cama.

Ela se acomoda na poltrona, nervosa, porém calada. - Te escolhi porque servirá a um propósito, se aceitar. 

Seus olhos arregalam-se, mas ela permanece em silêncio. 

- Em uma semana a lua alcançará o seu auge em poder e brilho, e nesta noite preciso conceber um filho. 

- Lamento, majestade - finalmente ela fala alguma coisa. - Mas se tivesse me dito suas intenções eu teria lhe avisado. 

- O que quer dizer, serva? - Irrito-me.

- Meu ventre é seco - Seus olhos estão focados em um único ponto e tento farejar a mentira, mas só encontro o perfume da verdade. Tenho o dom de sentir se o que as pessoas dizem é verdade ou mentira, e ela diz a verdade.

- Como sabe que seu ventre é seco se é uma virgem? - Encaro com os olhos estreitos de tanta irritação.

- Uma maldição, majestade. Fui amaldiçoada por uma bruxa em seu leito de morte e eu senti sua maldição se instalar quando seus olhos se fecharam e seu fôlego a deixou.

Mais uma vez percebo que ela fala a verdade.

- A deusa mãe me guiou até você - afirmo. - Ela queimará e destruirá a maldição, e abençoará seu ventre com um herdeiro. 

Ela abaixa a cabeça, encara os dedos e não diz mais nada. 

 Levanto-me e vou até ela, seguro em seu queixo e a faço me encarar mais uma vez.

- Terá uma semana para pensar na minha proposta - Seus olhos escuros me encaram como se pudesse ver a minha alma. - Será tratada como realeza, terá comida e roupas e tudo o que precisar. Se decidir não aceitar, voltará para o lugar de onde veio.

Ela pisca os olhos. Talvez não esperasse que teria escolha. 

- Não será tomada a força, serva. Se é isso que esperava de mim. - Solto o seu queixo e me afasto.

Bato na porta para que a empregada que a estava aguardando possa levá-la para seus aposentos.

Viro as costas quando a porta se abre e vou até a janela, enquanto ela é levada de meu quarto. Sinto uma brisa suave envolver minha pele exposta. Se a serva não aceitar a proposta, terei que esperar mais um mês, e eu tenho pressa. Porém, minha oferta é tentadora.

***

Elowen

Uma semana se passou desde que fui trazida para o castelo do rei alfa. Uma semana que não sei o que é sentir fome, exaustão e sede. Uma semana que durmo em uma cama macia, tomo banho de banheira com água na temperatura que desejo e o melhor de tudo: não sou agredida.

Não o vi novamente, mas sei que hoje é o dia. Ou melhor, a noite.

Com a fama do rei que circula entre os servos, achei que me maltrataria e me tomasse a força quantas vezes quisesse, mas não foi assim. Fiquei surpresa.

Estou usando a costumeira roupa branca dos servos do castelo, parada diante a janela do meu quarto que é amplo, limpo e arejado. O ar fresco da manhã atinge meu rosto, o cheiro dos pinheiros da floresta de pinhais acerta minha narinas e respiro fundo.

É dificil pensar em voltar para a vida que tinha antes, quando experimento algo assim. Aqui ainda sou uma serva, mas nenhum dos empregados do castelo tem a aparência dos servos da área de trabalho. Não são esqueléticos, feridos e andando curvados pelos corredores, pelo contrário.

Talvez meus antepassados possam sentir vergonha de mim, por me vender, mas ser a mãe do filho do rei alfa não me parece algo tão ruim, diante da opção.

Quando estou refletindo, ouço a porta se abrir. As servas que cuidam de mim sempre batem na porta, só pode ser ele. Viro-me e o vejo parado diante da porta já fechada.

Ele é um homem imponente, alto e forte. A pele bronzeada, os olhos verdes intensos naquele rosto severo, os cabelos pretos na altura dos ombros, levemente úmidos, demonstrando um banho recente.

O perfume do homem me acerta em cheio, amadeirado e algo mais forte.

- Pensou na minha proposta? - sua voz sua firme, grossa e me faz estremecer.

- Sim, majestade - respondo em tom baixo, submisso.

Ele se aproxima a passos lentos e segura em meu queixo. Percebo que ele gosta que o olhe no olho. Quando não faço isso espontaneamente ele me força a encará-lo.

- Então diga, aceita ser a mãe do meu herdeiro? Aceita ser possuída por mim nesta noite de lua cheia?

As palavras dele ditas deste jeito, com a voz baixa, contida e rouca, faz meu ventre se aquecer.

- Sim, majestade, aceito.

Ele ergue as narinas e fecha os olhos, um sorriso fino toma sua face. Ele volta a me encarar, e se curva, aproximando-se de mim. Não recuo, afinal, aceitei ser a mãe de seu filho. Seus lábios tocam os meus, quentes e macios, não sei o que esperava do rei, mas com certeza não era isso.

Seus braços em envolvem e sua língua invade a minha boca, fico estagnada sem saber o que fazer. Ele se afasta e abro meus olhos, encarando-o.

- Já foi beijada? - inquire rouco.

- Não senhor - respondo com o rosto se aquecendo devido a vergonha.

Ele volta a sorrir, parece que isso o agrada. A minha inocência, a pureza.

- Acompanhe o movimento da minha língua, verá que é prazeroso.

Ele volta a me beijar, fecho os olhos e faço como me instruiu. Sigo os movimentos de sua língua. Suas mãos invadem o tecido da roupa branca e acaricia a minha pele. Um som que parece um rosnado deixa a sua garganta e sinto uma sensação estranha entre minhas coxas, mas prazerosa, e a sinto úmida como nunca havia sentido antes.

Ele se afasta bruscamente e fico sem entender. Ele está ofegante assim como eu. Não sei o que fazer, por isso fico parada o encarando.

- O seu cheiro está tentador, se não me afastar, a tomarei antes do tempo - diz e então entendo o que fez. - As servas irão prepará-la para esta noite.

Ele sai, batendo a porta, sem olhar para trás.

Logo as empregadas invadem o quarto e o processo da preparação para a noite com o rei começa.

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