
A mais doce vingança da esposa do Don
Capítulo 3
Ponto de Vista: Isabella
Eu me afastei de seu toque e me refugiei no jardim de inverno, as paredes de vidro parecendo uma jaula. Eu precisava ficar sozinha, para recompor minha compostura fraturada.
Através do vidro, eu o observei. Ele estava na cozinha, com o telefone no ouvido, sua expressão uma máscara perfeita de preocupação. Ele provavelmente estava ligando para o médico da nossa família, marcando uma visita em casa, fazendo o papel do marido dedicado. A performance era impecável. Ele era o homem mais poderoso da cidade, temido por seus inimigos e reverenciado por seus homens, e ele havia construído seu império com esse tipo de controle, essa habilidade de apresentar uma fachada perfeita para o mundo.
Enquanto eu o observava mentir, uma estranha sensação de clareza me invadiu. O tremor parou. A náusea recuou. O que restou foi uma certeza fria e dura. Eu sabia exatamente o que tinha que fazer.
Voltei para a cozinha. Ele desligou o telefone. "O Dr. Evans está a caminho."
"Não é necessário", eu disse. "Eu sei o que vai me fazer sentir melhor. Deveríamos convidar seus pais para jantar amanhã à noite. Já faz muito tempo."
Ele pareceu surpreso, depois cauteloso. "Jantar? Amanhã? Bella, eu tenho..."
"Você tem planos", completei por ele. "Eu sei. Cancele-os."
Ele mudou o peso do corpo, um lampejo de pânico em seus olhos escuros. Ele estava encurralado. Recusar um jantar em família com seus pais, o antigo Don e sua esposa, seria um insulto. Levantaria questões. Giovanni Moretti não gostava de questões.
"Claro", ele disse, as palavras tensas. "Vou remanejar as coisas. Por você."
Naquela noite, esperei até que ele estivesse dormindo, sua respiração profunda e regular. Saí da cama e voltei ao seu escritório. O laptop dele estava na mesa, em modo de espera. A senha era a data em que nos conhecemos. A ironia era tão espessa que sufocava.
Ele tinha uma pasta oculta. Dentro havia um vídeo.
Eu cliquei para reproduzir. Era Sofia. Ela estava em um quarto que eu não reconheci, usando um dos meus robes de seda, aquele que ele me comprou em Paris. Ela estava mostrando a mão para a câmera, exibindo um anel. Não uma aliança de casamento, mas um anel de compromisso de diamante.
"Em breve, serei a Sra. Moretti", ela disse para a câmera, sua voz escorrendo um triunfo venenoso. "E ela não será nada."
Então, a câmera se moveu, e Gio estava lá. Ele a beijou, um beijo profundo e possessivo que ele costumava me dar. Ele não disse nada. Não precisava.
Eu não senti nada. Nenhuma dor. Nenhum ciúme. Apenas um vazio profundo e arrepiante. Era como assistir a um filme sobre dois estranhos. A mulher na tela, Isabella Moretti, já estava morta. Eu era apenas seu fantasma, esperando o momento certo para desaparecer.
Ele se mexeu durante o sono, procurando por mim no espaço vazio da cama. "Bella", ele murmurou, a voz grossa de sono.
Eu deslizei de volta para debaixo das cobertas, meu corpo frio como mármore. Coloquei a mão em seu braço, um gesto de segurança. Uma mentira.
"Estou aqui", sussurrei na escuridão.
Na manhã seguinte, o celular descartável dele começou a vibrar às 6 da manhã. Estava na mesa de cabeceira, uma peça flagrante de arrogância. Ele resmungou, pegando-o.
"Agora não", ele sussurrou no telefone, a voz rouca de irritação. Ele desligou.
Ele se virou para mim, forçando um sorriso. "Vou fazer o café da manhã para você", ele anunciou, um grande gesto para compensar sua atenção dividida. "Panquecas. Suas favoritas."
Mais tarde, enquanto eu comia mecanicamente as panquecas que ele havia feito, ele disse: "Esta casa é demais para você. Deveríamos contratar uma governanta que more aqui. Alguém para ajudar."
Alguém para me substituir. As palavras pairavam no ar entre nós.
"Não", eu disse, minha voz mais afiada do que eu pretendia. "Esta é a minha casa. Eu cuidarei dela."
Ele me olhou, uma expressão estranha em seu rosto. "Bella, você ainda me ama?"
A pergunta era tão absurda, tão monumentalmente sem noção, que uma risada real quase escapou dos meus lábios. Eu a engoli.
"Claro que sim, Gio", menti, olhando diretamente nos olhos dele. "Não existe eu sem você."
Ele visivelmente relaxou, seu ego afagado. Ele acreditou. Ele realmente acreditava que eu não era nada sem ele.
"Bom", ele disse. Ele se inclinou e beijou minha testa. "Preciso ir. Aquele problema no armazém voltou a aparecer."
Enquanto ele saía, eu chamei seu nome. "Gio?"
Ele se virou.
"Você já consertou aquele vazamento na adega?", perguntei casualmente. Era um compromisso que ele havia feito meses atrás, um que ele havia esquecido completamente.
Um flash de pânico cruzou seu rosto. "Estou cuidando disso", ele disse, um pouco rápido demais, antes de se virar e sair de vez.
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