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Capa do romance A Garota da Máscara Prateada

A Garota da Máscara Prateada

O reino de Cloudencie está em festa com o anúncio real: o príncipe herdeiro se casará com a princesa de Jurdanis, selando uma aliança histórica entre antigos rivais. Para celebrar a união, um grande baile de gala foi organizado, abrindo as portas do castelo para todos os súditos de ambas as nações. O convite é geral e a euforia toma conta das ruas, mas há uma restrição sombria e absoluta por trás do festejo: a entrada é terminantemente proibida para bruxas.
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Capítulo 2

Sentada na reunião do coven, minha tia junto aos bruxos anciãos dava a sua palestra ou seja lá o que ela esteja dizendo, eu não prestava atenção. Minha cabeça estava focado no homem de olhos verdes, ele era tão... agradável aos olhos, digamos assim. Nunca vi um humano como ele, na verdade eu nunca cheguei tão perto de um.

Eu achei que eles eram feios e assustadores, mas ele não era nada assustador.

Será que ele ainda está dormindo? Ou até mesmo, se lembra de mim? Merda, Imogen! Para de pensar nele, ele é um humano, iria te matar na primeira oportunidade!

Se Ofélia descobrisse o que eu fiz, ela me mataria. Já é proibido usar magia com com um humano, então para salvar o humano era ainda pior! Seria considerado até mesmo traição.

— IMOGEN! — O grito de Ofélia me faz ter a sua atenção, espantando os meus pensamentos. A atenção de todo o clã estava voltada para mim. Engulo um seco. — Você é a escolhida!

Escolhida? Escolhida em quê? Eu não prestei atenção em uma única palavra dela e se eu dissesse isso na frente do coven, ela me puniria da pior maneira possível. Então apenas me levanto e a reverêncio sem mesmo saber onde eu estava me metendo.

Volto a me sentar.

— Eles nunca mais irão zombar da gente! Podem ir, irmãos. Amanhã no mesmo horário vós espero aqui! — Terminou. — Que o caos estejam em vossas mãos! — Ao dizer isso ela sai, olhando para mim. Isso significa que eu deveria segui-la. Vou atrás dela, tentando manter a mesma postura. Minha tia era má, antes de meus pais morrerem, minha mãe era a líder. Éramos como um reino de bruxas, a líder deveria ser eu, mas como eu era apenas um bebê, não pude.

— Eu sei que você não ouviu nada do que eu disse. — Ela diz, me fazendo arregalar os olhos. Mas rapidamente volto a minha postura rígida. — Se você estivesse ouvindo você não concordaria. — Termina, me deixando mais confusa do que eu estava.

— Bem, já que a senhora sabe que eu não ouvi, eu fui escolhida para quê, exatamente? — Questiono. Ela sorri sarcasticamente e me dá as costas me ignorando.

Não volto a perguntar. Se ela quisesse responder, já teria respondido.

Ao chegar em casa eu me jogo em minha cama e novamente volto a me lembrar do humano ferido. Espero que agora ele esteja bem.

.

— Príncipe Aidan! — O grito histérico de Pauline fazem meus ouvidos zumbirem quando eu adentro o palácio, mancando. Merda, eu não queria essa recepção. — Oh céus! Porque você está sujo de sangue? Onde você estava? Vou chamar o médico real! — Ela se vira rapidamente, mas eu seguro o seu braço antes que ela fizesse essa loucura.

— Pauline, o sangue não é meu. Se acalme! — Eu minto. O que eu menos queria agora era o meu pai acompanhado de um maldito médico me enchendo de perguntas desnecessárias. Pauline arregala os olhos, assustada com a confissão. — Vou tomar um banho. Diga para os guardas não comentarem nada com o meu pai. E isso serve para você também! — Exclamo, e caminho diretamente para o meu quarto.

Eu não lembrava de quase nada. Apenas me lembro do dia longo e tedioso. Eu estava farto de ouvir todos comentando sobre o maldito casamento, no qual eu aceitei por livre e espontânea pressão! A princesa de Jurdanis, Catarina, ela era esplêndida. Mas eu não queria me casar, pelo menos não com ela!

Eu não quero passar a vida toda com uma pessoa que eu mal conheço apenas para que o nosso reino tenha uma trégua! Eu estaria vendendo a minha dignidade mesmo esse sendo o meu dever como o futuro rei de Cloudencie.

Se é que eu quero realmente essa merda de coroa...

Prometi a minha avó antes da mesma morrer que teria a responsabilidade de um rei, mas não é isso que eu realmente quero. Tudo a minha volta tem que ser escolhido por alguém, até mesmo minha futura rainha!

Eu me sentia preso! Passei o dia todo enchendo a cara de bebidas até chegar ao ponto de não conseguir andar, mas os sentimentos de ódio e raiva me dominavam e quando eu percebi, uma espada estava atravessada em meu abdômen, na esperança que isso acabasse logo de uma vez por todas!

Eu preferia morrer do que passar a vida preso e sem escolha. Me desculpe, vó! Não cumprirei a promessa.

Arranco a espada do meu corpo e me ajoelhei sentindo a dor. Eu não me importava, havia feito a escolha certa. Pelo menos uma escolha que teria partido de mim!

Eu me sentia fraco, com dor, eu mal tinha voz e minha visão estava falhando. Mas então, um anjo apareceu. Um anjo de máscara prateada. Eu não sabia se aquilo tinha sido realmente uma alucinação ou eu estava entrando no céu quando eu a vi. Mas ela com certeza era o anjo mais bonito.

Eu apenas me lembro dos seus olhos castanhos, do seu cabelo escuro, e de sua máscara. Ela me salvou. Eu não sabia se agradecia ou não, mas eu esperava acordar e sentir o anjo ao meu lado.

Mas não aconteceu, ela não estava lá.

Eu havia bebido de mais e tive uma alucinação, essa era a única resposta cabível no momento.

Espanto os meus pensamentos e vou em direção a banheira. Eu não estava totalmente sóbrio, mas precisava para saber o que aconteceu e encarar o que me espera amanhã.

Tiro a minha roupa, indo tomar o banho. Mas me assusto ao ver uma enorme cicatriz em meu abdômen, exatamente no mesmo lugar que eu havia enterrado a espada a horas atrás..

Então ela não era apenas um anjo ou fonte da minha imaginação, ela era real.

.

— Pode me dizer o que eu tenho que fazer, Ofélia? — Tento pela última vez saber onde eu me meti. E pela primeira vez consigo a atenção dela.

— Você apenas aceitou ser uma "espiã" no castelo do rei para ver se ele está tramando algo contra nós... Ah, e envenena-lo após o casamento. — Respondeu, calmamente.

Espera... O que!?

Meu coração se acelera e meu sangue começou a queimar. Ela estava maluca? Eu não iria de maneira alguma entrar naquele castelo e muito menos matar alguém! Claro, matar o rei seria muito bom se eu não tivesse feito uma promessa a mim mesma que não me tornaria uma assassina!

Eu esperei isso por anos, por vingança. Mas então comecei a ler o livro da minha mãe que dizia exatamente o contrário. Eu sentia os sentimentos dela e por essa razão se eu matasse o rei por vingança, ela se decepcionaria comigo e isso eu não posso permitir.

Quero que eles tenham orgulho de mim!

— Eu não posso assassinar o rei, tia Ofélia! — Exclamo. Eu esperava o pior após a desobedecer, ela era agressiva. Mas a mesma apenas se vira para mim, me encarando e parando de ler o livro.

— Claro que você pode, querida. — Respondeu calmamente. — Aliás, você deve! Fez um promessa em frente a todo o coven, você se curvou a essa promessa, se lembra? — Sorriu, diabólica. Arregalo os olhos. Ela era uma cobra, ela sabia que eu não estava ouvindo um palavra sequer e por essa razão ela propos que eu fizesse esse absurdo...

Merda, o que eu fiz!?

Eu me ajoelhei a promessa... como eu sou idiota! A promessa em frente ao clã é extremamente perigosa, mas quando você se curva para essa promessa, você está vinculado com ela para sempre. Se eu não fizer o que eu prometi, eu posso ser morta por mim mesma ou cair em tentação, que seria virar uma bruxa das trevas.

Merda!

Eu estava paralisada, eu não podia acreditar na estupidez que eu havia feito. Eu me ajoelhei porque ela sempre me disse para me curvar quando ela me pede alguma coisa, porque estaria mostrando para o coven a obediência e a fidelidade que eu daria ao clã quando eu fosse a líder!

Eu não consigo dizer mais nada, apenas me viro e volto para o meu quanto, em choque.

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