
A Jornada de Uma Rainha
Capítulo 2
Dante era o senhor de tudo, seu poder inquestionável, sua vontade, a lei. Todos se curvavam diante dele, mas ele, por sua vez, se curvava apenas para uma pessoa: Elara. Para ela, ele construiu um jardim suspenso que tocava as nuvens, para ela, ele moveu estrelas. O amor dele era uma lenda, a devoção dele, uma canção que todos conheciam.
"Você é meu mundo, Elara, minha única estrela no céu escuro", ele sussurrava para ela nas noites frias, o calor do corpo dele era o único lar que ela conhecia.
E ela acreditava. Como não acreditar?
Mas isso foi antes.
Agora, Dante segurava a mão de outra mulher, Lívia, e olhava para ela com a mesma devoção que antes era reservada apenas para Elara. O jardim suspenso agora era o playground de Lívia, as estrelas que ele moveu agora brilhavam para ela.
"Dante?", Elara chamou, a voz um fio fraco, perdido no grande salão.
Ele se virou, o olhar dele frio, vazio, como se olhasse para uma completa estranha. "Quem é você? Por que me chama com tanta familiaridade?"
O mundo de Elara desabou. O coração dela se partiu em mil pedaços. Ele não se lembrava. O amor da vida dela, seu protetor, seu tudo, a havia esquecido completamente. Lívia sorriu, um sorriso vitorioso e cruel, apertando a mão de Dante com mais força.
"Ela é apenas uma serva, meu amor", disse Lívia, a voz doce como mel envenenado. "Não se preocupe com ela."
A partir daquele dia, a vida de Elara se tornou um inferno. As servas que antes a reverenciavam agora zombavam dela, os guardas que a protegiam agora a empurravam. Ela foi forçada a servir Lívia, a observar a mulher que roubou seu lugar desfrutar de tudo que um dia foi seu. O pior de tudo era ver o olhar vazio de Dante, a indiferença dele doía mais do que qualquer ferida física.
Eles até destruíram a Árvore dos Desejos, a árvore que ela e Dante plantaram juntos, um símbolo da esperança e do futuro deles. Lívia ordenou que a cortassem para fazer lenha para sua lareira, e Dante não fez nada para impedir. Ele apenas observou, impassível, enquanto as chamas consumiam o último vestígio do amor deles.
Naquela noite, escondida na escuridão, Elara ouviu uma conversa que mudou tudo. Dante não estava sozinho. Ele falava com seu conselheiro mais próximo.
"Você tem certeza de que este é o único caminho, meu senhor?", perguntou o conselheiro, a voz cheia de preocupação. "Fingir que a esqueceu, tratá-la com tanta crueldade... o coração dela não vai suportar."
O coração de Elara parou. Fingir?
"É para o bem dela", a voz de Dante era baixa, tensa, cheia de uma dor que ele nunca mostrava em público. "Eles estão observando. Se souberem o quanto ela significa para mim, eles a usarão para me destruir. Devo fazê-los acreditar que ela não é nada, que Lívia é tudo. Só assim Elara estará segura."
Segura? Elara quase riu em meio às lágrimas. Segura? Ele a estava destruindo para salvá-la? A traição, a dor, a humilhação... tudo era uma farsa. Uma mentira cruel para protegê-la. Mas a proteção dele era uma tortura. A dor da verdade era mil vezes pior do que a dor do esquecimento. Ele não a havia esquecido, ele a havia sacrificado.
Naquele momento, algo dentro de Elara se quebrou para sempre. O amor, a esperança, a fé... tudo se transformou em cinzas. Ela secou as lágrimas, o rosto uma máscara de frieza. Se a dor era o preço da segurança dele, ela não a queria mais.
Ela iria embora. Para sempre.
Você pode gostar





