
A Luta da Mãe Abandonada
Capítulo 3
No dia seguinte, o meu telemóvel não parava de vibrar.
Eram mensagens do Diogo.
"Inês, podemos falar? Isto é ridículo."
"Estou preocupado contigo e com o Tiago."
"A Sofia não significa nada para mim, tu sabes disso."
Ignorei todas.
A minha mãe entrou no quarto com uma chávena de chá quente.
"A tua sogra ligou", disse ela, com a voz neutra. "A Teresa."
Eu encolhi os ombros.
"Ela está furiosa. Diz que estás a ser infantil e a desrespeitar o filho dela."
"Ele desrespeitou-me a mim e ao filho dele primeiro."
A minha mãe sentou-se na beira da cama. O seu olhar era suave.
"O que vais fazer, filha?"
"Vou pedir o divórcio."
As palavras saíram com uma certeza que me surpreendeu.
Ela não pareceu chocada. Apenas acenou com a cabeça, como se já esperasse.
"Tens a certeza? Por causa do Tiago..."
"É por causa do Tiago que eu tenho de fazer isto, mãe. Ele não merece um pai que põe outra mulher em primeiro lugar."
Naquele momento, o meu telemóvel tocou. Era a Teresa.
Respirei fundo e atendi, colocando em alta-voz.
"Inês! O que é que se passa na tua cabeça? Como te atreves a sair de casa com o meu neto?"
A sua voz era estridente, cheia de raiva.
"O Diogo está um farrapo por tua causa! Ele cometeu um erro, está bem? Ele estava a ajudar uma amiga doente! Onde está a tua compaixão?"
Compaixão.
Era a mesma palavra que o Diogo tinha usado.
"Teresa, com todo o respeito, o seu filho deixou-me sozinha durante o parto para cuidar da ex-namorada dele. Não há compaixão que justifique isso."
"Ex-namorada? A Sofia é como uma filha para mim! Ela não tem ninguém! Tu tens a tua mãe, tens tudo! És uma egoísta, é o que és!"
Senti uma raiva fria subir pela minha garganta.
"Uma filha? Então vá ser avó dos filhos dela. Desliguei."
Bloqueei o número dela também.
Senti-me exausta, mas também estranhamente leve.
Cada chamada, cada mensagem, apenas confirmava que eu estava a tomar a decisão certa.
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