
A Herdeira Renascida: O Pacto de Vingança do Lobo
Capítulo 2
Basile semicerrou os olhos.
Ele a olhou como se ela fosse um enigma que ele não conseguia decifrar, ou talvez um inseto que ele ainda não tinha decidido se esmagaria.
"Como quiser", ele murmurou.
Ele jogou as cobertas para o lado e se levantou.
Ele estava completamente nu.
Celeste sentiu o calor subir às suas bochechas, mas se forçou a não desviar o olhar.
Ela observou o olhar dele varrer os lençóis de seda onde ela estava deitada, um lampejo de nojo em seus olhos. Ele deliberadamente contornou a cama, mantendo uma distância segura como se estivesse contaminada.
Ela o observou caminhar em direção ao banheiro, seus movimentos fluidos e desinibidos.
Ele parou na porta, olhando para trás por cima do ombro.
"Você tem cinco minutos para desaparecer antes que eu chame a segurança", ele disse. "E não toque em nada. Tenho uma neura com germes."
A porta do banheiro se fechou com um clique.
O som do chuveiro começou um momento depois.
Celeste levantou-se às pressas da cama.
Suas pernas pareciam fracas, mas a sustentaram.
Ela examinou o quarto desesperadamente.
Seu vestido da noite anterior — um modelo de coquetel prateado — estava jogado em um monte no carpete.
Estava em farrapos.
O zíper estava arrancado.
Daniela.
Tinha que ser sua irmã.
Ela não podia sair do Plaza Hotel com um vestido rasgado.
Não com a imprensa esperando lá embaixo.
Ela precisava de uma armadura.
Celeste entrou no closet.
Fileiras de ternos impecavelmente cortados estavam pendurados com precisão, coordenados por cor.
Ela pegou uma camisa social branca e engomada de um cabide.
Ela a vestiu.
A camisa engoliu sua silhueta, com a bainha batendo no meio de sua coxa.
Ela a abotoou até o pescoço, enrolando as mangas pelos braços.
Tinha o cheiro dele.
Sândalo e tabaco caro.
Ela enfiou a mão no bolso de um paletó cinza-carvão pendurado por perto.
Seus dedos roçaram em um maço de cigarros e um isqueiro.
Ela os puxou para fora.
Ela não fumava.
Ela odiava o cheiro.
Mas suas mãos estavam tremendo de novo.
Ela precisava fazer algo com elas.
Ela acendeu um cigarro, dando uma tragada superficial, tossindo levemente quando a fumaça atingiu seus pulmões.
A onda de nicotina a deixou tonta, mas acalmou seus nervos.
A porta do banheiro se abriu.
Basile saiu, com uma toalha branca enrolada na parte baixa de seus quadris.
Gotículas de água se agarravam aos pelos de seu peito e escorriam por seu abdômen.
Ele congelou no lugar quando a viu.
Celeste estava sentada na poltrona de veludo, com uma perna cruzada sobre a outra.
A fumaça se enrolava de seus dedos.
Ela parecia um desastre, mas um desastre controlado.
Basile se encostou no batente da porta, cruzando os braços.
"O cosplay acabou?", ele perguntou, sua voz escorrendo zombaria. "Seu noivo está esperando no altar."
Celeste apagou o cigarro no cinzeiro de cristal.
Ela se levantou.
"Bryce Colon é um lixo", ela disse.
Basile ergueu uma sobrancelha.
Isso era novo.
A Celeste Franco que ele conhecia — ou pensava que conhecia — era uma marionete, uma herdeira mimada que idolatrava o chão que Bryce pisava.
"Eu sei que você está comprando as ações dispersas do Franco Group", disse Celeste.
A zombaria desapareceu do rosto de Basile.
Sua expressão endureceu como pedra.
Ele se afastou do batente da porta e deu um passo em direção a ela.
O ar no quarto de repente pareceu mais pesado.
"Quem te contou isso?", ele perguntou suavemente.
Suavemente demais.
"Não importa", disse Celeste. "Eu possuo quinze por cento da empresa. Minha avó deixou para mim em um fundo fiduciário que é liberado hoje."
Ela deu um passo em direção a ele.
Eles estavam a centímetros de distância agora.
Ela teve que inclinar a cabeça para trás para olhá-lo nos olhos.
"Eu posso dá-las a você", ela disse.
Basile estendeu a mão.
Sua mão era grande, seus dedos, calejados.
Ele segurou o queixo dela, inclinando seu rosto ainda mais para cima.
Seu polegar roçou o lábio inferior dela.
"E o preço?", ele perguntou.
Celeste não piscou.
"Case-se comigo", ela disse. "Agora mesmo. Hoje."
O aperto de Basile se intensificou um pouco.
Ele estudou o rosto dela, procurando pela mentira, pela armadilha.
"Você está drogada", ele disse. "Ou ainda está bêbada do que quer que tenham colocado na sua bebida ontem à noite."
Ele soltou o queixo dela e se virou, pegando um par de calças jogado sobre uma cadeira.
"Saia, Celeste. Antes que eu perca a paciência."
Celeste se moveu.
Ela se colocou entre ele e as calças.
Ela parecia um animal encurralado, desesperado e perigoso.
"Conta número 744-Bravo-X-Ray", ela disse. "Ilhas Cayman. A empresa de fachada é 'Orion Holdings'."
Basile congelou.
Sua mão pairou sobre o tecido de suas calças.
Lentamente, muito lentamente, ele se virou para encará-la.
Aquela conta era um segredo.
Um segredo que poderia levá-lo para a prisão federal se fosse mal administrado.
Um segredo que apenas três pessoas no mundo sabiam.
E ela não era uma delas.
Até agora.
Ele olhou para ela, olhou de verdade para ela, pela primeira vez.
O medo havia desaparecido de seus olhos.
Em seu lugar havia algo frio.
Algo ardente.
"Comece a falar", disse Basile.
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