
A Infiltração Fatal
Capítulo 3
Acordei com uma luz branca e forte nos olhos. O cheiro era a desinfetante. Hospital.
A minha mãe, Helena, estava sentada numa cadeira ao lado da cama, com os olhos vermelhos e inchados. Quando me viu acordar, agarrou-me na mão.
"Minha filha. Graças a Deus."
A minha primeira reação foi levar a mão à barriga. Estava vazia. Lisa.
O pânico instalou-se.
"O bebé? Onde está o Martim?" olhei para a minha mãe, desesperada. "Ele está bem? Nasceu?"
A minha mãe não conseguiu responder. Apenas abanou a cabeça, as lágrimas a escorrerem-lhe pela cara.
Um médico entrou no quarto. Tinha um ar cansado e triste.
"Dona Sofia," começou ele, com uma voz suave. "Os bombeiros trouxeram-na em estado crítico. A senhora esteve submersa durante demasiado tempo, houve falta de oxigénio."
Ele fez uma pausa, a escolher as palavras.
"Tivemos de fazer uma cesariana de emergência para a salvar. Fizemos tudo o que podíamos pelo seu filho, mas..."
Ele não precisou de terminar a frase.
O mundo parou. O som do monitor cardíaco ao meu lado tornou-se um zumbido distante.
O meu filho. Morto.
Porque o pai dele estava a consolar a prima por causa de uma infiltração.
Fiquei a olhar para o teto, sem ver nada. Não chorei. Não gritei. Não havia nada dentro de mim. Apenas um vazio imenso e frio.
A minha mãe abraçou-se a mim, a chorar por nós as duas.
Eu só conseguia pensar na chamada. Na música ao fundo. No riso da Clara. Na frieza do Tiago.
"Tenho de ir, a Clara está a chamar-me."
Essa frase ecoava na minha cabeça, repetidamente.
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