
A mafiosa infiltrada 3 - Los Angeles em chamas
Capítulo 3
KAITLYN POV
— Bom dia mamãe — Lais fala me abraçando, limpo as lágrimas que escorriam pelo rosto, Lucas me olha preocupado e se aproxima.
— O que aconteceu? — Pergunta tocando levemente no meu rosto, seus olhos demonstrava aflição e total preocupação.
— Ryan está em sala de cirurgia, precisamos viajar de volta para Califórnia, ele levou dois tiros, eu preciso vê-lo. — Ele me abraça assentindo com a cabeça, sobe correndo até o quarto e volta com três bolsas, pego Lais no colo e saio de casa, entrando no carro.
— O titio Ryan vai ficar bem, mamãe? — Lais pergunta com cara de choro, encosto sua cabeça no meu ombro e falo baixinho.
— Vai sim meu amor, vai sim. — Acho que eu tento me convencer com essas palavras, caminho todo foi em silêncio, minha mão tremia, a preocupação estava enorme, a dois dias atrás estavamos todos aqui e agora Ryan está lá no hospital, com uma bala no peito.
Passou cerca de 120 minutos, até o carro parar em frente ao hospital, desço rapidamente do carro, atrás de mim vinha o Lucas segurando a mão da Lais, entro rapidamente no hospital, vendo todos na sala de espera, assim que me vêem se levantam rapidamente, Tracy se aproxima de mim e me abraça forte.
— Já tem notícias dele? — Minha voz sai abafada por causa do seu abraço apertado, ela se afasta um pouco enxugando as lágrimas, olho ao redor, vendo todos com olhares para o chão, mas o olhar de Talita demonstrava culpa. — O que aconteceu?
— O médico falou que ele ainda está na sala de cirurgia, não temos nenhuma outra informação sobre o estado dele. — Naja fala se aproximando e me abraçando, me aproximo dos outros.
— Como isso aconteceu? — Pergunto e vejo Lia engolir o seco e olhar para mim, seus olhos estavam cheios de água, ela dá um suspiro arrastado, me deixando mais preocupada ainda.
— A g-gente estava na f-frente do galpão
— da uma pausa — Estávamos rindo de uma piada ridícula do Matteo, quando o barulho de tiro foi ouvido, n-não tivemos tempo de reagir, q-quando vimos o Ryan estava no chão, com a mão no peito, e-eu. — Não consegue terminar a frase, passo a mão no rosto sentindo uma forte dor no peito, olho para o Bruce em busca de repostas.
— Onde estava os seguranças do galpão? — O clima fica tenso, era como se aquela pergunta fosse a que todos temesse.
— Folga. — Lia fala baixo, não consigo enteder muito bem.
— O que?
— Folga. — Fala mais alto para que eu possa escutar, olho desacreditada para ela, meu olhar se altera entre ela e Bruce.
— Todos? — Pergunto mais uma vez e ela concorda com a cabeça. — Como você dispensa TODOS os seguranças da porra do galpão? — Dou ênfase na palavra todos, eu não estava conseguindo acreditar naquilo, como alguém consegue ser tão incompetente nesse nível?
— Eu não sabia que daria problema, eu pensei que... que. — Ela não fala, volta a se sentar na cadeira.
— Meu Deus, como você pode dispensar todo os seguranças de uma vez? Porra Talita, isso é a merda de uma máfia, isso não é brincadeira, você não pode dispensar todos os seguranças, você sabe o perigo que vocês correm só por fazer parte disso, e ainda tem a irresponsabilidade de ficar sem segurança? — Passo as mãos no rosto desesperada sem acreditar nisso. — Puta que pariu, meu Deus.
— Desculpa. — Falou baixo, abaixando a cabeça, me afastei dela e me sentei em uma cadeira separada, Lucas segurava Lais no colo, que essa altura já dormia, os minutos pareciam horas, ninguém tinha a coragem de quebrar o silêncio até o médico aparecer, seu semblante não estava um dos melhores, deixando todos nós ainda mais preocupados.
— Parentes de Ryan Butler. — Todos levantaram, fazendo o médico arregalar os olhos pelo tanto de pessoas que estavam aqui, ele ajeita seus óculos meia lua e se aproxima do nosso grupo. — Lamento informar que, a bala pegou em uma região do tórax muito próxima ao coração, o paciente passou por uma cirurgia demorada e arriscada para a região atingida, seu pulmão ficou comprometido graças a perda constante de sangue, após a cirurgia, o senhor Butler voltou para o quarto, mas teve três paradas cardíacas, nas duas primeiras conseguimos trazê-lo de volta, mas a terceira foi complicada, lamento informar, mas o paciente não resistiu, sinto muito. — Levo minha mão a boca rapidamente, sentindo um nó se formar em minha garganta, meu rosto é tomado por lágrimas, minha pernas fraquejam fazendo com que eu caia de joelhos no chão, era como se tudo aquilo não passasse de um sonho. Tracy me abraça com força, chorando alto e eu ainda estava no estado de choque, que logo foi passado quando começo a soluçar em meio de choros.
— F-fala q-que é m-me-mentira. — A voz de Tracy sai abafada graças ao choro alto, eu conseguia escutar o choro dos outros, mas não tinha forças o suficiente para levantar do chão, era como se aquela notícia tivesse tirado meu mundo.
Eu não conseguia escutar mais nada ao meu redor, até sentir uma mão tocar o meu ombro, um homem encapuzado me entrega um tablet, onde tinha um vídeo que precisava dá o play, em questão de segundos, o homem some da minha vista, ninguém tinha percebido esse homem, nem mesmo a Tracy, que estava do meu lado, fico paralisada com o olhar no tablet sem entender nada foi tudo em questão de segundos, resolvo me levantar lentamente para me afastar dos outros, dando play no vídeo.
A imagem do Parker, pela minha surpresa, aparece na tela, seus olhos verdes, sua barba bem feita chamava atenção, sua risada alta foi ouvida, como se fosse uma espécie de "eu avisei".
— Mais uma perda Jones? Triste, essa é mais uma de muitas que ainda virão, mas você pode evitar isso, e você sabe como, Ryan Butler é só mais um, de outros entes queridos que você vai ter que se despedir. — Antes do vídeo continuar, jogo o tablet com tudo no chão, sentindo o ódio me consumir por inteiro, as lágrimas são substituídas por ódio e rancor.
— Foi ele. — Me viro para os outros — Parker mandou matar o Ryan. — Falei sentindo o gosto amargo em minha garganta — E eu vou fazer questão de matar ele da mesma forma, ou pior, do que o Ryan.
~~~
Entro em passos lentos no cemitério, de longe avisto Tracy abraçada com o Matteo, Tio Giovanni, Luigi, Maria, Khloe, Noah e Max também estão aqui, sem olhar para ninguém, me sento na primeira cadeira ainda com a cabeça abaixada, a roupa preta em meu corpo era longa, eu carregava comigo um buquê de flores vermelhas, a qual eu deixaria no caixão, onde o cheiro de Ryan estava sobre elas.
O primeiro a se levantar foi o Matteo, deixou uma flor rosa em cima do caixão e começou a falar.
— Meu melhor amigo, meu irmão, meu parceiro e meu companheiro de todas as horas, Ryan era uma pessoa que todos queriam por perto, sorridente, feliz, por onde passava arrancava risadas, seu gosto culinário era horrível, mas ele se esforçava, sempre sonhou em construir uma família, nunca vi ele tão feliz como ele estava nesses últimos meses. — deu uma pausa enxugando as lágrimas que corriam pelo seu rosto — A gente cresceu juntos, e agora, o vendo parti é como se levasse um pedaço meu com ele, as memórias que ficarão dele vão ser as melhores, aquelas que toda vez farão sair um sorriso do meu rosto, por saber que eu tive a oportunidade de conviver com ele, de viver com ele, de compartilhar meus pensamentos, meus sonhos, minhas conquistas com ele já é motivo de orgulho. Ryan era um muleque novo, mas conquistou tantas coisas, e eu vou continuar aqui, seguindo todos os conselhos dele, Ryan nos deixa hoje, mas suas memórias e suas lembranças irão ficar com a gente, até o nosso último suspiro.
Sinto uma lágrima escorrer pelo meu rosto, queimando cada parte que por ele escorre, Lucas aperta minha mão forte, enquanto Matteo dá um beijo no caixão e volta a se sentar, tento controlar o choro quando vejo Tracy se levantar e se aproximar do caixão.
— É inacreditável, uma hora ele está ali com a gente, rindo de uma piada ridícula, contanto seus planos de vida e no outro momento ele está aqui, nesse caixão, recebendo sua última despedida, Ryan é minha família, meu irmão e o amor da minha vida. Ryan sempre foi aquele que mais me apoiou, que sempre esteve lá quando precisei, em tempos difíceis ele nos fazia rir e esquecer os problemas, ele tinha um sonho, o sonho de construir uma família, com três cachorros, dois gatos e um papagaio. — deu uma risada fraca — Mas Deus tinha outros planos para ele, e eu sei que apesar da idade, o seu papel foi cumprido aqui na terra, e que em outra vida, eu poderei construir meu futuro ao seu lado, eu amo ele, sempre vou amar, amor insubstituível tenho certeza que ele nunca será esquecido. — Tracy toca levemente no caixão, limpando as lágrimas que caiam rapidamente pelo seu rosto, parecendo entrar em uma espécie de transe.
A próxima a se levantar seria eu, puxo todo o ar que consigo, me levanto e em passos lentos vou até o caixão, deixo as flores vermelhas ali e depositando um beijo no topo, onde o rosto de Ryan aparecia, sinto uma forte dor no peito, como se algo em mim morresse naquele exato momento.
— Não tive a oportunidade de aprofundar minha relação com ele, mas o que eu vivi foi perfeito, ele era um amigo para todas as horas, sempre me ajudou quando precisei, sei que onde quer que ele esteja, ele vai está pensando o quanto eu estou ridícula com a maquiagem toda borrada.— dou uma risada fraca, passando a mão em baixo do olho. — Ryan se sacrificaria por todos que estão aqui e por aqueles que ele não conhecia, o seu coração não tinha espaço para maldade, ele fazia de tudo para vê os outros bem, mesmo quando ele não estava em condições ótimas, nesses mês, o sorriso que estampava seu rosto era de satisfação, felicidade, como se lá no fundo, ele sentisse que seu papel e o seu dever estivesse sendo finalizado, ele ajudou milhares de pessoas com doações e todas as coisas que estava em seu alcance, aqueles que vêem de fora não sabe a pessoa incrível que ele era, a pessoa gentil, doce e amável, hoje ele deixa muitas pessoas queridas, mas seu legado e sua pessoa nunca deixara a gente, hoje o céu ganha mais uma estrelinha, e será aquela que irá brilhar em proteção a nossa família. — Volto meu olhar para o caixão uma última vez e sem forças saio do lugar.
Me sento ao lado de Lucas, apoiando minha cabeça em seu ombro, tio, minha mãe e os meninos fazem seus breves discursos, até a hora em que teremos que se despedir para sempre, alguns minutos se passam, até vierem para enterrar o caixão, cerca de quatro homens fazem força para colocar o caixão no local, a lápide — Ryan Butler 1998-2019 — Após trancarem a porta do necrotério, as pessoas vão saindo do cemitério ao pouco, eu sou a última a sair mesmo sem querer, última despedida nunca é fácil.
Mais uma pessoa se foi, por minha culpa.
Parker Hall não descansaria até ter aquilo que queria, e eu não descansaria até matar aquele filho da puta, minha mente estava a milhão, tudo tão confuso, depois da morte do Ryan as coisas só se complicaram mais, os ataques iram ser mais frequentes, a máfia iria cair cada vez mais, e sem ele por perto, minha vida mudaria.
Talita POV
Eu estou preste a enlouquecer, Kaitlyn tem que voltar, era a única forma que a máfia tinha para não vim a falência, aquele não era meu papel, e eu já estava totalmente aflita.
Estávamos no galpão, quando o barulho de pneus derrapando no chão foi ouvido, rapidamente, todos os portões foram abertos, e o barulho de tiro ecoou por todo galpão, corremos e pegamos as armas, atirando contra os caras que entravam de forma rápida por todos os lados.
Foi totalmente inesperado, em questão de segundos, o galpão foi preenchido por vários homens vestidos de preto, todos pararam de atirar, mas continuaram com suas armas apontadas para nós, a gente estava em desvantagem, ali tinha o triplo de homens a mais que os nosso.
Foi tudo muito rápido.
Do meio deles, um homem - muito gato por sinal - deu um passo a frente, como se fosse uma espécie de chefe, ele era a cara do Xamã, mas era muito mais musculoso e um pouco grande, ele tinha uma arma nas costas e outra em sua mão, se aproximou da gente e pude vê quando seu olhar caiu em Bruce.
— Pensava que você seria o primeiro a morrer,quando tudo isso aqui começou. — Xamã falsificado falou assim que ficou frente a frente com Bruce. — Cadê ela?
— Não está — Bruce falou firme, ainda mantendo contato visual com o homem, era como se não existisse mais ninguém ali, o cara deu uma risada baixa negando com a cabeça.
— Você sabe que eu não estou para brincadeira Willians, cadê ela? — O cara perguntou novamente, ali todo mundo estava em silêncio e só os dois falavam.
— Você acha que eu sou idiota e que eu falaria onde ela está? mas eu vou repetir novamente, ela não está aqui. — Bruce da um passo a frente, mostrando firmeza.
— Vou deixar só um aviso aqui, e espero que esse aviso chegue até ela, o jogo virou, ela sabe o que eu quero, e não vou descansar até conseguir, Ryan foi o primeiro, se liga para não ser o próximo. — Vejo Tracy querer ir pra cima dele, mas eu a seguro, vejo o olhar dele cair em mim e da um sorriso de lado, sinto um forte aperto no peito — Kaitlyn sabe que eu sempre consigo tudo que eu quero. — ele passa o olhar por todos no galpão e se vira para sair, mas antes, seus homens atiram em tudo que tem ali.
O prejuízo vai ser grande, estou até vendo, assim que escutamos o barulho dos carros se afastando, olho para Bruce de sobrancelhas arqueadas sem entender porra nenhuma.
— Que porra foi essa?
— Parker, era ele. — Arregalo os olhos.
— Que merda — Olho ao redor, vendo tudo destruído. — Já era, perdemos toda a estrutura do galpão.
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