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Capa do romance A irmã do meu namorado – 2° temporada

A irmã do meu namorado – 2° temporada

Talvez eu nunca tenha sido a prioridade na vida dela, apesar de todas as promessas e palavras de carinho que ouvi repetidamente. Questiono se o nosso encontro foi um erro do destino, pois o sentimento de insignificância agora me consome. O que antes parecia ser um laço inquebrável chegou ao seu ponto final. Diante da realidade cruel, enfrento o vazio de uma história que se desfez, aceitando que tudo o que construímos finalmente acabou.
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Capítulo 2

Pelo menos três vezes por semana minha mãe vem me ver, hoje por exemplo é dia de visita. Confesso que ela está um pouco atrasa, talvez seja o trânsito ou por que ela parou para comprar bolo para mim. Ela sempre trás bolo de cenoura ou de morango, ela também me trouxe alguns livros e me pergunto a quanto tempo estou nesse lugar levando em conta a estante de livros que tenho a minha frente.

Eu sei que faz muito tempo. Só não consigo me recordar quanto tempo exatamente. Eles queriam que eu achasse que eram apenas dias, tentaram confundir minha cabeça me dando remédios diários. As vezes acho que funcionou, não lembro de muita coisa depois que me colocaram aqui, agora tudo não passa de memórias vagas, é como se toda minha vida não passasse de um sonho, um grande borrão em preto e branco. 

A algum tempo tentei parar de tomar os remédios, quando a moça bonita os trazia para mim eu fingia tomar e depois os cuspia na privada. Alguns dias depois fui descoberto. 

Como? 

Bom, após alguns dias passei a não me sentir bem a maior parte do tempo e comecei a ter pesadelos, não sei se eram criação da minha cabeça ou se eram memorias a muito tempo esquecidas. Mas não gostei do que vi, sempre eram os mesmos sonhos: Eu segurava uma arma e a apontava para mais três ou quatro pessoas, elas não passavam de um borrão para mim, por isso não conseguia ver seus rostos com clareza. Mas uma delas... uma delas era tão familiar, ela parecia minha namorada.

Estava machucada e chorava muito, no momento que eu apertava o gatilho... acordei. Estava suado, ofegante e chorando, a moça bonita dos remédios estava ao meu lado tentando me acalmar. Eles me obrigaram a dizer a verdade, disseram que eu não deveria estar tento esses pesadelos. Então não menti, falei a verdade, não queria voltar a ver aquilo novamente. Desde então a moça me da a medicação e me manda abrir a boca para conferir se engoli tudo. Acho que ela não confia mais em mim. 

No lugar dela, também não confiaria.

Agora estou  deitado na minha cama lendo um livro que minha mãe me trouxe na semana passada. Por falar nela, não preciso nem olhar para saber que foi ela que acabou de entrar no quarto, o cheiro do bolo de cenoura inundou todo o ambiente.

Quando a olho ela sorri pra mim, embora pareça cansada, me pergunto se é devido ao trabalho. Por falar em trabalho, não me recordo de ter perguntado como vai as empresas do papai. Ela não  ficou feliz da ultima vez que perguntei alguma coisa. Na verdade ela evita falar comigo sobre qualquer coisa lá de fora, segundo ela eu não tenho que me preocupar com nada além da minha saúde, mas me sinto muito bem, não me sinto doente. Seria bom ter noticias de outras coisas e pessoas, já que não recebo visitas de mais ninguém além dela. Até minha namorada foi proibia de me ver, por isso ela nunca veio.

- Esta gostando do livro, filho?. - Pergunta ela se aproximando da minha cama. Apenas aceno positivamente com a cabeça, preciso terminar esse capitulo. Afinal de contas livros não são tão chatos como pensei, pelo contrario, se tornaram grandes amigos depois que fiquei sozinho. - Como etá se sentido? Voltou a ter pesadelos?. - Ela se senta ao meu lado.

- Não. Tenho tomado os remédios nos horários certos. Não quero ver aquilo novamente, a Emilly não vai gostar de saber que tive esse tipo de sonho com ela. 

Continuo minha leitura, mas percebo minha mãe me olhar, depois que me pareceu uns dois minutos de silêncio ela voltou  a falar e eu não pude acreditar nas palavras que saiam da sua boca.

- Hoje você vai embora daqui. 

Fecho o meu livro com mais rapidez que o necessário. Por um segundo achei a piada engraçada, mas ao olhar para minha mãe vejo que ela não esta brincando, ela não esta rindo, vejo preocupação no seu olhar.

- É serio? vou poder sair daqui? Ir embora para nossa casa? 

Ela balança a cabeça afirmando que sim. Finalmente poderei sair daqui. Então isso quer dizer que não estou mais doente, estou curado, seja lá do que for. Poderei voltar a minha vida normal, poderei ver meu pai, minha irmã, meus amigos e a... Emilly. Essa será a primeira coisa que irei fazer, estou louco para ver ela novamente, parece que faz anos que não nos vemos. Como se lesse minha mente minha mãe me arranca dos meus pensamentos ao falar:

- Mas para que você possa ir embora comigo, você primeiro terá que me prometer uma coisa filho. Me prometa que não ira ver ou procurar a Emilly. - Achei que dessa vez ela estivesse realmente brincando, mas ela continuava com a mesma expressão seria de antes. - Filho eu preciso que você me prometa isso, eu não posso tirar você daqui antes disso. 

Olho para a janela fechada, dali eu tinha uma vista muito bonita dos jardins. Algumas pessoas passeavam la fora, outras conversavam, outros até praticavam exercícios, alguns como eu apenas olhavam para o nada. O céu esta nublado hoje, acho que vai chover, com a aproximação do inverno já era para ter caído algumas chuvas. As palavras da minha mãe ainda martelavam minha cabeça. Por que não posso ver a Emilly? Será que ela esta chateada comigo? 

Eu sei que passei muito tempo aqui e não pude ver ela, mas a culpa não é minha. Escrevi varias e varias cartas explicando isso para ela, mas nunca tive nenhuma resposta. Minha mãe fala que ela anda muito ocupada e talvez por isso não me escreveu de volta.

Deve ter alguma explicação para minha mãe estar me pedindo isso. Mas como não quero mais ficar aqui e quero ir para casa, falo o que ela quer ouvir, mesmo que isso não me agrade nenhum pouco.

- Prometo mãe. - Ela assente parecendo satisfeita. 

Enquanto ela assina os papeis para que eu vá embora, eu arrumo todas as minhas coisas em caixas que a moça dos remédios me trouxe. O seu nome é Nathalia, e ela é muito bonita e jovem, desde que cheguei aqui foi ela quem cuidou de mim. Quando acabo de arrumar minhas ultimas coisas na mochila a coloco encima da cama junto com o livro que estou lendo e vou tomar banho. Quando volto meu quarto esta vazio, todas as caixas foram levadas embora.

Após uma ultima passada no consultório do Doutor Aurélio e algumas recomendações incluindo que terei de ir ao  psiquiatra pelo menos quatro vezes por mês, finalmente sou liberado. Ao sairmos ninguém vem ao nosso encontro, então pergunto por papai, minha mãe fala que ele não pode vir por que estava no trabalho. Isso me deixa um pouco triste e sei que ela percebe por que se apressa a dizer que a noite ele estará em casa e jantaremos juntos. 

Agora estamos em seu carro indo para casa.

Minha casa.

Pela janela aberta vejo que muita coisa mudou, as fachadas de lugares que costumava frequentar não são mais as mesmas. Mas isso não foi a unica coisa que mudou, o carro da minha mãe por exemplo foi uma das coisas que mudaram.

Ela morria de ciúmes do antigo, não era velho, digamos que era apenas fora de moda, não combinava muito com a mulher de negócios que ela era. Mas ela o amava pelo simples fato que foi o papai que lhe deu de presente de aniversário de casamento - Só não lembro de quantos anos de casados - Agora ela está com um modelo novo, mais moderno, mais sofisticado e bem mais bonito e confortável. Lembro das brigas que ela teve com a Brenda por causa daquele carro, a Brenda também não era fã dele, mas não queria aceitar um carro do nosso pai, por isso sempre sequestrava o da nossa mãe. 

Sinto alguma coisa no estomago ao lembrar dela, alguma coisa me incomoda, é como se eu estivesse me esquecendo de alguma coisa sobre ela. Tudo bem que não eramos melhores amigos, mas eu amo minha irmã e estou com saudades de  encrencar com ela. Não tenho motivos para me sentir assim, ela é minha irmã e sempre vai ser independente de qualquer coisa. 

O carro para, ao olhar para os lados vejo que estamos em uma grande farmácia na avenida principal, provavelmente minha mãe vai comprar os remédios que o Dr.Aurélio mandou. Nunca tinha visto essa farmácia aqui, na verdade ela nunca esteve aqui antes, conheço bem esse lugar. Quando mamãe sai da farmácia trazendo uma sacola de remédios e entra no carro não consigo frear a pergunta que me atormenta a muito tempo:

- Quanto tempo, mãe? - Olho para ela, ela parece congelar no lugar com a mão na ignição. - Quando tempo passou? - Ela me olha e vejo medo em seus olhos. Mas medo de que? de mim? - Por favor me fala a verdade, eu sei que foi muito tempo, só não sei quanto exatamente. - Quando ela fala sua voz falha, e é preciso ela falar novamente para que eu entenda. 

- cinco... cinco anos, filho.

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