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Capa do romance A Garçonete É a Verdadeira Rainha da Máfia

A Garçonete É a Verdadeira Rainha da Máfia

Disfarçada de garçonete na boate de seu noivo, a filha do Don Supremo testava a lealdade de Caio Bastos. Ao ser queimada propositalmente pela amante dele, ela esperava justiça, mas recebeu humilhação. Para agradar investidores, Caio ordenou que ela se ajoelhasse perante a rival. Ele não sabia que acabara de condenar seu império. Sem lágrimas, ela aciona o Código Negro. O submundo desperta quando a herdeira exige que seu pai envie os lobos para o acerto de contas.
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Capítulo 2

Bianca POV

O bar de serviço era um corredor claustrofóbico de aço inoxidável e estresse de alta octanagem.

O ar fedia a café queimado e cascas de frutas cítricas azedas.

Forcei-me a voltar para dentro, minhas mãos tremendo — não de medo, mas de uma fúria volátil que eu lutava para conter.

Eu já havia pego os cigarros dela.

Eu os coloquei gentilmente em sua mesa.

Ela nem se dignou a olhar para mim.

Agora, a máquina de pedidos estava gritando novamente.

Mesa 4 (VIP): 1 Espresso Martini. Espuma Extra. Quente.

"Ela devolveu os dois primeiros", o barman murmurou, despejando um coquetel perfeitamente bom no ralo com uma careta.

"Diz que estão frios. Ela quer que você leve este."

"Eu?"

"Ela pediu pela 'incompetente', citando o nome."

Inspirei fundo, buscando calma.

Eu poderia ir embora.

Eu poderia pegar o telefone e ligar para o meu pai agora mesmo.

Uma ligação, e este prédio seria invadido por homens que ficariam felizes em arrancar a pele de qualquer um que olhasse torto para mim.

Mas eu não precisava de um resgate; eu precisava de uma prova.

Meu pai não agia com base em sentimentos feridos.

Ele agia com base em provas frias e concretas.

Se eu fosse desmantelar a aliança com os Bastos, eu precisava demonstrar que Caio era inapto para liderar.

Eu precisava que Caio se enforcasse com a própria corda.

Peguei o pires.

A xícara estava fumegando.

Caminhei pelo corredor VIP.

As luzes diminuíram, o aço industrial dando lugar a paredes forradas com um veludo que custava mais do que a maioria das pessoas ganhava em um ano.

Jade estava me esperando.

Ela não estava em sua mesa.

Ela estava encostada na parede no gargalo do corredor, bloqueando efetivamente meu caminho.

Ela estava sozinha.

"Finalmente", ela arrastou as palavras, desencostando-se da parede com uma languidez ensaiada.

"Sua bebida, Senhorita Menezes", eu disse, mantendo minha voz neutra enquanto estendia a bandeja.

Ela não pegou a xícara.

Em vez disso, seus olhos caíram para as minhas mãos.

Eu tinha um calo pequeno e distinto no polegar de anos segurando um pincel.

Augusto, o chef, notou uma vez. Ele chamou de a marca de uma criadora.

Jade apenas zombou dele.

"Você se acha melhor do que eu, não é?", ela sussurrou, o veneno mal disfarçado.

"Estou apenas fazendo meu trabalho", respondi.

"Você está me olhando como se eu fosse lixo", ela cuspiu, aproximando-se. "Eu vejo. Você acha que só porque trabalha aqui, faz parte da família? Você não é nada."

Ela estendeu a mão.

Meus músculos se contraíram, esperando que ela pegasse o pires.

Em vez disso, ela deu um tapa na parte de baixo da bandeja.

O tempo pareceu se fragmentar.

A xícara de porcelana virou.

O líquido fervente e escuro transbordou.

Não atingiu o chão.

Cobriu minha mão.

A dor foi instantânea e cegante — um ferro em brasa marcando minha carne.

Eu ofeguei, a bandeja escorregando do meu aperto.

Ela se estilhaçou no chão, um estrondo violento que ecoou pelo corredor silencioso.

Minha mão já estava ficando de um vermelho raivoso e manchado.

Bolhas começaram a surgir diante dos meus olhos.

Agarrei meu pulso, minha respiração presa na garganta.

Jade riu.

Foi um som cruel e irregular.

"Ops", disse ela, passando delicadamente sobre os cacos. "Você é realmente desastrada. Acho que vou dizer ao Caio para te demitir. Um risco para o negócio e tudo mais."

Eu olhei para ela.

Lágrimas pinicaram os cantos dos meus olhos, mas me recusei a deixá-las cair.

"Você fez isso de propósito", eu disse, minha voz tremendo de choque.

"Quem vai acreditar em você?", ela perguntou, inclinando-se até que eu pudesse sentir seu perfume caro. "Na empregada? Ou na mulher que salvou a irmã do Don?"

Marcos veio correndo da esquina.

Ele avaliou a cena instantaneamente.

Ele viu o vidro quebrado.

Ele viu Jade de pé sobre mim.

Ele me viu segurando minha mão escaldada.

"O que aconteceu?", Marcos exigiu.

"Ela jogou em mim!", Jade gritou instantaneamente, recuando em uma performance de vitimismo. "Ela tentou me queimar porque eu reclamei do serviço!"

Eu olhei para Marcos.

Seu olhar caiu para a minha mão.

Ele viu as bolhas se formando.

Ele sabia.

Ele tinha que saber.

Mas ele me deu as costas.

"Sinto muito, Senhorita Menezes", disse Marcos, curvando a cabeça em deferência. "Você está ferida?"

"Marcos", eu disse, minha voz baixa e perigosa. "Minha mão."

Ele nem sequer olhou para mim.

"Limpe isso, Bianca", ele estalou, sua voz desprovida de calor. "E saia da vista dela antes que eu mande a segurança te jogar para fora."

Eu fiquei ali, a agonia na minha mão latejando no ritmo do meu coração.

A dor física era aguda, distinta.

Mas a traição?

Aquilo era uma dor oca se espalhando pelo meu peito.

Marcos era um homem feito.

Ele jurou proteger os interesses da família.

E ele estava me jogando aos lobos para salvar a própria pele.

"Preciso de gelo", eu disse, minha voz firme.

"Cozinha", Marcos latiu. "Agora."

Eu me virei e fui embora.

Eu não corri.

Eu não chorei.

Eu caminhei com a espinha de aço de uma Salles.

Cada passo era uma marca mental.

Uma pelo desrespeito.

Uma pela queimadura.

E uma por Caio, que permitiu que uma cobra entrasse em nosso jardim.

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