
A loba em pele de cordeiro
Capítulo 3
Saindo de um dos mais luxuosos condomínios, um Lexus se dirige à cidade. No veículo está Linda Nelson, uma das maiores advogadas criminalistas e seu cliente mais importante, Andrew Forbes. O motorista de Forbes mantinha uma velocidade elevada, já que estavam atrasados e Linda repassava todos os detalhes da entrevista.
"Algo completamente desnecessário. Linda!", comentava Andrew, "este é meu momento para estar só. Não me interessa este tipo de espetáculo". Andrew se via contrariado. Estar explicando acontecimentos que já eram de domínio público era uma perda de tempo, além do que, o promotor havia desestimado o caso, e voltar a tocar neste tema agora não tinha mais sentido para Forbes.
"A questão não é essa, Andrew, o fato de a sua imagem ter sido manchada está atrapalhando todos os índices da bolsa e isso também afeta a você!" Linda Nelson era uma mulher direta, inteligente e muito ativa. Não tinha sangue nas veias, segundo Andrew, mas resolvia os problemas e, desde há muito tempo, era a única mulher em que confiava.
"Bem, não vamos discutir", seguiu ele, menos irritado. "Mas saiba que é única entrevista. Não vou, baixo nenhuma hipótese, estar em vários programas de televisão para fazer o papel de homem ferido, enganado e traído! Você entendeu bem, Linda?"
"Não se preocupe, comentou ela, colocando suavemente suas mãos no braço de Andrew Forbes. Esta é a única e, depois disso, aconselho reservar um voo para as ilhas gregas e ficar lá por um mês. Assim estará mais isolado e desde aqui vou gerindo o que necessite". E com um sorriso animador, seguiu.
O local da entrevista coletiva era situado no Hotel Hilton. Havia todo um andar reservado, para evitar curiosos, e a segurança vigiava rigorosamente quem eram os convidados. Apenas os repórteres das melhores emissoras de televisão, revistas e os principais jornais nacionais e correspondentes estrangeiros estavam credenciados. Uns cento e cinquenta profissionais aproximados eram esperados.
Para que a coletiva não ficasse exaustiva, Andrew não aceitava cadeiras. Que todos os repórteres ficassem de pé e saíssem rápido, cadeiras deixam as pessoas muito comodas. Assim, o chão, linhas indicativas por cores limitavam os espaços. Diante deles, um grande palco. Sobre ele, uma mesa toma toda a extensão em formato de lua. Tinha oito assentos com seus respectivos microfones, garrafas de água e um garçom para servir aqueles que tivessem que se manifestar. Forbes, ao centro, teria à sua direita Linda Nelson e dois assessores legais. À esquerda, o representante do promotor público, dois detetives e um assistente de Andrew Forbes. Tudo para não deixar dúvida alguma, e que as perguntas se resolvam todas naquele dia. Um esquema digno realmente de um chefe de estado.
A coletiva é apresentada pelo assistente de Andrew, que inicia dando uma explicação aos acontecimentos de como havia sido encontrada Danna Forbes e a dor que tudo isso provocou a todos os que a amavam. Em seguida, dá espaço aos repórteres que começam com suas perguntas.
"Sra. Nelson, esta pergunta é referente à Carolynne Benson que denunciou o crime. Sabendo-se que era dependente química, por que foi aceita a alegação inicial?"
Linda respondia a esta e às demais perguntas sem exitar, colocando em parte a falta de organização na apresentação dos documentos que confundiram a promotoria. E assim sucessivamente.
O representante confirma que estariam preparando uma compensação pelos danos e prejuízos que aquele inconveniente causara à imagem de Andrew Forbes.
Outro dos assistentes informou dados do laudo final do legista.
As perguntas seguiam e os repórteres já estavam algo agitados, já que existia, constantemente, a interrupção de um correspondente estrangeiro que deixava o microfone aberto, provocando ruídos estridentes durante a coletiva.
Novamente, Linda Nelson volta a insistir em uma pergunta repetida.
Todos estavam de pé, as câmeras gravando e Andrew estava exausto. Aquilo para ele era um circo. Procurando se distrair da eloquente advogada, decidiu observar todas aquelas pessoas, que estavam ansiosas por descobrir algo mais que o colocasse em evidência. Em um instante, ele começou a perder a cor. Uma mulher estava no centro, vestida de branco, e com uma cinta de cetim no cabelo. Seus cabelos compridos e loiros e, ... Aqueles olhos... Sim, não, sim... era... ela... era a sua mulher! Se levanta para ter melhor visão entre aquelas centenas de pessoas, que estavam movendo-se muito entre microfones e celulares, e havia desaparecido.
Com aquele movimento rápido e muito ruído, da sua cadeira caindo detrás. Os repórteres começaram a fazer perguntas. Mas Andrew saltou a mesa, correu entre os repórteres dando cotoveladas nos que tinham adiante, desceu as escadas de serviço já que o elevador estava em uso, e saindo como um louco pela portaria do hotel, avistou aquela mulher caminhando tranquilamente na calçada à sua frente. Apertou os passos e, alcançando-a, girou-a para ele, dando de cara com uma mulher muito diferente daquela que estava seguro de ter visto!
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