
A Maldição da Câmera
Capítulo 3
A memória da minha vida passada é tão vívida que parece que aconteceu ontem.
Depois daquela foto de família no meu aniversário, tudo começou a desmoronar com uma velocidade aterrorizante.
Uma semana depois, minha mãe saiu para fazer compras. Ela nunca mais voltou.
Recebi a ligação da polícia. Um acidente de carro. Um motorista bêbado passou no sinal vermelho e atingiu o carro dela em cheio. O carro ficou destruído. Minha mãe morreu na hora.
Eu me lembro de ir ao necrotério para identificar o corpo. A imagem dela, pálida e sem vida sobre uma mesa de metal fria, nunca vai sair da minha mente.
A dor era insuportável, mas eu tinha que ser forte pelo meu pai.
Ele não aguentou.
A tristeza o consumiu. Ele parou de comer, de falar. Duas semanas após o enterro da minha mãe, eu o encontrei caído no chão do quarto. Um acidente vascular cerebral massivo.
Os médicos disseram que foi um milagre ele ter sobrevivido. Mas a sobrevivência veio com um preço terrível. Ele ficou completamente paralisado. Seus olhos, antes cheios de vida e alegria, agora eram janelas para uma mente aprisionada em um corpo inútil. Ele só conseguia se comunicar piscando.
Enquanto eu tentava lidar com a tragédia pessoal, minha vida profissional também desabou.
Minha empresa de marketing, que estava em pleno crescimento, começou a perder clientes um por um. Contratos foram cancelados sem explicação. Um projeto importante, no qual eu tinha investido quase todo o capital da empresa, falhou espetacularmente.
As dívidas se acumularam. Tive que vender o carro, depois a casa dos meus pais para cobrir os custos médicos e as dívidas da empresa.
O estresse e a dor cobraram seu preço no meu corpo.
Eu perdi peso drasticamente. Meu cabelo começou a cair em tufos. Olheiras escuras se formaram sob meus olhos, e minha pele ficou pálida e sem vida. Eu parecia um fantasma, uma sombra de quem eu era.
Eu tinha 25 anos, mas parecia ter 40.
Em meio a todo esse caos, eu pensei que ainda tinha Marcos. Eu me agarrei a ele como uma tábua de salvação.
Que tola eu fui.
Um dia, enquanto eu estava no hospital ao lado da cama do meu pai, meu celular tocou. Era Marcos.
Sua voz estava fria, distante.
"Ana, precisamos conversar."
"O que foi, Marcos? Aconteceu alguma coisa?", perguntei, meu coração já apertado de ansiedade.
Houve uma pausa.
"Eu não aguento mais", ele disse finalmente. "Olha para você, Ana. Você está um caco. Sua mãe morreu, seu pai está um vegetal, sua empresa faliu. Tudo o que você toca vira desgraça."
Suas palavras eram como facas.
"Você é amaldiçoada. Uma pessoa de má sorte. Eu não posso ficar com você. Isso vai me contaminar."
"Marcos, como você pode dizer isso?", eu solucei, as lágrimas escorrendo pelo meu rosto. "Eu preciso de você."
"Não, eu não quero mais ter nada a ver com você. Acabou, Ana. Estou terminando com você. Por favor, não me ligue mais."
Ele desligou.
Eu olhei para o telefone, incrédula. Ele me abandonou. Ele me chutou quando eu já estava no chão, coberta de lama.
Esse foi o golpe final. Eu não tinha mais forças para lutar.
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