Capa do romance A Luna descartada pelo Alfa

A Luna descartada pelo Alfa

8.7 / 10.0
Grávida e ferida após um atropelamento, tentei desesperadamente contatar meu marido, o Alfa Ethan. Enquanto eu lutava pela vida do nosso bebê, ele me ignorava para confortar Ivy, seu antigo amor. Ao ver que ele cancelou tudo por ela, percebi que nunca fui sua prioridade. Com o coração partido, mas decidida, aceitei a traição em silêncio. Agora, tenho apenas sete dias para organizar minha partida definitiva e sumir de sua vida com nosso filho.

A Luna descartada pelo Alfa Capítulo 1

LIANNE

Aos três meses de gravidez, eu, Lianne Riley, sofri um acidente de carro. Semiconsciente e tremendo, continuei ligando para meu marido, o Alfa Ethan Voss, mas ele não atendia nenhuma ligação minha.

Quando a dor finalmente diminuiu a ponto de eu conseguir ficar acordada, peguei meu celular e vi uma postagem de seu primeiro amor, Ivy Brooks.

"Tenho que agradecer ao Ethan por ficar comigo a noite toda, pois ele sabe que tenho medo do escuro. Ele até cancelou todas as suas reuniões de hoje para me levar a um leilão e me deu o presente mais lindo do mundo. Estou tão feliz!"

Foi nesse momento que entendi tudo. Enquanto eu estava gravemente ferida protegendo nosso filho, ele escolheu ficar ao lado de outra loba.

Sem hesitar, curti a postagem e fechei o aplicativo — se ele queria seu primeiro amor de volta, então que ficasse com ela de uma vez por todas.

Em sete dias, eu desapareceria da vida dele para sempre — junto com nosso filho.

...

Agarrada à Rejeição que acabara de imprimir, arrastei meu corpo ferido de volta para casa.

Empurrei a pesada porta de carvalho e entrei na sala de estar, que mergulhava na escuridão, cortada apenas pelo brilho fraco das arandelas.

Sob a luz fraca, uma figura alta sentada no sofá exalava uma pressão sufocante e imponente, digna de um Alfa de alto nível.

Ele não era outro senão meu companheiro, Ethan.

"Então você ainda se lembra que aqui é sua casa?" Sua voz gélida cortou o silêncio.

Antes que eu pudesse responder, ele se levantou do sofá e atravessou a sala com algumas passadas largas. Sua mão agarrou meu pulso com uma força brutal, fazendo com que uma dor aguda a ponto de quebrar o osso percorresse meu braço.

"Lianne, qual foi o motivo de você ter curtido o post da Ivy?", ele perguntou, olhando para mim com desprezo evidente. "Ela acabou de voltar ao país e ainda não está bem. Ela não pode se estressar agora. Você estava tentando fazê-la se lembrar de que você é a minha Luna?"

Ergui meus olhos para ele, mas minha visão embaçada dificultava enxergar seu rosto.

Há três anos, Ethan havia sido envenenado com prata — a toxina destruiu suas pernas.

Depois que Ivy o largou e fugiu para o exterior, ele se entregou completamente à autodestruição, se embriagando com álcool dia após dia, e mais tarde, os Anciãos da Matilha Thorn organizaram nosso vínculo.

Nos últimos três anos, fiquei ao seu lado como sua companheira, acalmando a raiva e a dor que o consumiam. Ao mesmo tempo, eu havia lhe dado meu sangue várias vezes, usando minha habilidade de cura para ajudar a recuperar seu corpo até que ele pudesse finalmente se levantar mais uma vez.

Mas agora, não havia sequer um traço de afeto nele.

"Eu já te disse antes: pare de deixar seu ciúme te controlar. Você não consegue agir de forma razoável pelo menos uma vez?" Sua respiração tocava levemente meu pescoço enquanto sua voz saía fria.

Razoável — essa palavra me acertou com mais força do que um tapa em meu coração já insensível.

Pouco tempo atrás, eu havia ficado presa dentro do veículo capotado e, com o sangue escorrendo pelo rosto, ligado para ele várias vezes na esperança de que viesse salvar a mim e ao nosso feto.

Finalmente, ele atendera, mas antes que eu pudesse explicar qualquer coisa, tudo o que ele dissera foi: "Ivy não está se sentindo bem agora. Não posso sair do lado dela. Seja o que for, resolva você mesma."

Dito isso, ele encerrou a chamada.

Com o último resquício de força que me restava, eu havia conseguido sair do banco do motorista destruído. Depois disso, tinha caminhado por cinco quilômetros sob uma forte chuva antes que um carro que estava passando finalmente parasse para mim.

Pensando nisso, desviei o olhar para que ele não visse a mágoa em meus olhos e sussurrei: "Me desculpe, Não vai acontecer de novo."

Ethan pareceu pego de surpresa pela agilidade com que me desculpei e, embora tivesse ficado em silêncio por um momento com a raiva se abrandando nos olhos, a desconfiança logo tomou o seu lugar.

Soltando meu pulso, ele me observou lentamente, do meu cabelo desgrenhado ao meu semblante pálido.

"Os funcionários disseram que você ficou fora o dia todo e não estava atendendo ao telefone", ele perguntou, franzindo a testa, sem saber o que havia acontecido comigo. "E aquelas ligações que você não parava de fazer... Você estava dando um chilique por causa da Ivy?"

"Não." Respirei fundo, tentando conter o tumulto que se agitava dentro de mim. "Houve um problema com as entregas de suprimentos da matilha, então fui resolver. Devo ter perdido meu celular durante a confusão."

Peguei uma pilha de documentos e lhe entreguei. "Estes são os relatórios financeiros deste trimestre, junto com alguns documentos que precisam da sua assinatura. O escritório administrativo precisa deles até amanhã de manhã."

Ethan pegou os papéis da minha mão e os jogou despreocupadamente na mesa de centro, sem nem sequer verificá-los, pois confiava em mim cegamente.

Nos últimos três anos, fui a Luna perfeita aos seus olhos, cumprindo incansavelmente todas as responsabilidades, desde cuidar dos assuntos da matilha até ficar ao seu lado nos episódios violentos causados pelo veneno de prata, usando nosso vínculo para acalmar a besta dentro dele.

Ethan se sentou novamente e, com traços rápidos e habilidosos, começou a assinar os documentos um após o outro, sem perceber que a Rejeição estava escondida sob a pilha e que, assim que a assinasse, ela passaria a valer em sete dias. Depois disso, o vínculo que nos forçava a ficar juntos se romperia por completo — ele finalmente estaria livre e eu desapareceria de sua vida para sempre.

"Pronto." Ele empurrou os papéis de volta em minha direção, seus dedos tocando levemente as costas da minha mão sem querer.

Retirei minha mão imediatamente, como se o toque dele tivesse me queimado.

Ao ver minha reação, uma sombra passou pelos olhos de Ethan, que olhou para mim por um longo momento antes de perguntar: "Lianne, você está me evitando?"

Ele se levantou e, com seu corpo alto, se aproximou até que sua sombra me envolveu por completo, alcançando-me para segurar meu queixo e erguê-lo, obrigando-me a olhá-lo nos olhos.

Havia algo selvagem queimando em seus olhos: possessividade — a dominância instintiva que um Alfa tinha sobre sua companheira.

"Hoje é nosso aniversário de casamento", disse ele baixinho, enquanto sua mão escorregava do meu queixo para a minha garganta, com o polegar áspero acariciando lentamente a pele sensível do local. "De acordo com a tradição da matilha, eu deveria ficar com você essa noite."

Nesse momento, seu telefone tocou inesperadamente e, na tela iluminada, surgiu um nome que eu conhecia bem demais: Ivy.

Ao ver o nome, o corpo de Ethan se enrijeceu, e ele atendeu sem hesitar.

A voz trêmula de Ivy ecoou pela chamada: "Ethan, estou com medo. Os trovões estão muito altos esta noite. Você pode vir ficar comigo?"

Ethan olhou para mim, a hesitação estampada em seu rosto.

Com um leve sorriso nos lábios, sugeri: "Você deveria ir cuidar da Ivy, que acabou de voltar e ainda não se recuperou totalmente. Afinal, como Alfa, é seu dever zelar pela matilha, então não se preocupe, eu ficarei bem sozinha."

Ethan continuou me encarando, como se tentasse encontrar algum traço de mágoa escondido por trás das minhas palavras, mas não havia nada para ele encontrar, pois eu parecia tão vazia para enganar até ele, como uma boneca sem alma por dentro.

"Você finalmente está começando a entender o que significa ser uma Luna", disse ele após um momento, a satisfação evidente em seu tom enquanto guardava o telefone. "Eu sei que isso não tem sido fácil para você. Assim que a Ivy se adaptar, vou te recompensar."

Recompensar?

O que eu queria nunca foi uma recompensa!

Sempre queria a única coisa: o coração dele por completo.

"Está bem", respondi, assentindo com a cabeça.

Ethan se virou e seguiu em direção à porta com passos apressados, como se não visse a hora de sair. Por nunca olhar para trás, ele não viu que, no instante em que a porta se fechou, minhas pernas bambearam, fazendo-me escorregar lentamente pela parede, sem forças para continuar de pé.

Com os olhos baixos, olhei para a Rejeição enquanto meus dedos trêmulos passavam por sua assinatura — essa seria a última coisa que eu faria por Ethan.

Em sete dias, eu não seria mais sua Luna, e levaria embora nosso filho não nascido e desapareceria da sua vida para sempre.

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